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Impactos de hidrelétricas na Amazônia é tema de palestra de cientista do Inpa


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A construção de novas hidrelétricas na Amazônia aumentará o impacto ambiental na região. O alerta foi feito pelo cientista Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em sua palestra “Hidrelétricas na Amazônia: Impactos a Tomada de Decisão Sobre a Política Energética do Brasil”, ministrada por ele na última sexta-feira, 1º, na Conferência de Abertura dos “08 Dias de Ativismo Verde – Semana do Meio Ambiente”, ocorrido no auditório Agenor de Carvalho, da Ordem dos Advogados do Brasil de Rondônia (OAB/RO).


A preocupação do cientista é porque o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE), que ainda está em discussão, prevê para a região a construção de 48 novas hidrelétricas. O aumento do número de barragens, para Philip Fearnside, implicará em enormes impactos que são sistematicamente subestimados pelo governo e pela indústria hidrelétrica. “Um aspecto das represas com grandes impactos, é que elas escapam do processo de licenciamento ambiental, e ainda há a interconexão com outras barragens existentes ou previstas para o mesmo rio. Esta é uma diferença importante de outros tipos de produção de energia elétrica, onde cada usina é independente das outras’, revelou.
 

Entre os vários impactos causados pelas hidrelétricas, Fearnside apontou a perda de peixes e outros recursos aquáticos, que ocorre por toda bacia do rio onde uma represa é construída. “A biodiversidade é perdida em habitats aquáticos e terrestres, e gases de efeito estufa são emitidos em escalas que excedem a produzida por combustíveis fósseis durante muitos anos. Esses impactos fornecem a justificativa para o governo brasileiro revisar com profundidade a sua política de energia e seus planos de expansão das represas amazônicas”, disse.
 

Outro alerta feito pelo cientista, é que as hidrelétricas também têm uma importante contribuição nas emissões de metano (CH4), um potente gás causador do aquecimento global. O metano é formado quando a matéria orgânica se decompõe sem a presença de oxigênio, por exemplo, no fundo de um reservatório. A água em um reservatório estratifica em duas camadas: uma camada superficial (o epilímnio) onde a água é mais quente e está em contato com o ar, e uma camada inferior (o hipolímnio), que se encontra abaixo de uma separação conhecida como a “termoclina”, porque a água abaixo deste ponto é muito mais fria.“Uma garrafa de Coca-Cola fornece a melhor ilustração da liberação de gás. Quando se abre a garrafa, bolhas de CO2 formam-se imediatamente só porque a pressão foi removida com a retirada da tampa. A diferença de pressão é muito maior entre o fundo de um reservatório e o ar livre a jusante da barragem, levando ainda mais gás a ser lançado como resultado da Lei de Henry”, explicou.
 

Philip Fearnside afirma ainda que as estimativas do impacto das barragens amazônicas sobre o aquecimento global têm variado enormemente. Segundo ele maioria das pessoas ouvindo sobre as diferentes estimativas através da imprensa não tem nenhuma informação sobre como foram feitas as medições subjacentes e o que é incluído ou omitido das estimativas. “Examinar os estudos originais de todos os lados do debate é essencial”, defendeu.
 

Fonte: Joel Elias
Foto: Medeiros

 

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