Porto Velho (RO) domingo, 3 de julho de 2022
×
Gente de Opinião

Silvio Persivo

Uma divagação sobre as incertezas do presente


Uma divagação sobre as incertezas do presente - Gente de Opinião

Não há, como algumas vezes, por diletantismo ou especulação, não pensar em como se comportariam certos personagens no mundo moderno. Deveria, por exemplo, para Aristóteles ser um prazer constatar que sua tese de que se deveria rejeitar, o que seu mestre Platão aceitava, a comunidade de bens por considerá-la injusta por não compensar o indivíduo segundo o seu trabalho (ainda que, hoje, a noção de trabalho esteja tão distante do que foi). Para o filósofo os indivíduos não são iguais, portanto não deviam ter a mesma participação na posse dos bens, daí, que a comunidade acabava produzindo mais conflitos do que a desigualdade em si. Segundo ele, o indivíduo devia preocupar-se mais com o que lhe pertence (um pensamento que a juventude atual aprovaria ou, pelo menos, se comporta desta forma) e não com a partilha dos bens existentes. A conclusão dele serve, muito bem, para a Alemanha comunista, para Cuba ou para a dissolução da antiga União Soviética, pois, segundo ele, a comunidade, ao desestimular a propriedade, produz a pobreza. Fiquei pensando a este respeito, as ideias do passado, do muito passado, aliás, pelo olhar tristonho que tenho sobre o presente. A incerteza que nos cerca é mais fruto do apego ao passado do que pensar no futuro. O mundo caminha, cada vez mais, para a que chamamos de Nova Economia, onde as pessoas serão retribuídas conforme sejam capazes de empreender, de criar novos processos, novas formas de gerar valor, uberização em larga escala também e disseminação de novas empresas e de inovação. É preciso urgente, para o Brasil assumir seu destino de grande nação, terminar com os subsídios, o apadrinhamento dos grandes oligopólios, a falta de transparência, se ter a mão protetora do estado dizendo quem ganha e quem perde, quem pode ou não fazer algo, diminuindo o peso sobre o setor privado. É preciso que as pessoas compreendam que os tempos mudaram. Que somente se sustentam os direitos que tem substrato econômico e os empregos que geram valor. Há, no nosso país, um monte de empregos dispensáveis, que elevam os custos das mercadorias e será natural que desapareçam. Não é ruim que o estado sustente os que não tem como sobreviver, que dê auxilio emergencial, mas, é preciso entender que isto é fruto de uma questão excepcional: as restrições da pandemia. Porém, isto, aí o grande mérito do governo atual, foi feito com controle dos gastos públicos e, pela primeira vez, desde 2003 se pode ter um superávit das contas públicas.

Enfim, o que quero dizer é que, apesar das velhas ideias que nos dominam, e a imensa torcida do contra, Adam Smith, se pudesse olhar o presente do Brasil, nem teria a visão da mídia e da oposição de que tudo está ruim e, certamente, seria mais otimista do que sou. Deve ser a questão de que, de alguma forma, já acreditei que o governo poderia criar desenvolvimento. Hoje sei que, apenas, pode não atrapalhar. Que 2022 torne as opções mais claras, se isto for possível. 

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

Mais Sobre Silvio Persivo

Um dos grandes nomes da UNIR se aposenta

Um dos grandes nomes da UNIR se aposenta

O professor Theophilo Alves de Souza Filho, vinculado ao Núcleo de Ciências Sociais Aplicadas (NUCSA) e ao Departamento Acadêmico de Administração (

Somente para quem quer ser bem informado

Somente para quem quer ser bem informado

No Brasil há mais ruído que informações. A verdade é que se pega qualquer afirmação para se ser contra ou a favor e, com a inflação alta, os combust

Brasil, em 2021, teve o melhor resultado do PIB dos últimos 11 anos

Brasil, em 2021, teve o melhor resultado do PIB dos últimos 11 anos

Esta semana Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, foi alta de 2021. anual para a economia brasileira 2010, desde o país cresceu 7

Os sinais da desmaterialização da realidade

Os sinais da desmaterialização da realidade

É um problema demasiado humano, talvez provindo do desejo de sermos “realistas”, somente nos ocuparmos daquilo que é imediato, dos problemas polític