Segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026 - 08h55

O setor varejista brasileiro iniciou 2026 em um
cenário de cautela e desafios estruturais. Segundo o Índice de Confiança do
Empresário do Comércio (Icec), divulgado pela Confederação Nacional do Comércio
(CNC), a percepção sobre as condições atuais da economia despencou 8,1% na
comparação anual.
O
principal vilão apontado pelo setor é o regime monetário restritivo: as taxas
de juros elevadas continuam a encarecer o crédito, dificultando o consumo de
bens de maior valor e elevando a inadimplência das famílias.
O
Peso do Crédito no Planejamento
Para
o presidente da CNC, José Roberto Tadros, o ciclo de endividamento cria um
efeito dominó que atinge desde o poder de compra do trabalhador até o
planejamento de investimentos das empresas. “Precisamos de um esforço para
reduzir os juros e devolver o poder de compra, permitindo que o país avance em
2026 em meio à nova reforma tributária e ao calendário eleitoral”, avalia
Tadros.
Particularidades
de Rondônia: O “Custo Brasil” na Estrada
No
cenário regional, o otimismo em Rondônia sofreu um revés. Embora o estado e a
região Norte apresentem, historicamente, índices de confiança mais elevados que
a média nacional, o Icec local registrou queda de 1,5%.
Dois
fatores principais explicam essa retração: o endividamento da população
rondoniense que é 8,5% à média nacional; e a Infraestrutura, por conta da nova
cobrança do pedágio da BR-364, encarecendo a logística e elevando o “Custo
Brasil”.
Expectativa
de Retomada
Apesar
dos obstáculos, há sinais de resiliência. Raniery Araújo Coêlho, presidente da
Fecomércio-RO, e Vice-Presidente da CNC, destaca que a intenção de consumo das
famílias cresceu 1,5%, o que traz uma perspectiva positiva para os meses
seguintes.
A
expectativa das lideranças do setor é que, após o período de Carnaval, a
capacidade de inovação dos lojistas e uma possível flexibilização monetária
ajudem a recompor o otimismo para o restante do ano.
“O
empresário do comércio de Rondônia é otimista por natureza. Apesar dos
problemas sempre inova e busca novas formas de superar seus obstáculos. Este
ano, com Copa do Mundo e eleições, deve, muito em breve, voltar a ter níveis
mais elevados de otimismo”, ressaltou o presidente.
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