Porto Velho (RO) terça-feira, 18 de fevereiro de 2020
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Gente de Opinião

Silvio Persivo

O DISCURSO INSENSATO DOS NEOSOFISTAS



Silvio Persivo(*)

As participações, a chamada “defesa” da presidente Dilma Roussef, na Comissão especial de impeachment do Senado, nesta sexta-feira, somente podem ser classificadas de um teatro mal enjambrado. Se não houvesse já uma melancólica nomeação de um ministro de Turismo que parece mais uma piada sem graça, o que o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, fez, sob o ponto de vista técnico, não deixa de ser um strip-tease intelectual contra toda argumentação lógica, pois, nega que o governo tenha praticado fraude fiscal ao editar decretos para liberação de recursos suplementares ao orçamento em 2015 afirmando que os fez! Também chega a ponto de dizer, sem o menor pudor, aos senadores, que Dilma está isenta de responsabilidade na liberação de subsídios do Plano Safra, programa que, segundo a denúncia por crime de responsabilidade contra a petista, foi alvo das chamadas pedaladas fiscais. É ou uma confissão de completo desconhecimento, o que não é aceitável num ministro de uma pasta como a Fazenda ou, como afirmaram senadores, uma completa distorção dos fatos. Comprovadamente, é documental, inclusive atestado pelo Tribunal de Contas da União-TCU, que tanto foi feita a liberação de crédito suplementar sem aval do Congresso, por meio de decretos não numerados, como existiram os atrasos no pagamento de subsídios do Plano Safra, os dois argumentos usados pela Câmara dos Deputados para dar seguimento ao processo de impedimento. Afora muitos outros que já justificariam o afastamento, mas, os interesses espúrios limitaram o pedido a estes. Um escândalo, como o Petrolão, em qualquer país democrático, enterraria qualquer governo ou participante dele, como é o caso de Dilma.

Somente a dificuldade técnica do entendimento permite que se tente, como se tenta, dizer que não houve o que é flagrante. E mais: se joga com dois argumentos completamente furados. O primeiro de que foi feito no passado e não se responsabilizou os outros. Ora, este é um argumento maravilhoso. Digno de um advogado de porta de cadeia: houve roubo sim, mas, outros também roubaram e estão soltos! Me poupem! Mas, o segundo não é menos indigno. Alega-se que os créditos feitos à revelia da lei tinham finalidade social! É um exercício permanente de sofisma, como a história de dizer que é golpe o que a Constituição permite ou que é golpe por não ter fundamento (o que, pela lei, é atribuição do Senado dizer se existe ou não), o que mostra, de forma clara, o comportamento continuado da falsidade, de promessas e dados, da administração Dilma. A falta de bom senso e noção de realidade é tão grande que o senador Jorge Viana, em programa de Miriam Leitão, tem o desplante de dizer que Dilma vai deixar o Brasil melhor do que FHC deixou, agredindo os índices econômicos, e o advogado geral da União, na comissão do Senado, defendendo o indefensável, não cora de vergonha em dizer que Temer não tem legitimidade por “não ter votos” e que, por isto, não pode assumir a presidência quando, é cristalino, para qualquer iniciante de Direito, que vice é eleito e, constitucionalmente, sua única função é substituir o titular nos impedimentos. Constituição, leis, documentos, lógica, verdade, nem cerca de 80% da população pedindo a saída da presidente, nada disto importa. O que importa é se manter no poder e, sem pudor nenhum, fazem tudo para não largar o osso. O problema é que o País não aguenta mais os neosofistas. A economia é mais forte do que qualquer discurso falso quando começa a doer no bolso.
 

(*) É professor da UNIR-Fundação Universidade Federal de Rondônia de Economia Internacional e Professor Doutor em Desenvolvimento Sustentável pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos-NAEA da Universidade Federal do Pará-UFPª.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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