Porto Velho (RO) segunda-feira, 23 de setembro de 2019
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Silvio Persivo

Uma boa razão para não acreditar nas pesquisas eleitorais



 

Silvio Persivo

Em geral as pessoas não entendem nada de pesquisa. Com espanto, quando ainda era vivo, vi grandes nomes da política nacional, como Ulysses Guimarães ou mesmo Leonel Brizola, dizerem, por meio de arrodeios, que não acreditavam em pesquisas. No fim, apesar de serem homens de grande entendimento político, se comportavam como as pessoas comuns que não acreditam nas pesquisas ou por não serem entrevistadas ou por considerarem que o número de entrevistados é muito pequeno-o que não tem nada a haver. È fato que os eleitores, em geral, pouco conhecem de pesquisas eleitorais e costumam apenas ligar para os resultados divulgados. No máximo prestam atenção às informações sobre o número de eleitores entrevistados, a margem de erro e o intervalo de confiança utilizado. Para muitos é a margem de erro e o intervalo de confiança que garantem a fidedignidade da pesquisa. De qualquer forma a grande maioria sabe de pesquisa o que sabem da caixa preta de um avião, ou seja, que é uma caixa preta. Nem procuram saber mais. È tão cômodo quanto acender a luz sem saber nada a respeito de energia.

Isto não ajuda a acabar com o imenso preconceito que existe em relação às pesquisas eleitorais e a descrença nos seus resultados. A verdade é que a descrença-como acontece no momento atual- tem toda razão de ser. Não porque uma pesquisa bem feita, dentro da metodologia científica, não seja confiável, mas, a iniludível verdade é que a maioria das pesquisas não é conduzida de modo científico. A imensa maioria delas atende aos interesses de quem paga. Da forma como elas tem sido feitas não são organizadas para conhecer a realidade e usar a informação, mas, sim procuram substituir a própria realidade pela pesquisa, simulando a compreensão do que se desejaria que fosse a realidade. É ridícula, por exemplo, as atuais pesquisas que mostram que depois do escândalo atual da Casa Civil, Dilma só teria caído 1%, ou seja, dentro da margem de erro! Como há um Código de Ética do Estatístico, que estabelece a responsabilidade do Estatístico no uso da metodologia estatística, quem empresta seu nome a este tipo de pesquisa deveria ser punido. È claro que para provar que uma pesquisa assim não tem credibilidade é preciso gastar muito dinheiro, mas, deveria haver um acompanhamento da Justiça Eleitoral da forma como as pesquisas são feitas.

O aspecto legal das pesquisas, atualmente, é traçado pela Resolução nº 23.190/10, de acordo com a Instrução nº 127 do Tribunal Superior Eleitoral, porém, não se acompanha o aspecto metodológico que é “xis da questão”, apesar de ser complexo e envolver conceitos estatísticos, como: população, parâmetro, amostragem, amostra, amostragem probabilística, amostragem por quotas, estimação e outros. Não poderia a Justiça fazer, como faz, exigindo apenas por meio do inciso IV, do art. 1º, da Resolução nº 23.190/10, do Tribunal Superior Eleitoral, que as pesquisas sejam registradas no juízo eleitoral. Assim para cada pesquisa eleitoral se pede apenas o "plano amostral e a ponderação quanto ao sexo, idade, grau de instrução e nível econômico do entrevistado; área física de realização do trabalho, intervalo de confiança e margem de erro, porém, não se verifica a qualidade nem o respeito aos parâmetros traçados. Assim o registro é, de fato, um mero registro.

É preciso ver que o objetivo da pesquisa eleitoral é a determinação de uma estimativa pontual da proporção populacional de eleitores e a determinação de um intervalo de confiança. Mas, todo bom estatístico sabe que a metodologia estatística, a determinação da proporção populacional e do intervalo de confiança pode ser possível apenas se a seleção da amostra for aleatória. Sem a aleotariedade os resultados somente são válidos para os eleitores entrevistados. Ou seja, a pesquisa para ser boa não pode ter, como muitas vezes tem, uma amostra escolhida sem ser ao acaso. Uma coisa é sortear os municípios proporcionalmente; outra é escolher municípios de forma a privilegiar um candidato. Por exemplo, uma pesquisa feita em Machadinho fará do atual presidente da Assembléia, Carlos Neodi, proporcionalmente mais votado que Tiririca, o que não corresponde a realidade, embora ambos devam ser campeões de votos nas suas regiões. È fato que, para a pesquisa ser válida, como obrigatoriamente estabelece inciso IV, é exigido que se tenha margem de erro e intervalo de confiança da estimativa pontual da proporção populacional, daí, se conclui que a amostra usada em uma pesquisa eleitoral deve ser probabilística (aleatória), porque a metodologia estatística não determina margem de erro e intervalo de confiança para amostragem por quotas. Ou seja, na amostragem aleatória as unidades amostrais (no caso os eleitores) são selecionadas por sorteio aleatório e não escolhidas pelos entrevistadores, como na amostragem não - probabilística por quotas. Por que razão? A razão, sabe quem entende de estatística um mínimo, é que nas amostras não-probabilísticas, não é possível calcular margem de erro e intervalo de confiança. Apenas se estima empiricamente seus valores. Amostra por quotas, como tem sido feitas as pesquisas atuais, são não-probabilísticas. Este é o tipo de amostra atualmente usada por todos os grandes institutos de pesquisa para realizar pesquisas eleitorais. Em outras palavras, é uma grande contrafação. Desafio qualquer estatístico, mesmo sendo mais um analista de pesquisas e um curioso, do que, de fato, um perito no assunto, que me prove ser possível cálculo estatístico para obter o tamanho da amostra no caso de amostras não-probabilísticas. Por isto, calcula-se o tamanho para uma amostra probabilística e define-se que este será o tamanho da amostra por quotas. Em outras palavras, as pesquisas atuais são tão científicas quanto às previsões astrológicas dos jornais. Se duvidar, é capaz da astrologia acertar mais....

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Fonte: Sílvio Persivo - silvio.persivo@gmail.com
 
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