Porto Velho (RO) segunda-feira, 24 de setembro de 2018
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GDF Suez negocia recurso extra do BNDES para a usina de Jirau




Os recentes conflitos no canteiro de obras da hidrelétrica de Jirau, no rio Madeira, não afetam os planos do grupo franco-belga GDF Suez no Brasil. Acionista majoritária do empreendimento e controlador da maior geradora de energia privada do país, a Tractebel Energia, a companhia está negociando com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) um adicional de financiamento para a usina e ainda avalia a possibilidade de adquirir a participação da Camargo Corrêa no negócio.
 

O acordo com o banco está sendo costurado pelo consórcio Energia Sustentável do Brasil (ESBR), responsável pela usina. A GDF Suez tem 50,01% da sociedade, que conta ainda com a participação de Eletrosul (20%) e Chesf (20%), além da Camargo Corrêa, com 9,9%. Os recursos serão destinados para a expansão da hidrelétrica, que terá mais seis turbinas, totalizando 50 unidades, o que vai aumentar a capacidade da usina de 3.300 MW para 3.750 MW.
 

Durante entrevista exclusiva concedida ao Valor na semana passada, no Rio de Janeiro, o presidente da GDF Suez no Brasil, Maurício Bähr, afirmou que essa ampliação vai demandar pouco mais de R$ 1 bilhão em investimentos, elevando o orçamento total da obra para R$ 15,1 bilhões.
 

"Temos um empréstimo no BNDES de R$ 7,2 bilhões. Estamos negociando agora um aumento desse valor, em função da expansão da usina. Não tem um valor final definido ainda. O BNDES está fazendo as contas", explicou Maurício Bähr.
 

O cálculo do banco vai considerar os custos adicionais das obras civis e das novas máquinas, além do preço de R$ 102 por megawatt-hora (MWh) da energia adicional vendida em agosto de 2011 (209 megawatts médios), com entrega para janeiro de 2014.
 

A GDF Suez pretende repassar sua participação em Jirau para a subsidiária Tractebel Energia no fim deste ano, quando o grupo acredita que os principais riscos da obra já estarão mitigados. Braço da empresa com ações listadas na BM&FBovespa, a Tractebel concentra todos os ativos de geração em operação do grupo franco-belga no Brasil e é hoje a maior geradora privada de energia do país, com quase 7 mil MW de potência.
 

A companhia ainda não definiu qual será o modelo de repasse da participação em Jirau. Até hoje, em todas as operações, a Tractebel reduz o montante a ser pago em dividendos para compor uma reserva e realizar a compra do ativo. Devido ao porte da usina, o grupo estuda algumas adaptações a esse modelo. "Será um mix de soluções", afirmou o diretor de novos negócios da GDF Suez, Gil Maranhão.
 

Com o repasse, a Tractebel Energia reforçará sua posição de maior geradora privada do país, atingindo 8,9 mil MW de potência instalada. O montante, mais de três vezes superior ao da segunda colocada, a AES Tietê (2,7 MW), equivale a 7,5% de todo o parque de geração brasileiro.
 

Com o fim da greve em Jirau, a GDF Suez vai aguardar agora a situação voltar ao normal no canteiro de obras para rever o fluxo de caixa do projeto. Já há um consenso entre os sócios de que os conflitos ocorridos em março mais os problemas do ano passado vão alterar o cronograma da usina, cujo início de operação deve passar de meados de 2012 para janeiro de 2013. Com isso, a receita adicional com a antecipação da produção de energia da hidrelétrica pode não se concretizar.
 

A GDF Suez ainda avalia oportunidades no mercado para negociar a parcela de energia que detém no projeto destinada ao mercado livre. Segundo Bähr, o cenário atual é interessante, com tendência de elevação dos preços, devido à proximidade do fim do período chuvoso e à percepção, pelos agentes, de que um grande bloco de energia de termelétricas atrasadas não estará disponível nos próximos anos.
 

"O mercado agora está tendo uma leitura mais adequada em função dos atrasos. Já sabíamos há algum tempo que uma série de usinas não entrariam em operação e que isso seria refletido no preço", explica Bähr.
 

O executivo avalia que os contratempos ocorridos em Jirau e noutras hidrelétricas em construção vão alterar a perspectiva que os geradores tem em relação aos investimentos em novas hidrelétricas no Brasil. Na prática, os riscos ambientais das obras terão um peso maior no lance das empresas nos leilões de geração, o que levará a preços mais elevados para a energia hídrica no país. "Vamos ter uma energia mais cara no futuro porque nenhum empreendedor nos próximos leilões vai imaginar que vai conseguir fazer a obra dentro do cronograma".
 

Sobre a aquisição da participação da Camargo Corrêa em Jirau, ele lembrou que a construtora estuda o melhor momento para se desfazer do ativo. "A Camargo estava buscando outros potenciais compradores. Mas em algum momento isso pode cair no nosso colo", disse Bähr. A empresa aguarda para os próximos meses uma definição para o uso do potencial energético proveniente da otimização do complexo do rio Madeira. Na prática, a ESBR e a Santo Antônio Energia reivindicam a propriedade dessa energia adicional, de aproximadamente 206 MW médios.
 

O assunto está sendo discutido entre o Ministério de Minas e Energia, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e os dois consórcios.
 

Com atuação no setor elétrico brasileiro desde 1998, quando ganhou a concessão da hidrelétrica de Cana Brava, no rio Tocantins, em Goiás, a GDF Suez pretende ingressar no mercado de gás natural do país, mas ainda não vê oportunidades economicamente viáveis no momento. "Nunca houve a oportunidade dentro da relação custo benefício risco que nós estamos preparados para assumir" conta Maranhão.
 

Fonte: Valor Econômico / Rodrigo Polito

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