Sábado, 6 de novembro de 2021 - 10h52

As conquistas e os desafios para modernização das economias
sul-americanas pautaram a Conferência de Comércio Internacional e Serviços do
Mercosul (CI21), evento híbrido sediado pela Confederação Nacional do Comércio
de Bens, Serviços e Turismo (CNC) nesta sexta-feira (05), no Rio de Janeiro.
Promovida pelo Conselho de Câmaras de Comércio do bloco econômico (CCCM),
entidade presidida pela CNC pro
tempore desde julho, a conferência abordou a importância da
celebração de acordo de livre-comércio com a União Europeia e reuniu
autoridades como o Vice-Presidente da República, Hamilton Mourão, e o Ministro
da Economia, Paulo Guedes.
A abertura foi feita pelo presidente da CNC,
José Roberto Tadros, que destacou que o Mercosul precisa se unir cada vez mais
para reduzir a pobreza nos países e melhorar o poder aquisitivo da sociedade.
“Se a Europa conseguiu se unir, a despeito de conflitos históricos, porque nós
não conseguiríamos? Com empenho, fechamos um acordo com a União Europeia, no
qual fomos muito enfáticos ao destacar que estamos todos do mesmo lado.
Seguimos fazendo nosso trabalho de fundo de linha, nós e todos os parceiros do
bloco”, apontou Tadros.
Ainda na solenidade de abertura, o
vice-presidente da República, Hamilton Mourão, ressaltou a importância de se
investir no Mercosul neste momento em que o Brasil se recupera da crise
sanitária. “Precisamos refletir sobre o papel do bloco em um mercado
competitivo e volátil. Nosso País é um grande demandante da maior abertura dos
demais mercados e estamos trabalhando para avançar em outras agendas. É
premente a modernização do Mercosul, com integração das cadeias produtivas.
Esse evento ressalta a importância do bloco em seu 30º aniversário e a
relevância do acordo com a União Europeia”, disse o vice-presidente da
República, que destacou ainda ganhos como a participação de setores de valor
agregado e estímulo à pesquisa e inovação.
Redução de tarifas
Em participação on-line, o ministro da
Economia, Paulo Guedes, reforçou a importância do estímulo a um processo de
integração e abertura. “Iniciamos o Mercosul quando ainda não havia a
Zona do Euro ou o Tratado Norte-Americano. A nossa agenda precedeu o movimento
de globalização, mas, lamentavelmente, não conseguimos fazer uma maior
integração com a economia global. A liberalização comercial, abertura da
economia e melhor ambiente de negócios são partes decisivas do nosso plano
econômico”, afirmou.
O ministro disse que, em um momento como o
atual, com pressão inflacionária forte na economia brasileira, gostaria de dar
um choque de oferta, facilitando a entrada de importações para dar uma
moderação nos reajustes de preços. “É um momento ideal para fazer abertura,
ainda que tímida, da economia”, observou pouco antes de anunciar a decisão de
reduzir as alíquotas de importação de 87% do universo tarifário, ou seja, do
total de itens tributados com o imposto de importação. "Tivemos uma excelente
conversa há três semanas atrás, aqui no Brasil, em que, finalmente, arrematamos
uma mudança, um primeiro passo importante, com a compreensão de argentinos,
paraguaios e uruguaios, para reduzirmos em 10% todas as tarifas de importação”,
afirmou Guedes.
Também por vídeo, o presidente da
Eurochambres, Christoph Leitl, enumerou avanços alcançados nas três décadas do
Mercosul, com benefícios que vão além da economia. Leitl destacou ainda que o
bloco econômico é um dos dez maiores do mundo. “Essa parceria agora vai nos
ajudar, na quarta década de sua existência, a avançar ainda mais”.
Após a realização dos painéis com convidados,
o presidente da CNC anunciou a transição da presidência pro tempore da CCCM
para a Câmara de Comércio e Serviços do Paraguai, salientando que os membros do
Conselho serão sempre bem-vindos à entidade. "Vamos continuar trabalhando
juntos permanentemente", afirmou.
Alianças para modernização
O primeiro painel abordou o futuro e a
realidade da economia sul-americana, mediado pelo jornalista Márcio Gomes, e
ouviu o embaixador Michel Arslanian Neto, diretor do Departamento de Mercosul e
Integração do Ministério das Relações Exteriores, e a representante da Câmara
Brasileira da Economia Digital, Anahi Llop. Os palestrantes concordaram sobre o
fomento garantido pelo bloco econômico às nações participantes, mas apontaram
que é preciso fazer ajustes para que os ganhos continuem avançando. Anahi
pontuou o quanto a economia digital tem representatividade no desenvolvimento
econômico de todo o bloco.
“O tratado com a União Europeia é importante
para fomentar toda a cadeia produtiva do país, permitindo que a economia
transite de forma mais fluida. É um passo para acelerar e sedimentar esse
desenvolvimento dos últimos anos”, destacou. Michel Arslanian Neto abordou a
dicotomia de avaliações sobre as realizações do bloco econômico e acrescentou
que todo processo de integração envolve debates. “O Mercosul começou como
assunto diplomático e fincou raízes em ações sólidas. Desse ponto de vista, é
um sucesso. Mesmo hoje, com representação menor, diante de fatores como a
ascensão da China, o bloco é muito representativo. Por outro lado, vinha
deixando de negociar com outras regiões do Mundo, o que foi retomado
recentemente. Apesar da pandemia, as frentes de negociações continuam ativas”,
informou o embaixador, destacando que o objetivo é concluir esses acordos ainda
em 2022.
Integração e sustentabilidade
O segundo painel reuniu os membros do CCCM
com o representante da Eurochambres, Dominic Boucsein, para tratar sobre expectativas
e contribuições empresariais no acordo de livre-comércio entre os blocos. Além
do presidente da CNC, José Roberto Tadros, participaram presencialmente o
representante da Câmara de Comércio e Serviços do Uruguai, Ambrosio Bertolotti;
o secretário da Câmara Argentina de Comércio e Serviços, Rodrigo Gustavo Perez
Graziano; o presidente da CNC Bolívia, Rolando Kempff Bacigalupo; o diretor da
Câmara de Indústria, Comércio, Serviços e Turismo de Santa Cruz, Jean Pierre
Antelo e o diretor da CNC Rubens Medrano. O debate também contou com mensagens
em vídeo do presidente da Câmara de Comércio do Paraguai, Ernesto Figueredo
Coronel; do presidente da CNC Chile, Ricardo Mewes, e da presidente da Câmara
de Comércio de Santiago, Maria Teresa Vial.
Os palestrantes lembraram a origem da
integração entre os povos por meio do comércio e destacaram a importância do
acordo, que representa a expectativa da elevação de investimentos em
desenvolvimento econômico e social. Abrindo o painel, o representante da
Eurochambres, Dominic Boucsein, falou sobre a necessidade de mais cooperação
internacional e pragmatismo para o progresso das relações. "Esse acordo é
muito mais que um negócio. É um instrumento que combina nossas economias e
sociedades enquanto avançamos para um mundo pós-covid".
Tadros salientou que a ratificação, além de
prever abertura comercial, maior transparência e segurança jurídica dos
mercados de serviços, possibilitará a redução de barreiras não-tarifárias
gerando acesso ao mercado consumidor mais rico do planeta. No entanto, pontuou
que uma questão que merece prudência diz respeito à Amazônia e à necessidade de
respeitar os limites do meio ambiente em nome da sustentabilidade. "No
processo de efetivação do acordo, o agronegócio vem buscando alternativas responsáveis
para convivência harmônica entre as duas partes. Esse é um compromisso
nosso".
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