Terça-feira, 19 de fevereiro de 2019 - 11h02


EPISÓDIO 7 – 10 DE FEVEREIRO DE 2019
Chegamos ao sétimo dia de trabalho aqui na Venezuela.
Hoje iremos compartilhar informações relacionadas ao rebanho bovino e bubalino, tanto do país quanto da Fazenda onde estou prestando serviço.
Há 20 anos, a Venezuela tinha 10 milhões de bovinos e 100 mil búfalos. Hoje, o mercado local trabalha com o número de nove milhões de bovinos e um milhão de búfalos. Há conflitos com os números oficiais, que apontam rebanho maior para ambos.
A avaliação é de que o número de búfalos cresceu enormemente por duas razões básicas:
a) São animais que se adaptam de forma maravilhosa ao solo pesado e com inundações frequentes da região dos Llanos;
b) A atividade não sofreu as restrições e perseguições como a bovinocultura sofreu aqui na Venezuela.
Mas o motivo principal da ascensão dos bubalinos foi o fato de haver criadores muito profissionais e engajados na causa. Eles trabalham com importação de sêmen, leilões, apuro no controle zootécnico, produção intensiva, e investem em marcas industriais de lácteos e carne, por exemplo.
Algumas características dos bubalinos: têm maior capacidade de aproveitar dietas com baixa proteína (pastos fibrosos), bastam cercas de apenas um fio para seu manejo além de serem mansos (até demais). Haja paciência pra tocar uma manada.
A família, proprietária da empresa rural onde estou, deve ter mais de 13 mil búfalos. Conheci um ganadero aqui que deve ser um dos maiores criadores de búfalos do mundo, com 30 mil cabeças. Enfim, aqui eles estão "bufalando a sério";
Pois bem, a novidade que conto hoje é relativa ao rebanho desta empresa venezuelana: é formado 100% por búfalos: 600 búfalas em lactação e uma quantidade enorme de búfalos de corte (me permitam preservar os números da produção). Todo leite produzido é processado na indústria própria (que também compra e industrializa leite de búfalas de terceiros).
Aproveitem e notem a foto da ordenha. É a prova de que nem toda búfala é preta.
Vejam também a imagem das búfalas no sistema Voisin implantado por meu pai, Humberto Sorio, nessa fazenda, há oito anos e que foi posto em pé novamente essa semana com minha ajuda. Neste lote são 200 vacas em lactação num piquete de dois hectares. Estes animais ocupam cada piquete por meio dia.
Estamos chegando ao fim de nossa viagem à Venezuela. Amanhã finalizaremos este diário. Para fechar este relato, pretendo mostrar alguns fatos relativos à questão agroindustrial além de algumas histórias sobre a realidade venezuelana.
Autor - André Sório (foto) – engenheiro agrônomo e consultor agropecuário – andre.sorio@uol.com.br
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