Porto Velho (RO) segunda-feira, 22 de abril de 2019
×
Gente de Opinião

Silvio Persivo

A SUB-EDUCAÇÃO


Se há um consenso no país, um discurso unificado de todos os partidos e políticos é o de que a educação se impõe como essencial para a construção do futuro. Nas campanhas não há discurso mais utilizado do que o da necessidade de educação. Nos governos, no exercício do poder a prioridade some, como somem os recursos e a importância do tema. O sr. Lulla da Silva, por exemplo, sempre criticou a falta de verbas para a educação e as políticas públicas de seus antecessores, porém, no governo, o incremento de verbas fluiu para a publicidade e para criar novas instituições deficitárias invés de melhorar o que sempre criticou. Virou exemplo propaganda enganosa.

O ensino universal no Brasil, ou seja, concebido para atingir todas as pessoas continua sendo uma utopia. Os discursos vigentes de ensino público, gratuito, de qualidade e progressista, eliminando preconceitos e assegurando a cidadania, se transformaram, na prática, no Prouni, um programa para encher as bolsas dos empresários privados, no estabelecimento de cotas, um instrumento equivocado que estimula o racismo e o ensino ruim e o esvaziamento acelerado da universidade pública pelo seu sucateamento.

Não se precisa de milhões em diagnósticos para se constatar que o ensino está reduzido a um treinamento ruim, uma instrumentalização das pessoas que as coloca despreparadas para a competitividade implacável e sem preparo empreendedor. Acabam saindo das faculdades sem saber o que fazer com o que aprenderam (quando aprenderam) o que não é de espantar. As nossas escolas não acompanham sequer as mudanças tecnológicas básicas como as do uso de imagens e computadores. Há professores que não podem sequer comprar um livro quanto mais um notebook. Sem salários, sem formação, sem saída buscam a sobrevivência da forma que podem e até se repetindo, sem sucesso, em greves inúteis.

O fantástico é que se exige que sejam inovadores, criativos, exemplos de interseção entre a teoria e a prática munidos dos espetaculares instrumentos de cuspe e giz ou pincel, quando tem. O certo é que o projeto educacional brasileiro reproduz a lógica perversa da economia que pede alta produtividade do trabalhador mal pago, embora no ensino haja um “plus” pior, os instrumentos de produção são dos tempos da caverna. Nem sequer o básico, uma biblioteca de qualidade, as universidades públicas possuem, quanto mais falar em coisas menos básicas como disponibilidade de micros, softs, data-show. Porém, se duvidar, como fez com a saúde, é capaz de se divulgar que temos um ensino próximo da perfeição. E, com todo este descalabro, o troglodita-mor quer mais quatro anos para piorar tudo mais ainda. Deus salve a América!

Fonte: Sílvio Persivo

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

Mais Sobre Silvio Persivo

VIVA A POESIA

VIVA A POESIA

O sono é meu antidoto contra muitos males

Lenha na Fogueira - Viaja Mais Servidor  elogiado pelo trade de RO - Cia Beradera de Teatro  apresenta Espetáculo IFÉ

Lenha na Fogueira - Viaja Mais Servidor elogiado pelo trade de RO - Cia Beradera de Teatro apresenta Espetáculo IFÉ

Lenha na FogueiraA turma do folclore não está pra brincadeira! Ontem publiquei os endereços dos ensaios de algumas juninas e também sugeri a direção d

IDÉIAS USADAS POR LOJAS E OS NEGÓCIOS DE SUCESSO

IDÉIAS USADAS POR LOJAS E OS NEGÓCIOS DE SUCESSO

O varejo, em qualquer lugar do mundo, está se tornando muito mais competitivo

ASSEMBLEIA DE SÃO PAULO HOMENAGEIA EX-MINISTRO ALMINO AFFONSO

ASSEMBLEIA DE SÃO PAULO HOMENAGEIA EX-MINISTRO ALMINO AFFONSO

O EX-MINISTRO DO TRABALHO E GRANDE PERSONALIDADE AMAZÔNICA É HOMENAGEADO COM O COLAR DE HONRA AO MÉRITO O decano dos jornalistas de Rondônia, Euro T