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BIODIESEL: antecipação de metas


Entre as primeiras tentativas de produção de biodiesel no Brasil e a antecipação em três anos da meta de adoção da mistura de 5% no diesel (o chamado B5), passaram-se mais de 30 anos. Com produção ascendente do combustível, usado principalmente em caminhões, ônibus, geradores de eletricidade e ainda muito pouco em automóveis, o país saiu de uma produção de 736 milhões de litros em 2005 para mais de 1,132 bilhão de litros em setembro deste ano. A adoção do B5 a partir de janeiro de 2010 deve elevar ainda mais essa capacidade, ultrapassando os 2 bilhões de litros de biodiesel. Mas se o abastecimento parece ser um assunto superado, a preocupação do governo Lula, que lançou em 2003 o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel, está na diversificação da matéria-prima. Hoje, quase 90% do biodiesel brasileiro é proveniente da soja. 

– A antecipação dessa meta de 2013 serviu para garantir a maior movimentação da indústria. Agora, os produtores nos levaram a proposta do B20 (20% de biodiesel) metropolitano, vamos analisar, mas a prioridade é promover uma diversificação de matérias-primas, e, assim, diminuir a dependência da soja, que é e sempre foi muito importante – afirma o diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia, Ricardo Dornelles. 

Com mais de 10 anos no mercado de etanol e biodiesel, o consultor de mercado Paulo Siqueira Costa, ex-gerente de comércio externo da Copersucar, concorda com o diretor do MME e lembra que a velocidade da adoção do B5 mostrou uma indústria “amadurecida”. 

– Tivemos duas grandes mudanças no programa que provocaram essa alteração. A agricultura familiar deixou de ser prioridade. Os produtores passaram a aceitar também a soja. Mas acho que não se deve diminuir o ritmo das outras matérias-primas. O pinhão manso é uma opção louvável. Enquanto temos a soja, que é espetacular, temos que ter pesquisas para desenvolver outras matérias-primas. Tem tempo para isso. 

Redução 

Às vésperas da Conferência Mundial do Clima (dezembro, em Copenhague) a adoção do B5 coloca o país na rota do compromisso estabelecido pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que anunciou a intenção de reduzir em 40% a emissão de carbono na atmosfera até 2020 (que provoca o efeito estufa). Com produção prevista para o ano que vem de 2,2 bilhões de litros de biodiesel, o país já passa a ser o segundo maior produtor do mundo – a Alemanha lidera, mas ainda precisa resolver outras questões para crescer ainda mais no mercado, trazendo benefícios para o meio ambiente. 

– Temos que traduzir para preço os benefícios sócio-ambientais. No etanol, há uma tributação menor, uma vantagem. No biodiesel, ainda é pequeno o incentivo. O consumidor não vai raciocinar com a consciência ambiental se pesar no bolso dele. A tributação menor está na agricultura familiar do Norte e Nordeste – diz Dornelles. 

Os agricultores familiares dessas regiões têm redução de até 70% para o cultivo da soja, enquanto os tributos federais para os produtores do resto do país diminui apenas 30%. Segundo o diretor do MME, a atividade de biodiesel tem cerca de 100 mil contratos de agricultura familiar. 

– Há críticas de que essa atividade não está resolvendo, mas a dificuldade da implantação ainda é grande. Não é fácil montar um arranjo para plantação no semi-árido. A velocidade pode até não ser na que todos desejamos, mas está melhorando. 

Paulo Costa pensa, no entanto, que o crescimento da produção de biodiesel aconteceu por uma mudança de filosofia dessa atividade. Para ele, o preço da venda do biodiesel é atraente para a produção, mas alerta para as mudanças “cíclicas” de toda colheita. 

– Não é questão de abandono da agricultura familiar, mas da aceitação da grande agricultura. Hoje, é vantajoso negociar o excedente com a indústria, mas o câmbio pode mudar e a soja pode ser melhor para exportação. O setor agrícola depende de outros fatores, como o clima. A indústria do biodiesel ainda está na infância e pode passar por altos e baixos até se tornar uma indústria consolidada. 

Petrobras planeja produzir 25% do combustível do país 

Depois de anunciar a compra de 50% da refinaria de Marinalva, no Paraná, a Petrobras já garantiu investimentos de US$ 2,4 bilhões na produção de biodiesel e etanol, verba que fica sob administração da subsidiária da companhia, a Petrobras Biocombustível. Até 2013, a estatal planeja produzir 25% do biodiesel e 10% do etanol do país. 

– Ampliamos em 90% nossa capacidade de produção em três usinas e vamos continuar com investimentos no Norte e Nordeste – diz Miguel Rosseto, presidente da Petrobras Biocombustível – Só na Bahia, vamos quadruplicar a produção de litros do biodiesel, com as obras começando ainda esse ano. 

Segundo Rosseto, em cada usina são 140 empregos diretos, além das cerca de 55 mil pessoas que trabalham na agricultura familiar. 

– Obviamente que eles têm as dificuldades, às vezes com baixo nível de produtividade, mas temos 500 técnicos agrícolas para prestarem assistência a essas famílias. 

Em 2010, Rosseto espera uma produção ainda melhor com mais investimentos em tecnologia: o objetivo é produzir 640 milhões de litros de biodiesel a cada ano. 

Com duas usinas no Nordeste brasileiro (Ceará e Bahia), a estatal defende a produção descentralizada de biodiesel no país. 

– Temos outros investimentos, mas nos consolidamos na região do semi-árido no Nordeste e no norte de Minas Gerais, para atender Paraná e São Paulo – explica Rosseto. Outro investimento, ainda sem data, está planejado no Pará, com a produção de 115 milhões de litros de biodiesel por ano. 

Fonte: Jornal do Brasil/Raphael Zarko)

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