Terça-feira, 6 de fevereiro de 2024 - 16h20

Um estudo realizado pela Confederação Nacional
do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra que, caso o Programa
Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) seja encerrado, até R$ 244
bi por ano deixarão de ser injetados na economia nacional. Em uma nota
estimativa, a Receita Federal apontou perdas tributárias entre R$ 17 e R$ 32
bilhões entre 2021 e 2023 – até 13% do valor que pode deixar de circular não
apenas no turismo, mas em todos os setores. A pesquisa indica, ainda, que, para
cada R$ 10 mil de faturamento a mais, o salário do trabalhador brasileiro pode
aumentar R$ 18,8.
O estudo, elaborado pela Diretoria de Economia
e Inovação (Dein), foi apresentado nesta tarde (6/2), durante reunião do
Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur) da CNC, na sede da
Confederação, em Brasília. Participaram empresários do setor, representantes
das Federações do Comércio de todo o País, bem como parlamentares que apoiam a
causa. No encontro, as lideranças assinaram um manifesto que será entregue
durante ato público nesta quarta-feira, 7 de fevereiro, na Câmara dos
Deputados.
O manifesto, o estudo e diversas outras
informações estão no site www.portaldocomercio.org.br/
Mais turismo, mais
desenvolvimento e menos violência
Conforme os dados, antes da pandemia, o setor
de turismo crescia em uma taxa próxima a 6% ao ano. Após a instituição do
Perse, essa taxa saltou para 30%, o que mudou a trajetória não apenas do
turismo, bem como de importantes indicadores sociais. O estudo revela que, para
cada 1% de aumento no valor adicionado pelo setor de turismo na economia em
geral, há o aumento de 0,9% no Produto Interno Bruto (PIB).
Para o presidente
da CNC, José Roberto Tadros, o turismo é um dos impulsionadores do
desenvolvimento brasileiro. Tadros salienta que, dos dez estados com atividade
turística mais intensa, seis estão no Nordeste (Sergipe, Ceará, Pernambuco, Rio
Grande do Norte, Paraíba e Bahia) e um no Norte (Amapá). No entanto, esses
estados têm menos de 3% de participação cada um no PIB nacional. “O turismo
pode ser um divisor de águas na melhoria das condições de vida de uma região
inteira, e a resposta certa, definitivamente, não é reduzir investimentos”,
afirma o presidente da CNC.
O Perse
O Perse foi instituído pela Lei nº 14.148/2021
e representou um alívio para os empresários do setor em meio à pandemia de
covid-19, que foi responsável pela morte de mais de 700 mil brasileiros,
causando prejuízos até hoje, sentidos pela economia. Em 2020, enquanto o PIB
brasileiro teve uma queda de 3,3%, o faturamento do turismo caiu 38%. Muitas
empresas fecharam as portas, gerando desemprego e prejuízos econômicos e
sociais.
O programa reduziu a zero o Imposto de Renda da
Pessoa Jurídica (IRPF), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), do
PIS e do Cofins para as empresas que se enquadram como beneficiárias, não se
aplicando a empresas do Simples Nacional. As empresas aptas ao programa puderam
renegociar dívidas tributárias e não tributárias, incluindo FGTS, com desconto
de até 70%. O Perse teve início em março de 2022, e sua previsão legal é que
vigore até fevereiro de 2027.
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