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Cassol e senadores visitam obras da Usina de Belo Monte


Cassol e senadores visitam obras da Usina de Belo Monte - Gente de Opinião

“Bem vindo ao maior canteiro de obras do Brasil”. Com esta frase um grande painel marca a entrada da usina de Belo Monte, em Altamira, no estado do Pará, onde os senadores Ivo Cassol, Aloísio Nunes Ferreira, Delcídio do Amaral e Flexa Ribeiro, integrantes da Comissão de Fiscalização e Controle do Senado Federal, estiveram nesta sexta-feira, 09.

A visita começou pela manhã com uma palestra no auditório do consórcio construtor, às margens do rio Xingu, ainda na zona urbana de Altamira. Lá os senadores foram interados dos números gigantescos da obra, que deverá se estender pelos próximos seis anos e contará com cerca de 18.000 trabalhadores diretos e mais 22.000 indiretos quando atingir o pico da construção, em 2013, transformando a região num novo eldorado.

Para se ter uma idéia da grandiosidade da obra, em comparação com as usinas do rio Madeira, atualmente em construção em Porto Velho, Belo Monte sozinha gerará 11.2 megawatts, quase a mesma energia de Jirau e Santo Antonio juntas, e está orçada em R$ 26 bilhões.

Esses números já estão alterando a realidade da pequena Altamira, município de 100.000 habitantes que deverá receber mais 80.000 nos próximos 4 anos sem contar com infraestrutura sequer para atender a população atual. Resultado: grande déficit de moradia e alta nos preços de produtos e serviços, especialmente aluguéis e alimentação, o que praticamente inviabiliza a moradia dos que já residem no município, mesmo com todas as ações compensatórias que o consórcio construtor está realizando, com grandes investimentos nas áreas de educação, saúde e segurança, conforme explicou o superintendente de Belo Monte, Carlos Nascimento, que recepcionou a comitiva.

Após a exibição de vídeos e palestra os senadores seguiram de helicóptero até o canteiro de obras da usina, distante cerca de 60 quilômetros da sede do município, aproveitando para sobrevoarem a área que deverá ser alagada e terem uma verdadeira noção do tamanho da obra. Já no canteiro os senadores visitaram os alojamentos dos trabalhadores, todos equipados com chuveiros quente/frio e ar condicionado tipo split, o local onde estão sendo feitas as escavações para a casa das máquinas e o canal de 20 quilômetros de extensão que está sendo aberto para ajudar no direcionamento das águas do Xingu que abastecerão o lago artificial.


 

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Ainda no canteiro os senadores almoçaram com os trabalhadores no restaurante da obra, quando puderam conversar com homens e mulheres que estão montando uma verdadeira cidade, que terá campos de futebol, quadras esportivas, cinemas, restaurantes, lan-house e tudo mais, para que não precise se deslocar para a cidade durante as folgas, mesmo porque as opções no canteiro serão bem melhores, inclusive com hospital, bosque e lazer completo.

Finalizando a visita a comitiva retornou a Altamira para conhecer o hospital municipal, antigo e superlotado, cuja situação piorou ainda mais com o início das obras da usina, tal qual aconteceu com Porto Velho. Em Altamira, assim como na capital de Rondônia, a prefeitura não construiu um hospital de urgência e emergência para atender a demanda crescente e os pacientes igualmente ficam espalhados pelo chão a espera de vaga para internação. O consórcio construtor já entregou clínicas odontológicas, ambulatórios e reformou postos da guarda municipal, mas foram insuficientes.

Os senadores ficaram preocupados com o caos que se anuncia no município, mas positivamente impressionados com a grandiosidade da obra, tanto pelos números quanto pelo impacto que trará à região. O senador Ivo Cassol fez questão de alertar, durante entrevista aos veículos que cobriam a visita, que em Belo Monte está para acontecer o mesmo que ocorreu nas obras de Santo Antonio e Jirau, em Rondônia, trazendo os mesmos problemas sociais e lembrou dos milhares de metros cúbicos de madeira que apodreceram no fundo das áreas alagadas porque o IBAMA não autorizou a retirada em tempo hábil. “Expliquei à prefeita como ela pode se antecipar aos problemas que virão e vou cobrar dos responsáveis em Brasília que seja dada a autorização de retirada da madeira das áreas que irão alagar com a barragem. Com isso o município poderá criar um pólo madeireiro e moveleiro, agregar valor ao que será perdido se for deixado submerso”, disse Cassol aos jornalistas.

A comitiva retornou à Brasília no final da tarde desta sexta-feira e na próxima semana fará um relatório do que viu e ouviu aos demais integrantes da Comissão de Fiscalização para que as providências solicitadas pela população sejam encaminhadas aos órgãos competentes, e deverá retornar à Belo Monte em 90 dias para conferir se foram implantadas.


Fonte:  Marco Antônio

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