Sábado, 24 de janeiro de 2026 - 08h09

A luz apagou. Ouvi imediatamente a voz da minha mãe:
-- Ninguém se mexe! Vou buscar uma vela. Ouvimos
o barulho de alguma coisa caindo quando minha mãe tropeçou na mesinha de centro
e derrubou o vaso.
--Zezinho menino, me ajuda! Será possível! Vá lá
no meu quarto e vê se acha uma vela, seu imprestável medroso!
Eu imediatamente senti um
arrepio que me fez tremer da cabeça aos pés. Só depois de muitos anos eu viria
saber que eu era nictofóbico. Levantei-me apalpando as coisas que
estavam a minha frente, tropecei nos pedaços do vaso quebrado no chão e saí em
posição de sonambulista. Até chegar e entrar no quarto pareceu-me uma
eternidade. Suava frio. Minha cabeça rodava. Vinham a minha lembrança pessoas
mortas, vultos fantasmagóricos que poderiam aparecer para mim dentro daquele
quarto. Quando cheguei a porta do quarto escuro, tentei pegar na maçaneta para
abrir a porta mas outra mão gelada tocou a minha mão. Fiz força para não gritar
e consegui abrir a porta. Suava frio e meu coração estava acelerado. As
palpadelas fui atrás da vela que deveria estar na gaveta do criado mudo, ao
lado da cama. Alguma coisa se enroscou no meu pé e quase desmaiei. Era a corda
de um brinquedo de meus irmãos que ficara jogada no chão. Ao adentrar naquele
quarto escuro, deparei- me com um preto velho, sentado em uma cadeira. Só que
ele estava sem a cabeça! Voltei-me para a porta querendo sair numa desabalada
carreira. Mas no rumo da porta havia a cabeça daquele velho, sem o corpo e
sorrindo para mim. Quis morrer, meu coração parecia que ia sair pela boca. Ia
gritar quando o quarto todo se iluminou com a luz que interrompia aquele
blecaute. Olhei-me no espelho e meu rosto estava molhado de suor. Entrei rápido
no banheiro, com o estômago em rebuliço. Vomitei e tive diarreia. Quando voltei
pra sala, ouvi do meu pai:
--Parabéns, Zezinho! Você está ficando homem de
verdade, meu filho. Já consegue até entrar sozinho em quarto escuro!... Quando
olhei para o meu pai, o que vi foi o mesmo rosto daquele velho sem cabeça do
quarto escuro, com a boca escancarada, sorrindo outra vez para mim. Foi então
que ninguém entendeu porque eu saí da sala em desabalada carreira e só
foram me pegar quando eu já estava do outro lado da rua. A mão fria que me
agarrou era a mesma que tocara a minha mão na porta do quarto escuro. Virei-me
apavorado, mas o rosto que me olhava sem nada entender era o da minha mãe.
Sábado, 24 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)
E agora o que qu’eu faço doutô?
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