Porto Velho (RO) quarta-feira, 17 de outubro de 2018
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Artigo: Professor versus programas educacionais


 

Após uma análise superficial da educação sem qualidade e seus influentes, vi que deveria fazer mais uma alusão aos programas educacionais existentes que não tem alcançado a tão sonhada melhoria na qualidade de ensino, pois a figura do professor sempre aparece como culpado neste processo. Será que o discurso de um ensino dinâmico, contextualizado, interdisciplinar (multi ou transdisciplinar) com foco interacionista e/ou construtivista esta esbarrando na sistematização da prática pedagógica, na didática, na postura profissional e na valorização do recurso humano? Se for isso, cabe uma reflexão sobre a necessidade urgente de uma avaliação institucional sobre estes tantos programas educacionais, principalmente nas esferas públicas, de onde provém o pensamento intelectual, que surgem como norteadores de ações para melhorar a qualidade de ensino e formar o cidadão.

Hoje toda responsabilidade na formação do cidadão, em especial do que esta as margens da sociedade, recai sobre a equipe escolar, e consequentemente sobre os educadores. Certa vez um amigo jornalista comentava com outro no programa de televisão, com palavras quase amenas dizia que os professores eram incompetentes para ministrar aulas sobre cidadania, não são formados para isto. Que ofensa! Pois o conhecimento se constrói numa prática e não somente numa teoria. Há mais de dez anos participei da formação de muitos jovens, e eles que o digam onde um professor é incompetente e onde é eficiente, inclusive em situações que compreenderam a vida profissional, sentimental, intelectual e familiar. Responsabilidade e compromisso é uma postura profissional que determina se todo o conhecimento adquirido contribuiu na formação do cidadão ou de um projeto de vida. Na universidade, nas licenciaturas, aprendemos que aquele período de estudo é somente para achar o caminho que leva ao conhecimento, somos orientados e o que vale mesmo é alcançar autonomia intelectual. Sempre digo que as pessoas entram nos cursos de graduação e quando chegam ao último período descobrem que não sabem nada, pois é preciso construir um conhecimento conceitual. Não se frustrem, pois aprendemos a ler na faculdade.

Mas isso nos faz refletir sobre os programas educacionais, porque exigir da escola é muito fácil, mas traçar uma avaliação sobre todos os recursos disponibilizados é a questão: Pra que e pra quem são todas essas políticas públicas que não tem contribuído com a melhoria do ensino? Indicadores de aprendizagem baixos, meninos que não passam em vestibular, em concursos públicos, não conseguem empregos bons e desvirtuam um projeto de vida estável e empreendedor, típico de um cidadão.

Mas isso nós faz refletir o papel da educação escolar, a competência dos educadores, dos governos, o objetivo dos programas, os investimentos do dinheiro público, o papel do sindicato da educação, entre outros vínculos presentes neste universo de poder. Ninguém quer ser professor com este salário, mas muitos entram nas salas de aula (municipal, estadual e federal, principalmente) sem formação e competência e esnobam status intelectual de poder ensinar.  Quer dar aulas sem entender a história da educação, a psicologia da educação, a metodologia do ensino, sem nunca ter entrado nas salas do ensino básico. Divagam sobre a repetição de conhecimentos sem nunca ter enfrentado um laboratório que é o ensino básico, um projeto de ensino, um trabalho de pesquisa. Certo dia em uma aula com um doutor, pesquisador mesmo, não é um graduado imponente, ele disse: Quando algo der errado se a culpa não for da mãe, é do professor. Se os programas não estão dando certo alguém vai dizer: a culpa é do professor. Triste fim de Policarpo Quaresma!!!!

Fonte: Aurimar Lima

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