Porto Velho (RO) quarta-feira, 19 de junho de 2019
×
Gente de Opinião

Paulo Saldanha

TRIBUTO A FRANCISCO NOGUEIRA FILHO


 
O Chiquinho Nogueira chegou a Guajará-Mirim, no final dos anos 50, como quem chega do céu! Veio ajudar o Balthazar a desenvolver a sua atividade principal: fazer e vender pães ao lado da comercialização de outros produtos. 

Sempre jovial, humilde e generoso, foi a grande alavanca para que o Balthazar vencesse como empresário instalado aqui na cidade. As atividades do Balthazar evoluíram, deram-lhe prestígio e o consagraram como o “homem que fazia o pão recife”. 

Balthazar ganhou dinheiro e foi embora. O Chiquinho ficou. Como recompensa por sua dedicação recebeu o prêmio que o credenciou a ter o seu próprio negócio. Nasceu a Padaria Avenida e, com ela, aportaram, em primeiro lugar, o José Maria, depois, o Toninho Nogueira, seus diletos irmãos. 

A Padaria Avenida despontava como uma das empresas que mais expansão experimentava, crescendo a olhos vistos e ia detendo elevada credibilidade, tanto que uma boa centena de funcionários do território não só faziam ali as suas compras, como, numa nímia prova de confiança, transformava os Nogueira nos seus procuradores perante o Governo. 

Note-se que o estilo Nogueira de negociação era firmado em cima da mais correta das atitudes para como os seus representados. Ali, naquela casa de comércio, se praticavam, no sentido mais amplo, a lisura, a correção, a ética e o respeito aos seus clientes. Essa aura de dignidade era o vetor para o sucesso daquele empreendedor e de seus irmãos. 

O Chiquinho, dono de uma simpatia e de uma humildade que só o enalteciam, transformava-se também num partícipe ativo da sociedade guajaramirense. Junto a outros fundou e foi o mantenedor do América Futebol Clube, onde também jogava, salvo engano, como lateral esquerdo. Ele, se não foi um exímio jogador de futebol, continuava sendo um excelente homem de negócio. Suas atividades empresariais continuavam em franca ascensão. 

Juntou-se a outros apaixonados pelo esporte bretão e, anos depois, fundou a Sociedade Esportiva Pérola do Mamoré de saudosa memória. 

Seus irmãos Paulo e Raimundinho Nogueira, em função do apoio recolhido pelos demais irmãos aqui já radicados, já haviam chegado e implantavam a Comercial Fortaleza. 

Tempos depois o Posto Nogueira também respondia presente e absorvia parte da oferta de mão-de-obra, aqui na cidade. 

TRIBUTO A FRANCISCO NOGUEIRA FILHO  - Gente de Opinião

Durante a instalação de uma das sub-comissões pró-constituinte no interior do estado de Rondônia em 1987, vemos na primeira fia, da esquerda para direita: Heitor Costa (de bigode), Francisco Nogueira, Luiz Gonzaga (de barba), Toninho Geral (mão no peito),  Osmar Vilhena e João Batista. Fonte: Arquivo/SECEL.


E o Chiquinho, como carinhosamente era chamado, ganhava espaço na alma e no coração do Guajaramirense. Transformaram-no em exemplar político. Foi Deputado Estadual, na primeira legislatura, já no alvorecer da “Nova Estrela no Azul da União”, com excelente votação e representou condignamente o povo desta terra, cuja confiança eleitoral o credenciou para se tornar no grande Prefeito que o município elegeu, quando confirmou para os seus concidadãos que é possível exercer um mandato com seriedade, idealismo, civismo e transparência. Durante o exercício de seus mandatos jamais se ouviu falar que o Chiquinho Nogueira da máquina governamental tenha dela se aproveitado. 

Não se corrompeu! 

Como Executivo voluntarioso fez escolas, conservou estradas, asfaltou ruas. Cuidou das praças, da saúde do povo e da parte urbanística. As finanças do município, sob a batuta do José Firmo Filho, que agora retornou à administração da SEMFAZ, foram bem conduzidas e exemplarmente gerenciadas. 

É por isso que vale o registro do quanto o Município é de ser reconhecido a tão ilustre personagem da história da cidade, por tantos serviços prestados a esta terra, cujos habitantes por sua dedicação e por sua devoção aos seus mais legítimos interesses, o vêem como a “melhor mão amiga”.

Fonte: Paulo Cordeiro Saldanha

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

Mais Sobre Paulo Saldanha

Crônicas Guajaramirenses: Alguém na minha lista do whatsapp

Crônicas Guajaramirenses: Alguém na minha lista do whatsapp

Embora comovido, não deletei alguns nomes queridos na lista do meu celular, lamentando a perda do meu dileto companheiro em face da viagem para o an

CRÔNICAS GUAJARAMIRENSES:  Se não podemos rememorar o 31 de março, que tal celebrarmos o fracasso do comunismo?

CRÔNICAS GUAJARAMIRENSES: Se não podemos rememorar o 31 de março, que tal celebrarmos o fracasso do comunismo?

O governo fora proibido de rememorar a data da contra revolução que libertou o Brasil do nefasto jugo do comunismo odiento e fracassado! Decisão esq

CRÔNICAS GUAJARAMIRENSES:  Um Religioso Trapalhão

CRÔNICAS GUAJARAMIRENSES: Um Religioso Trapalhão

Corria a década de 50 o catolicismo já estruturado pelas benfazejas mãos e lucidez de Dom Rey

CRÔNICAS GUAJARAMIRENSES - Hoje, 11 de fevereiro, me lembrei: eu tive três mães

CRÔNICAS GUAJARAMIRENSES - Hoje, 11 de fevereiro, me lembrei: eu tive três mães

Sou filho da Mita Saldanha, tão extremada nas preocupações e nos carinhos. E é tão eterna, que representa hoje, 57 anos depois, tantas e imensas sau