Porto Velho (RO) terça-feira, 18 de fevereiro de 2020
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Gente de Opinião

Silvio Persivo

VAI TER É IMPEACHMENT


 

Silvio Persivo(*)

O, agora, advogado-geral da União, José Eduardo Martins Cardozo, num discurso enraivecido no Palácio do Planalto, depois de um encontro de juristas a favor do governo, sem nenhum argumento convincente, tenta justificar as conversas nada republicanas, entre a presidente Dilma Rousseff e o quase ministro Lula, alegando que “Conversas privadas que nada têm a ver com delitos devem ser privadas”. Ora, se não houvesse fundadas razões para Lula ser interceptado nas suas conversas telefônicas, e dos em seu entorno, até que se poderia alegar que há uma intervenção na privacidade, mas, o que ficou claro no saldo das conversas é que existiu delito sim; é que o ex-metalúrgico, mesmo sob monitoramento, de forma inequívoca com Dilma ou sem ela, arquitetava manobras para obstruir as investigações sobre esquemas de corrupção e o trabalho da Justiça.

José Eduardo Cardozo, porém, como é comum entre os petistas, não consegue ver crime nenhum no que fazem, apesar da quantidade imensa de companheiros presos, dos crimes tipificados no Mensalão e no Petrolão, na já comprovada irrigação das campanhas petistas com recursos oriundos de propinas, nos dois anos de Operação Lava Jato, que, só de recuperação de recursos alcançou os R$ 3 bilhões que, não há como negar, vieram, e dizem que ainda muito pouco, de desvios de dinheiro público. Não há viés político algum na ação da Justiça ou da Polícia Federal. O que se trata na verdade, e isto é profundamente incomodo para o poder de plantão, é que os fatos anulam as narrativas que tentam impingir à população.

Entre outras narrativas inverídicas está a já desgastada e enfadonha cantilena do “não vai ter golpe”. Golpe se faz com a quebra da lei vigente. E quem a tem quebrado não é a Polícia Federal, quando prende quem infringiu a lei, nem os promotores que acusam, nem o juiz que julga. Quem a fere é um governo que, num regime democrático, não pode se manter ao sabor do seu livre arbítrio, mas, antes de mais nada, tem que ter respeito, incondicional, à legislação vigente, sem o qual a ordem, a tranquilidade da nação deixa de existir. É um governo que considera, por exemplo, normal a adoção das malfadadas “pedaladas fiscais”, bem como elevar, por medida provisória, a chefia de gabinete ao patamar de ministério para proteger companheiros ou remanejar e gastar recursos públicos sem a devida autorização. E se justifica por se considerar o melhor governo que já houve, embora os milhões de cidadãos que estão indo para rua protestar não reconhecem esta maravilha de governo que os “companheiros” vociferam felizes, nem veem ganhos incontestáveis para a sociedade no governo petista. O que veem são os juros altos, a inflação caminhando para ser galopante, a falta de renda, de emprego e de governo.

Golpe não se faz com os parlamentares votando pelo afastamento de Dilma, nem com o rito sendo julgado pelo Supremo. É inaceitável que se fale em golpe quando a figura do impeachment consta da lei, assim como o processo que tramita na Câmara dos Deputados segue os preceitos legais e é um reclamo da maioria dos brasileiros que fazem panelaços, buzinaços e caminhadas pedindo aos parlamentares para votarem o processo de impeachment da presidente da República. Golpe se faz com armas. E a única arma que o povo brasileiro possui, no momento, é gritar contra um governo que perdeu toda a legitimidade e cobrar dos seus representantes no Congresso para, democraticamente, retirar do poder um governo que só cuida dos seus próprios interesses, que é o de se preservar indefinidamente no poder. Isto sim que não tem nada de democrático. Isto sim que é golpe. Claro que não vai ter golpe. Vai ter mesmo é impeachment.

(*) É professor de Economia com doutorado em Desenvolvimento Sócio-Econômico Ambiental pelo NAEA/UFPª.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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