Domingo, 15 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Economia

Rondônia pode ter queda de arrecadação

O Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade chama a atenção para o forte incentivo ao mercado ilegal com a sobretaxa


Rondônia pode ter queda de arrecadação  - Gente de Opinião

Muitos produtos, como os cigarros e as bebidas vão ficar mais caros em Rondônia a partir de 12 de janeiro, conforme projeto aprovado pela Assembleia Legislativa, e sancionado pelo governador Marcos Rocha. A intenção de aumentar a alíquota Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de 17,5% para 19,5%, apesar das reclamações dos empresários de que vão importar em diminuição das vendas e das receitas foi completamente ignorado pelo governo que decidiu fixar a alíquota sem uma maior negociação.

A cerveja com imposto mais alto do Brasil

O imposto nas operações sobre cigarros, charutos e tabacos vai a 37%. Será a maior alíquota de ICMS no estado a partir de janeiro. Nos demais produtos, o ICMS ficará em 19,5%, enquanto a cerveja vai ter uma alíquota de 34%.  Com uma média regional que já chegou a 50% do mercado consumidor de cigarro com origem ilícita, em 2018, a região Norte é cada vez mais usada pelos contrabandistas. Considerada nova rota, com entrada pelo Suriname, o Norte do país vê o crime aumentar a cada ano. Agora, a perspectiva só piora. Isto porque a medida recém-aprovada vai intensificar a disparidade de preços entre produto legal e o ilícito, estimulando o consumo de produtos contrabandeados e fomentando o crime organizado. Para o Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), na expectativa de criar uma fonte de arrecadação, o Estado está indo na contramão do combate à venda ilegal e o resultado pode ser contrário ao esperado. O reajuste vai impulsionar o mercado ilegal de cigarros em Rondônia, que já representa 35% de todos os cigarros comercializados no estado, segundo estimativa da indústria. Devido ao comércio ilegal de cigarros, estima-se que o governo estadual tenha deixado de arrecadar R 13 milhões ICMS no último ano. Com o aumento de imposto, a tendência é que deixe de arrecadar ainda mais. Em três anos, as perdas com ICMS devido à ilegalidade podem chegar a R 39 milhões. Serão maiores do que a arrecadação estimada pelo governo de R 24 milhões até 2026. Porém agora também se estimulou outros tipos de ilegalidade em ascensão: a entrada ilegal de cerveja e o aumento de roubos de caminhões das empresas que o transportam. E a cerveja com um imposto de ICMS em 37%, de longe o maior do país, é um grande incentivo para que haja a entrada clandestina da bebida no estado.

Este tipo de preocupação  também aumenta a necessidade de atacar o contrabando, uma medida extremamente efetiva para a recuperação econômica. Edson Vismona, presidente do FNCP, explica que o excesso de impostos é um dos fatores decisivos para o crescimento do contrabando, especialmente de cigarros, já que as marcas paraguaias não pagam nada no Brasil. Assim, onerar o produto brasileiro aumenta a vantagem do ilegal. E um agravante: Rondônia é frequentemente usado como corredor de entrada do contrabando.  “Os prejuízos causados pelo contrabando são altíssimos. O produto legal é penalizado diante da sonegação dos ilegais e o comércio formal não consegue sobreviver à concorrência desleal. O país deixa de arrecadar recursos que poderiam ser investidos em outras áreas, inclusive na segurança”, explicou Vismona.

Gente de OpiniãoDomingo, 15 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Contrata+Brasil abre mercado para 13 mil MEIs em escolas públicas de Rondônia

Contrata+Brasil abre mercado para 13 mil MEIs em escolas públicas de Rondônia

Mais de 900 escolas públicas de educação básica de Rondônia que recebem recursos do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) agora podem contrata

 Reforma Tributária deve alterar dinâmica econômica de Rondônia, e especialistas destacam necessidade de preparação técnica até 2026

Reforma Tributária deve alterar dinâmica econômica de Rondônia, e especialistas destacam necessidade de preparação técnica até 2026

A Reforma Tributária, atualmente em fase de regulamentação, deve provocar mudanças significativas na dinâmica econômica de Rondônia, especialmente e

Teto do Simples com defasagem de 82,2%. Ninguém aguenta mais!

Teto do Simples com defasagem de 82,2%. Ninguém aguenta mais!

Entidades que representam MEIs, Micro e Pequenas Empresas têm pressionado o Congresso Nacional por mudanças nas regras de faturamento e tributação d

Redução da jornada de trabalho teria custo similar ao de reajustes históricos do salário mínimo, aponta Ipea

Redução da jornada de trabalho teria custo similar ao de reajustes históricos do salário mínimo, aponta Ipea

Os custos de uma eventual redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais seriam similares aos impactos observados em reajustes históricos d

Gente de Opinião Domingo, 15 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)