Quinta-feira, 23 de abril de 2020 - 17h28

Levantamento feito pelo Sebrae mostra que, apesar da queda no faturamento de 88% dos entrevistados, 400 mil empresas registraram aumento médio de 47% na receita. Donos de pequenos negócios que se adaptaram mais rapidamente ao momento de crise têm mais chances de se manter no mercado. Pesquisa realizada pelo Sebrae, entre os dias 3 e 7 de abril, mostra que, para além do amplo impacto negativo para quase 88% dos empresários, alguns segmentos, mesmo afetados pelo avanço do novo Coronavírus, como o comércio varejista e o ramo de alimentos e bebidas, conseguiram equilibrar o fluxo de caixa e até registrar crescimento no faturamento. O levantamento, que ouviu 6.080 empreendedores de todo o país, estima que 400 mil pequenos negócios tiveram aumento médio de 47% na receita.
De acordo com o Presidente do Sebrae, Carlos Melles, pequenos negócios que passaram a inovar e mudaram seu modelo de negócio estão conseguindo se manter. “Observamos que, ainda que em um percentual baixo, se comparado ao resultado macro da pesquisa, os empresários que enxergaram oportunidades e se reinventaram saltaram na frente dos outros. Segundo nossa pesquisa, entre as micro e pequenas empresas que tiveram crescimento na receita durante a crise, cerca de 48% mudaram o modo de funcionamento, apostando mais em entregas online e serviços na internet”, explicou o presidente.
Dentre os 14 segmentos analisados na sondagem - restaurantes, lanchonetes, marmitarias e afins - são exemplos de como a adaptação e a inovação podem render resultados positivos. “No segmento de alimentos e bebidas, por exemplo, 92% dos que aumentaram o faturamento adaptaram o negócio ao modelo de entrega (delivery). Percebemos que os empresários que apresentaram crescimento no faturamento encontraram uma oportunidade de negócio, conseguiram capturar o mercado. Muitos deles já faziam entregas e investiam em marketing digital,” destacou o Melles.
A maior parcela dos entrevistados aposta fortemente nas entregas online (41,9%), mas um percentual igualmente representativo reduziu o horário para minimizar os gastos e ganhar fôlego (41,2%). O teletrabalho ocupa o terceiro lugar no ranking que elenca as principais medidas adotadas pelos pequenos para se manter de pé em meio aos abalos sísmicos causados pela COVID 19(21,6%).
Em Ji-Paraná, o dinâmico empresário Gean Ricardo Cruz é um desses empreendedores que já realizava o serviço de delivery e que rapidamente se adaptou ao novo momento. Sua empresa, a Açaí Mania JP, teve a postura de preparar uma estratégia para um enfrentamento com visão de futuro. Ao tomar conhecimento de que possivelmente haveria um isolamento, Gean aumentou o contingente de entregadores, aumentou o número de pessoas na cozinha com todos os procedimentos para impedir perigos de contaminação e assegurar higiene nos pontos críticos de controle. Ele vende pelas mídias sociais, também por aplicativo próprio, ifood e delivery motion, e agora mantém o funcionamento diário com entregas realizadas com o pessoal devidamente trajado com máscaras e equipamentos de proteção individual (EPI). O empresário conta que preparou nas redes sociais toda a divulgação, com vídeos e fotos, da higiene e segurança alimentar do produto, ao tempo em que organizou cardápios com opções de frutas, dando escolha ao cliente para montar o seu açaí. Colocou à disposição as variações com Zero Glúten e Zero Lactose para atender consumidores que apresentam intolerância a estes compostos.
O faturamento deste cliente do Sebrae aumentou e para garantir essa atuação mantém os custos da empresa com atenção especial à gestão financeira, segue as orientações online oferecidas pelo Sebrae, em especial com apoio da unidade regional de Ji-Paraná.
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