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Silvio Persivo

Não se faz mais jornalismo como antigamente


Não se faz mais jornalismo como antigamente - Gente de Opinião

Hoje é 1º de junho, o Dia da Imprensa. Como alguém que sempre andou perto ou nas redações de jornais este é um dia de saudosismo. A principal razão é que grandes amigos que conheci em redações de jornais já se despediram deste mundo. Alguns lá do Ceará, outros do Rio de Janeiro e os mais recentes de Rondônia, como foi o caso do Sued Pinheiro e do nosso grande diretor do Alto Madeira, Euro Tourinho. Saudades também porque, na prática, as redações acabaram com a transformação digital que reduziu o jornalismo tradicional a pó começando por matar os repórteres. E também porque não se encontrou, até agora, um modelo de negócio capaz de sustentar os custos da imprensa. Um formula que, ao meu ver, não parece nada fácil quando 84,3% da população utiliza a internet e, os jovens principalmente, estão mais propensos as notícias rápidas, às imagens do que à leitura.

 

O certo é que a internet mudou completamente a forma das pessoas se informarem e o Brasil, pelo menos na América Latina, é país que mais consome conteúdos jornalísticos digitais e, por isto mesmo, já não existe a menor diferenciação entre o que seja a imprensa, o conteúdo jornalístico das redes sociais. Aliás, boa parte dos jornalistas, alguns para sobreviver, outros apenas por ideologia, ajudam muito nisto ao fazer um conteúdo que, em nada se distingue da baixa qualidade que apresentam os sites ou mesmo das opiniões, muitas polarizadas, sem a menor análise. Enfim, o triste é que o público, em geral, entende como jornalismo aquilo que difunde a opinião de alguém, que se julga qualificado. É, sem sombra, de dúvidas o resultado da nossa falta de educação, inclusive midiática.

Como fruto de tudo isto o que se observa é baixo nível da informação, do conhecimento e das discussões. Profissionais, e não só os jornalistas, que deveriam zelar pela qualidade das informações, que fornecem ao público, dizem sandices como se fosse “ciência”. É triste ver economistas, por exemplo, defendendo teses esdruxulas com o ar de quem está descobrindo a pólvora ou se especializarem em encaminhar notícias ou posts que difundem informações sem fundamento, sem a menor cerimônia e sem usar, ao menos, os indicadores básicos para a verificação. Até as agências de verificação, aliás, estão cheias de meros certificadores de interesses. Assim, a grande maioria, acaba se informando por meio de suas bolhas, grupos que repetem as mesmas informações. É esta imersão nas bolhas, a replicação dos mesmos conteúdos, a rapidez com que se divulga que tornam a imprensa e a própria rede uma mesmice, desinteressante que fazem com que, apesar do aumento exponencial dos meios e das informações, as pessoas sejam, cada vez mais ignorantes e desinformadas. No Dia da Imprensa é preciso lamentar sua falta.

 

Faz muita falta ao Brasil o bom jornalismo, daí a perda de sua credibilidade. Não é um fenômeno nosso, uma jabuticaba, mas, quem conheceu uma imprensa de qualidade sabe que a ausência dela representa também uma perda para o país e um sinal de que não existe uma boa análise dos nossos principais problemas. 

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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