Domingo, 1 de setembro de 2013 - 13h33
Silvio Persivo(*)
O governo comemora o fato de que a economia cresceu 1,5% no 2º semestre. Não há como não concordar que o comportamento da economia foi melhor que o esperado e melhor que o anterior, mas, é preciso lembrar que isto já aconteceu inúmeras vezes na história recente e não assegura nada a respeito do comportamento futuro. Há dados que, se forem mantidos no tempo, são muito bons. Um deles é o aumento da taxa de investimento e do consumo privado que cresceu, mas, perdendo participação no PIB. O consumo público também, ao aumentar, nos leva a ter certeza de que a poupança está crescendo como proporção do PIB. Bem como a agropecuária e indústria cresceram sua participação na economia deslocando os serviços. É uma mudança necessária por causa do imenso passivo externo.
O governo alega que este rombo está sendo coberto por investimento direto, produtivo. Mas, capital externo tem de ser remunerado, seja por juros, lucros e dividendos e, num prazo maior, isto é insustentável e se transforma, como sabe quem entende o mínimo de finanças, numa bola de neve. Neste sentido é bom que a taxa do câmbio tenha se depreciado. O exame, portanto, dos dados nos induz a pensar que o resultado foi mesmo muito bom e alguns setores econômicos, se mantiverem o comportamento, farão uma grande diferença, todavia, deve-se olhar com a frieza do curto prazo e de que foi uma oscilação. Nada nos dá certeza, pelo menos por enquanto, que se trata de uma tendência.
Para manter, porém, o foco é preciso afirmar que a produção atual depende do investimento passado. E, como se sabe, a taxa de investimento em relação ao PIB, de 18,6%, com muito esforço 19%, têm sido muito baixa. Mesmo o crescimento apontado no trimestre, embora acima do passado, ainda está muito longe dos desejados 23 a 25% que nos permitiriam ter um crescimento sustentável em torno de 5%. Por isto não é crível argumentar com um crescimento trimestral anualizado de 6%. A causa está no baixo investimento do passado.
Também não existem, pelo menos de forma visível, fatores que indiquem que os bons resultados do trimestre se devam a algum tipo de política pública. O governo parece continuar a querer insistir no esgotado modelo de incentivo ao consumo, mas, o crédito, seu motor, bateu no teto e os índices da taxa de emprego já acendem o sinal amarelo mostrando que os caminhos devem ser outros.
Não dá para acreditar que, com as eleições na porta, o governo mude de rumo. Deverá insistir na formula de tentar incentivar o consumo. Como o governo já sinalizou, com a relutância em diminuir ministérios, que não fará uma política fiscal mais dura nem, em compensação, melhorará os gastos e investimentos públicos de forma significativa, não há como não considerar que continuaremos a verificar oscilações na atividade econômica e o termômetro delas são as expectativas: os empresários demonstram muito pouco otimismo em relação ao futuro. E sem o otimismo deles é impossível pensar que as taxas de crescimento alcem voos mais altos. O previsível são as oscilações.
(*) É doutor em Desenvolvimento Sócio-Ambiental pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos-NAEA/UFPª e professor de Economia Internacional da UNIR.
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