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Silvio Persivo

A educação mudou e a escola não


A educação mudou e a escola não - Gente de Opinião

No YOUPIX no Fire Festival 2023, um evento para destruir barreiras e criar novidades na economia criativa promovido pela Hotmart, numa palestra sobre a geração Z, a que nasceu conectada e que hoje já tem influência e poder de compra, um jovem de 23 anos, o Luiz Menezes, da Trope.se, que, por incrível que pareça já possui 7 anos de experiência no mercado, entre outras coisas muito interessante, chamou a atenção para o fato de que há, entre este pessoal que nasceu nos anos 90 em diante, uma evasão de 50% dos bancos escolares. Segundo ele porque esta geração pensa que o diploma, a certificação não é mais uma forma de ter acesso ao mercado, de ter dinheiro. E reclamam, com razão que, infelizmente, quando chegam nos bancos escolares são obrigados a ouvir por mais de uma hora, o professor, no velho estilo “eu falo e vocês escutam” ( ao custo de oportunidade de conversar com os amigos e ter lazer) e cobram nas avaliações coisas que eles encontram num vídeo de 1 minuto!!! Incluso está a questão que, num mundo em que o celular, o computador são caminhos de acesso aos conteúdos, não tem o menor sentido fazer testes sem que as pessoas possam acessar conhecimentos que estão disponíveis e não se precisa memorizar. Porém, o que fica evidente é o desencanto dos jovens com a educação atual, o que se vê, na prática, dos docentes que veem, cada vez mais, as classes minguarem. É comum, hoje, dar aulas para classes de 9, ou até menos, pessoas nas universidades públicas e há muita evasão durante os cursos. Como os campus das universidades são longe, muitos deles, quando calculam quanto vão gastar de transporte, e de merenda, para ir assistir as aulas terminam por concluir que é mais barato- e melhor- fazer o curso por ensino à distância!!! A realidade também é que o mundo mudou, as profissões mudaram, mas as escolas, as faculdades não. Continuam a oferecer os mesmos cursos, que ofereceram ao longo de décadas, da mesma forma. Com exceção de algumas faculdades privadas, que usam a tecnologia intensamente, o que se observa no panorama brasileiro é que as salas de aula ignoram completamente o mundo digital. Até mesmo não existe nem a infraestrutura nem o preparo dos professores para ele. Assim, não é de estranhar que cursos, como os oferecidos pela Google ou instituições voltadas para o digital, estejam, cada vez mais, atraindo a atenção dos jovens. A necessidade de mudança no ensino brasileiro é patente, mas se nem para manter suas estruturas, muitas vezes, há dinheiro, imagine se teremos, até onde a vista alcança, uma mudança nos padrões de ensino? O que vemos é, justamente, o contrário. Cada vez mais se procura fazer do professor não uma pessoa dedicada ao ensino, mas alguém que tem que ensinar, pesquisar e ainda fazer extensão sem que se dê a ele nem uma retaguarda para tratar da burocracia. O resultado não se precisa dizer: está aí. A escola perdendo importância, o professor desmotivado e inútil diante de uma conjuntura que não tem como mudar. O discurso da educação é forte, mas o ensino, com velhas estruturas, não muda nada. 

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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