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Ex-ministra do Meio Ambiente afirma que energia nuclear deixa 'castigo' para futuras gerações




Alana Gandra
Agência Brasil

 

Rio de Janeiro - A ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva reafirmou hoje (1º) sua posição contrária ao emprego da energia nuclear pelo Brasil. “Não é uma energia segura, não se sabe o que fazer com os resíduos, e vai ficar, não como um legado, mas como um castigo para as futuras gerações”, afirmou, após participar do seminário Energia Limpa: Oportunidades e Desafios no Brasil.
 

O evento faz parte da programação da Coordenação de Programas de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ) preparatória à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que ocorre de 13 a 22.
 

Marina desmentiu que o custo da geração nuclear seja baixo. “É uma energia subsidiada com os impostos dos brasileiros para, ao invés de ser uma solução, ser um problema”. Segundo a ex-senadora, os investimentos que vêm sendo efetuados na área nuclear deveriam ser direcionados para outras fontes de geração. Lembrou que a Alemanha está abandonando o uso dessa energia.
 

Em sua palestra, Marina destacou que o Brasil precisa pensar em energia limpa no contexto atual das crises que o mundo vive, e que são de ordem não só econômica, mas social, ambiental, política e de valores. Trata-se, externou, de “uma crise civilizatória”. Segundo ela, a crise de valores permeia todas as demais.
 

Segundo Marina, a reversão dos problemas trazidos pelas mudanças climáticas depende de governo e sociedade estarem conscientes das escolhas que fazem. Para o setor energético, em especial, indicou que deve haver uma democratização do planejamento. Foi dessa forma, garantiu, que, em sua gestão à frente do Ministério do Meio Ambiente, no governo Lula, o país conseguiu alcançar mais de 80% de redução do desmatamento.
 

No caso particular das hidrelétricas e do setor energético como um todo, devido aos impactos causados por esse tipo de empreendimento, salientou a importância dos investimentos intangíveis, por meio da valorização do patrimônio imaterial, representado por cerca de 220 povos que falam 180 línguas, com conhecimentos tradicionais e milenares, associados aos recursos naturais existentes.
 

“Essas culturas estão sendo ameaçadas”, declarou, indicando o caso dos índios da Amazônia e de regiões remotas do país, onde estão localizados 64% do potencial hidrelétrico brasileiro.
 

A ex-ministra defendeu que haja no Brasil uma coautoria de planejamento e decisões envolvendo governo, sociedade civil e academia. A sociedade, para ela, tem que ser consciente, engajada e pró-ativa. “Isso, assegurou, só é possível com democracia”. Para ela, esse planejamento democrático conduzirá à eficiência energética do país, como já vem ocorrendo desde o apagão de 2001.
 

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