Terça-feira, 6 de julho de 2021 - 17h33

Governador Romeu Zema no Simpi
“Precisamos ajustar as contas pela redução de despesas e não pelo
aumento das receitas”, afirma governador de Minas Gerais, Romeu Zema, em
entrevista exclusiva ao programa “A Hora e a Vez da Pequena Empresa”. Na sua
avaliação, essa revisão é necessária porque nunca houve no Brasil um ajuste de
contas. “É preciso rever regras e eliminar privilégios inadequados. Falta
racionalidade. Muitas vezes o Estado cria regras que o condenarão a aumentar os
gastos pelas próximas décadas. As decisões aqui são sempre imediatistas,
visando somente a próxima eleição e não o futuro. Falta planejamento. O mundo
mudou, mas a nossa estrutura de governo e arcabouço legal não acompanharam.
Somos um país carente de reformas”, define.
O governador ressalta a insegurança dos empresários no Brasil, devido à
mudança constante de normas, burocracia e legislação cada vez mais complexa.
Ele defende uma reforma tributária não para diminuir impostos, mas para
simplificar e dar segurança. “Temos um Estado lento que cobra caro os impostos do
cidadão. Por isso, a reforma administrativa é igualmente importante e
complementar à tributária”, ressalta. Segundo ele, os estados e municípios
também devem fazer sua parte. Zema conta que sua gestão busca simplificar a
aplicação da legislação tributária na medida do possível, mas uma atualização
federal é imprescindível. A falta de um planejamento nacional e regras claras
torna as decisões nas empresas mais lentas, complexas e inseguras, lamenta o
governador. “Em algum momento isso causa abalo no sistema democrático e, por
falta de leis populares aprovadas no Congresso, muitas vezes o judiciário acaba
legislando por meio de decisões. Desenvolvimento é disciplina. O Brasil precisa
melhorar sua governança. Precisa de reformas”, frisa.
Zema disse ainda que o aumento da inflação, a crise hídrica e o alto
custo do dinheiro também retratam essa falta de planejamento do país. Para ele,
o cenário atual indica que os tempos de racionamento de energia e o apagão de
2001 não foram suficientes para o país passasse a investir de forma efetiva em
geração e transmissão de energia. Além disso, o encarecimento da energia
elétrica e a falta de regras estáveis resulta na perda de investidores,
indústrias e bons empregos. “Tudo contribui para um quadro caótico”, conclui.
Assista: https://youtu.be/
Sinais de que a reforma tributária é necessária
De acordo com o auditor e perito contador, Vitor Stankevicius, no Brasil
há sinais claros quanto à urgência de reforma que reduza a carga e simplifique
as normas tributárias. “No país, 38% do PIB nacional equivale a tributos, isso
significa que em um ano, trabalhamos 4,8 meses apenas para pagar impostos”,
ressalta. O auditor destaca algumas evidências da necessidade dessa reforma. A
primeira diz respeito aos tributos federais PIS e Cofins, cuja base de
tributação e vencimento são os mesmos, podendo, portanto, serem unificados.
Além disso, a complexidade do Simples Nacional atualmente não justifica mais o
próprio nome, acumulando normas, tabelas, anexos e até um sublimite estadual. E
no caso das empresas optantes do lucro real ou presumido, a alíquota do imposto
de renda terá 15% de tributação acrescidos de 10% do mesmo tributo para a
parcela que exceder R$ 20 mil.
Transação de débitos em fase de contencioso administrativo
O governo federal publicou recentemente edital que permite a transação
de débitos tributários de pessoas físicas e de micro e pequenas empresas com
dívidas até R$ 66 mil, informa Edmundo Medeiros, professor da Universidade
Mackenzie. Os descontos vão de 20% a 50% do valor total do débito. “Apesar de
contemplar micro e pequenas empresas, a concessão dos descontos não é válida
para débitos pertinentes ao Simples Nacional. Por outro lado, dívidas relacionadas
ao imposto de renda pessoa física dos empresários, por exemplo, ou tributos
como contribuição social sobre lucro líquido e devidas ao INSS, podem ter
desconto e saldo parcelado em até cinco anos”, explica o professor. A adesão
pode ser feita até 30 de novembro de 2021, pelo site e-CAC.
Quais empresas podem obter empréstimo do Pronampe?
As micro e pequenas empresas para ter direito ao empréstimo
do Pronampe, devem estar enquadradas no item faturamento
da Lei 123/06, sendo para as microempresas o valor de até R$360 mil
e para pequenas empresas o até R$4,8 milhões no ano de 2020. As operações têm
duração de 48 meses com pausa para pagamento da primeira parcela de 11 meses e
financiamento em 37 parcelas. Os juros são iguais à taxa Selic mais de 6% ao
ano. A taxa Selic é a taxa básica de juros do Brasil, é utilizada para
controlar a inflação e influencia todas as outras taxas de juros do país. No
momento, a taxa Selic está em 3,5%, o que significa que cada empresa poderá
retirar até R$150 mil em créditos. Para receber o financiamento as empresas
precisam receber um comunicado de da Receita Federal, e os recursos podem ser
utilizados para realizar reformas e adquirirem equipamentos e máquinas
novas, além de poder custear despesas operacionais, como pagamento de
salário e compra de matéria-prima e mercadorias, por exemplo.
Fraudes e falsificações digitais, previna-se
O SEBRAE/RO juntamente com a OAB e com a participação das instituições
empresariais que compõe o Conselho Deliberativo da Instituição. O evento,
que tratará sobre fraudes digitais, contará com a presença do perito forense,
especialista em combate a fraudes e falsificações, Lorenzo Parodi, abordará os
cuidados, principalmente na pandemia. “A existência de fraudes digitais cresceu
assustadoramente nos últimos meses. E o Professor Lorenzo Parodi é uma das
maiores autoridades do assunto no país”, diz Daniel Pereira, superintendente do
Sebrae. O evento vai acontecer no dia 27 de julho, às 19h, pelo canal do
YouTube do Sebrae e é para advogados, empresários e estudantes, visando ajudar
no combate desse tipo de crime. O evento conta com o apoio do Simpi
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