Porto Velho (RO) terça-feira, 13 de novembro de 2018
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Sandra Castiel

A DEMOCRACIA E O VOTO - Por Sandra Castiel


Nosso país é um país jovem e o que constitui uma nação é o seu povo; o que sabemos nós, povo brasileiro, acerca de democracia? Passamos duas décadas sem escolher nossos representantes e governantes; portanto uma geração inteira que voltou a votar ou que votou pela primeira vez.

Estávamos ávidos por líderes!  O que buscávamos nos “líderes” de então e continuamos buscando até hoje?  Um discurso contundente e patriótico? Um rosto agradável? Alguém saído das camadas mais modestas da população, porém despreparado para o cargo? Um justiceiro que pudesse acabar com a desigualdade econômica terrível que impera neste país, mesmo que isso significasse sua perpetuação e dos seus pares no poder (modelo que a História comprova que jamais dá certo em lugar algum)?

O mundo podre dos bastidores da política que nos foi revelado em passado recente causa perplexidade à maioria dos brasileiros. Porém, se aprofundarmos nossa reflexão sobre o tema, vamos perceber que essa gente corrupta é a nossa gente, nós os colocamos ali! Vence a eleição quem paga mais, seja com tijolos, com telhas, com terra, com cimento, com dinheiro vivo, com promessas de cargos comissionados, enfim, vence a eleição quem mais compra votos, de acordo com a expectativa do freguês, no caso, o eleitor.  Evidentemente, sabemos que há exceções; raras, porém existentes.

O povo brasileiro se deixa levar até pela simpatia e sobretudo pelo carisma do candidato: cantores, comunicadores, artistas em geral e até um sorriso bonito vencem facilmente uma eleição. Isto é gravíssimo! Não que tais pessoas sejam indignas do que postulam; porém, é preciso mais: é preciso consciência das relevantes atribuições que o cargo requer; grau de instrução que possibilite ao candidato certa capacidade de analisar os complexos e terríveis problemas de nossa sociedade e o leve a apontar caminhos para minimizar a dura vida de nosso povo; isso é imprescindível a todos! Porém, apenas formação acadêmica não significa honestidade, integridade e bons propósitos, afinal, em Brasília, nosso parlamento está lotado de ladrões de casaca e diplomas nas paredes dos gabinetes. Mas há que se ter esclarecimento, informação, aprofundamento na causa e principalmente compromisso e caráter, coisas raras neste meio.

Algumas vezes visitei as casas legislativas em Porto Velho: Meu Deus, o que é aquilo? Pude observar que, enquanto alguém usa a tribuna (na maioria das vezes completamente de modo informal, como se estivesse em um clubinho de amigos, fazendo referências jocosas e brincalhonas a um e a outro colega), a maioria dos demais conversa banalidades entre si, olha o celular, cumprimenta-se com apertos de mão e tapinhas nas costas, entra e sai do ambiente a toda hora; até piadinha ouvi um contando ao outro. Enfim, pessoas que não têm noção da importância de seu papel, da relevância da Casa que ocupa e de suas ações no dia-a-dia da população que ali o colocou.

Precisamos escolher melhor! Precisamos escolher pessoas sérias e verdadeiramente comprometidas com nossas causas: queremos escolas melhores, queremos hospitais melhores, queremos ruas melhores, queremos a arrecadação de nossos impostos verdadeiramente aplicadas em inciativas que transformem a qualidade de vida dos mais necessitados e de todos nós, afinal, pagamos os impostos, pagamos os salários dessa gente e de seus protegidos que, com cargos comissionados, lotam os gabinetes legislativos e executivos, fora os outros privilégios (e são muitos). Tudo isso pago com dinheiro arrancado de nossos parcos bolsos.

Recentemente, tive oportunidade de conhecer um livro que se chama O VOTO, de autoria do ilustre professor e acadêmico José Dettoni. O livro tem abaixo do título um subtítulo: NÃO COMPRE, NÃO VENDA. Como cidadã, achei interessantíssimo e oportuno este trabalho; aliás, deveria ser distribuído a todos os habitantes deste país. O texto é constituído de versos, quadrinhas que passo a transcrever (algumas) e que nos ajudam a refletir sobre a importância das escolhas que fazemos na hora de votar: não podemos mais reeleger ladrões!

Vendeu seu voto
 Por uma chuteira.
 Ajudou a criar
Toda roubalheira.

Vende seu voto
Por belo sorriso.
 Isso é prova
De pouco juízo.

Vender o seu voto
Por qualquer razão,
É ajudar no aumento
Da vil corrupção.

Ordinário é aquele
Que seu voto comprou.
Comprou sua confiança,
Sua confiança roubou.

Vendeu seu voto,
Seu voto vendeu.
Depois vai chorar
Pelo que aconteceu.

Ladrão do erário,
Dinheiro do povo,
Na outra eleição,
Promete tudo de novo.

Pra evitar essa história,
Deixe não de votar,
Mas fiscalize o dinheiro
Que ele vai gastar.

Dinheiro de impostos,
Do meu e do teu.
Será que vai fazer
O que prometeu?

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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