Quinta-feira, 17 de dezembro de 2015 - 12h40
Impossível, no momento, não lembrar de Igor Alexander Caruso, psicanalista e fundador da escola vienense de Psicologia Profunda, que, inclusive esteve no Brasil várias vezes, e cunhou a seguinte, e perfeita, frase: "O natural do homem é ser antinatural". E, como esclarece o sentido da palavra, antinatural é ser contrário às leis da natureza ou o que se opõe ou contraria a natureza ou as suas leis; contranatural. Se levarmos ao pé da letra, talvez com um certo e correto grau de extrapolação podemos dizer também que o absurdo se torna normal para o homem desde que o aceitemos, desde que nos familiarizemos com ele. A realidade disto foi comprovada, por exemplo, nos tempos de exceção do nazismo e do comunismo nos quais as pessoas se comportaram como monstros como se fosse tudo natural.
Em grau menor, porém, não menos perverso um fenômeno similar ocorre no Brasil atual quando olhamos para os nossos poderes e para a nossa vida cotidiana que parece uma peça de Beckett na sua essência, de vez que nós, os pobres e desamparados personagens da história, esperamos ansiosos por uma solução, por uma ajuda para escapar do pântano, em que nos encontramos, numa terra onde nada acontece de inovador, onde tudo se repete sem cessar, e de forma crescente e mais absurda, somente aumentando nossa angústia, decepção, nos fazendo rir, do que é impossível de rir, para tentar iludir a tristeza e frustração. Vivemos um tempo onde o normal é que se tornou o verdadeiro absurdo.
Os últimos tempos, sem precisar comentar, dizem tudo: a prisão dos maiores empreiteiros do país, a prisão de um líder do governo no senado, a aceitação do pedido de impeachment de Dilma, a pantomima do Congresso, as ações policiais contra Cunha, Renan, Lobão, ministros & uma penca de parlamentares, as multidões nas ruas, minguando diante do descrédito com as instituições. No cenário o maior grau de normalidade provém ainda do Judiciário. Até quando? Se os problemas só aumentam. Agora o Procurador Geral da República, Janot, pede o afastamento de Cunha. Perfeito. Mas, Cunha pode dizer, com razão, “Por que só eu? ” Afinal qual a diferença entre o que se alega que é o comportamento de Cunha do que faz o próprio Planalto? Ou o senador Renan Calheiros? O deputado Chico Alencar, se considerando uma vítima deste teatro do absurdo, se esgoelou, gritando que “Está tudo errado”. E está certo. Não se precisa pecar nem morrer. Basta ser brasileiro para se ter direito ao inferno. O inferno é aqui.
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