Sábado, 28 de fevereiro de 2026 - 10h05

Agnóstico, cético,
ateu e outros termos sempre me foram atribuídos quando se
discute o imponderável e outros assuntos metafísicos, de mediunidade
ou de para-normalidade. Acontece que entre o céu e a
terra, muitas coisas existem que não tem explicação! Com essa assertiva
bíblica, sempre me pautei com muito cuidado quando esbarro com esse assunto! As
vezes me pego, eu mesmo fazendo o papel de advogado do diabo, e então
acabo recebendo todos esses adjetivos, quase sempre
injustos, precipitados, no meio de polêmicas acaloradas! Até os
Objetos Voadores Não Identificados (OVNIs) já serviram para questionamentos que
ficam sempre sem respostas! Procurando dar maior embasamento
para essas questões, preferi ir ver pessoalmente como esses rituais todos
se processam nos diversos centros de mediunidade. Visitei vários
“terreiros” de umbanda, participei de festas em datas comemorativas,
deixei que ciganas sujas e coloridas lessem as minhas mãos, paguei para que
jogassem búzios e cartas, ouvi cartomantes e videntes, sempre com o olhar
crítico, mas na realidade procurando encontrar respostas
para minhas próprias indagações. O que vi deixou-me algumas vezes mais
intrigado, outras vezes mais confuso e na maioria das vezes fortemente
revoltado! Rituais de vodu com imolação de animais, oferendas de sangue quente
a entidades perversas! Verdadeiros banhos de sangue eu presenciei! Copos que se
movem sobre as superfície da mesa, escrevendo mensagens do além! Vozes
conhecidas que respondem perguntas de familiares inconsoláveis! Mensagens de
paz e consolo que vem do além!
Nos dias de festa de Iemanjá segui todos os
passos, vestido de branco, joguei flores ao mar! Acompanhei de barco a
procissão da deusa das águas!...
Vi bocas de sapos costuradas com o nome de
pessoas desafetas, para que definhassem enquanto o bicho fosse secando!...
Andei com pessoas que colocavam “despachos”
nas encruzilhadas toda segunda-feira, com garrafa de “marafo” e
galinha preta!
Mas, entre tantas formas e ritos populares,
alguns grosseiramente feitos para contemplar o mal, outros nem
tanto, praticados mais por pessoas rudes e
ignorantes, sempre tive a curiosidade de saber como é que certas
pessoas incorporam “caboclos”, passam a noite fumando charutos,
baforando a cabeça dos outros e bebendo duas ou mais garrafas de cachaça, sem
cair ou sequer ficarem bêbadas!
Quando certa vez fui a um” terreiro”, chamado Terreiro do Samburucu, em Porto
Velho, Rondônia, procurei despir-me de qualquer olhar cético, mas
algo me chamou a atenção: a “cabocla” pomba-gira baixou em uma
mulher de mais ou menos 30 anos, a qual começou a falar
grosso, gemer, pediu charutos e cachaça. Tudo lhe foi entregue e ela começou a
dançar freneticamente sob o ritmo alucinante dos tambores!... Acontece que,
entre um gole e outro e umas baforadas do
charuto, rodava com os cabelos soltos jogados pra frente do rosto, e de vez em
quando, disfarçadamente, olhava para o seu relógio de pulso, conferindo a hora.
Quando terminou sua incorporação, segui de longe a moça que acabara
de desincorporar a “cabocla”, a qual foi as pressas para a parada de ônibus,
entrando no primeiro circular que passou! Intrigado com o que eu acabara
de presenciar, fui até o “pai-de-santo”e, contando-lhe que testemunhara por varias vezes
a “pomba-gira” conferir a hora em seu relógio e depois sair quase correndo para
pegar o ônibus circular. Perguntei-lhe então:
-- Como é que uma
“cabocla” que está incorporada, dançando, bebendo cachaça e fumando, fica todo
tempo conferindo a hora para não perder o ônibus ?
-- É que
"entidade" também tem pressa, meu filho! – respondeu o pai-de-santo,
soltando uma baforada forte de fumaça que envolveu o meu rosto!...
Sábado, 28 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)
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