Porto Velho (RO) terça-feira, 28 de janeiro de 2020
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A hora e a vez do Guaporé


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Há rios que separam e rios que unem. Em Rondônia, o Guaporé pertence ao segundo caso. É o rio que margeia parte do Brasil rondoniense e a Bolívia. E é o rio que recebe desde sexta-feira, 8, a itinerância do Festcineamazônia 2014. Serão 17 dias entre pequenas comunidades ribeirinhas, pontos remotos, comunidades quilombolas e municípios de pequeno porte, tanto do lado brasileiro, como do lado boliviano. Exibições de filmes, show musical e atração circense fazem parte do cardápio da itinerância em 1200 km que serão percorridos pela equipe.

O ponto de partida é o município de Guajará-Mirim, fronteira brasileira com Guayaramerin, na Bolívia. Na noite seguinte, o outro lado do rio, Guayaramerim. As terras bolivianas continuarão sendo o caminho, com a apresentação no dia 10 de agosto, em San Lorenzo.  De lá o barco segue até Surpresa, já em terras brasileiras novamente, com exibições previstas para o dia 11. Dois dias depois, ainda em Rondônia, será a vez do Forte Príncipe da Beira.

A itinerância prossegue rumo a Bolívia. No dia 14 de agosto, o barco da cultura atraca em Buena Vista para retornar às margens brasileiras no dia seguinte, com exibições em Costa Marques, de onde segue para a comunidade quilombola Santo Antonio, no dia 16 de agosto.

No dia 17, será a vez de Versalles, na Bolívia. No dia seguinte, outra comunidade quilombola, Pedras Negras, no Brasil. Dia 19 de agosto Mateguá, pequena comunidade boliviana, assistirá à programação.

As quatro últimas exibições serão em Porto Rolim, no Brasil, dia 20 de agosto, Cafetal, na Bolívia, dia 22, depois Remanso, ainda na Bolívia dia 23 e o encerramento no dia 25 de agosto em Pimenteiras, no Brasil.

Uma novidade da primeira apresentação do Festcine este ano é a exibição do filme que venceu o Festcineamazonia 2013. 'O homem que matou Deus' tem a peculiaridade de ter sido produzido em Rondônia, numa aldeia indígena do município de Guajará Mirim, a aldeia Sagarana, que fica no distrito de Surpresa. O elenco é formado por índios da aldeia.

A produção é do Indígena Celso Oro. A direção é do Francês Noe Vitoux. Na história, Wem Tom, um jovem caçador indígena, percebe que não tem mais caça na floresta, e começa a caçar homens brancos

Em todas as localidades ocorrerá o show musical de Rodolfo Minari, 34. Ele é poeta, músico, compositor e educador. Percorreu diversos estados brasileiros pesquisando hábitos, festas e músicas tradicionais. Reside há cinco anos no Acre, estado que conheceu boa parte viajando de barco, com teatro de rua, no melhor estilo mambembe e sempre colhendo, nas comunidades ribeirinhas visitadas (seringais, aldeias), material sociológico, filosófico e sonoro para seus personagens, textos e canções. 

Assim, ora na roupagem de palhaço, ora na de menestrel, ora na de si mesmo - menino caipira, matuto - desenvolve um trabalho poético musical baseado na pluralidade e na singularidade das identidades locais.

Em 2013 gravou e lançou, no Acre, o CD Assovio, que registra um pouco desse universo criativo. Promovendo o lançamento do álbum, Minari viajou por Peru, Chile e Argentina apresentando em praças, escolas e universidades, um pouco da Amazônia e do Brasil.

A outra atração da itinerância do Festcineamazônia é o espetáculo 'Palhaço Titetê em conserto'. Concebido especialmente para sua participação no Festival Latino Americano de Cinema Ambiental - Festcineamazonia, o espetáculo mescla números de habilidade e de interação com a plateia, que participa de maneira ativa durante toda a apresentação.

Dentre os números apresentados estão " A flauta que você me faz", "Kátia Flávia", "Vida de Bailarina", "Bola-Balão", "Levitação", dentre outros. Com trilha sonora original, com inspiração na música regional, o espetáculo une circo e teatro numa linguagem física, onde a relação com o público se dá além da palavra. Em um jogo inesperado, o esperado acontece.

O Festcineamazônia Itinerante tem o patrocínio do BNDES, Governo Federal através da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, Secretaria do Audiovisual, apoio cultural da Fundação Saramago e Iphan. Parceiros de Mídia Rádio Parecis FM e Canal Brasil. O Festcineamazônia é membro do Green Film Network e Fórum dos Festivais.

Fonte: Ismael Machado e Foto: Hubert Hayad

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