Segunda-feira, 20 de outubro de 2014 - 16h38
Se o mundo inteiro Me pudesse ouvir Tenho muito prá contar Dizer que aprendi... E na vida a gente Tem que entender Que um nasce prá sofrer Enquanto o outro ri. (TIM MAIA)
Eu também tenho o meu enigma. Mas perdi a minha esfinge. Nasci ontem de manhã. Engatinhei, depois caminhei ereto, até que perambulei pela tarde, quando descobri a vida, as dificuldades, as vitórias e as derrotas. Já de noite caminho devagar, mas não uso bengala, contudo o meu coração, que batia de forma acelerada, foi-se acalmando, acalmando... até que não se aquietou.
Sem o vigor de antes, acomodei-me numa nuvem de onde viajo mentalmente para um mundão de mundos, observando o tempo, a natureza, os seres e ninando as lembranças do ontem de manhã.
Mas, não me incomodo em recordar a tarde passada, os meus instantes de alegria e de tristezas, todavia me vi triunfador, viajando por outras terras, aonde fui recebido com sorrisos, abraços calorosos e salamaleques.
Nessa trajetória “o mundo rodou de repente, girou num instante nas voltas do meu coração”, qual roda gigante, oferecendo-me a dádiva de viajar ora num barco, num trem, litorina, ora num avião. Do barco embarquei e desembarquei nos portos da vida, nos demais meios de transporte, nas estações do planeta e nos aeroportos do universo.
“Se chorei ou se sorri, importante é que emoções eu vivi”. (agora que Roberto Carlos me desculpe)
Porém, se a minha manhã foi feliz até que a tarde chegasse numa mistura de sentimentos, numa mixagem de alegria e tristezas, de derrotas e vitórias, a exemplo do que acontece com quase todos os mortais, compreendi que a noite desde há muito me afastou do cotidiano das decisões, mediante a substituição natural de uma geração por outra, nos comandos e na tomada de posicionamentos que, direta ou indiretamente, no meu “Pequeno Cachoeiro”, um dia transitaram por mim.
Nas tardes, passei a perceber certas mensagens e pude observar que vicejavam ao derredor os enganos e desenganos, as conquistas e vitórias, dualidade a ser manejada com equilíbrio, após o que atingi a maturidade que me transformou em critico não mordaz, pois jamais deixei de crer no meu semelhante, nem sempre, falso e traiçoeiro.
E no meu itinerário a roda do mundo foi roda-gigante, Rodamoinho, e pião, girou... girou! Nada obstante, posso gritar: muito aprendi!
Entrementes, além de observador virei caminhante em direção a um rumo que nem pude definir. Transformei-me em náufrago ou num cigano errante?
Terei punição pelas minhas escolhas equivocadas ou colherei prêmios pelos acertos (e foram muitos) durante a caminhada? Minhas perdas e ganhos vieram com a experiência acumulada, tenha o nome que tiver, mas o correto tem nome, sem sobrenome, que, repito, se chama maturidade.
Aprendi que, ao invés de reclamar do desconforto da pousada, deverei enaltecer o cenário do entorno, afinal Deus, o Criador, nos presenteou com a natureza para a contemplação dos nossos olhos e percepção dos demais sentidos! Aprendi que, ao invés de injuriar um momento, ou uma falha, deveremos procurar sentir o cheiro da terra, ouvir o vento, pegar a chuva com a mão, admirar os entardeceres e ouvir os sons do lugar...
Como me foi permitido pude descobrir caminhantes afins com a minha forma de pensar, agir e viver; assim, pude valorizar os homens e mulheres do meu tempo, segundo o seu olhar, permutando sonhos, devaneios e ideais.
Muitos deles foram também caminhantes que eu transformei em irmãos, em líderes, outros em ídolos, porque, por serem generosos, não retiveram seus conhecimentos e repassaram, mercê de suas inteligências, talento e sensibilidade –via o aprendizado que pude recolher– a chance de transferência de parte de suas sabedorias, agradando-me reconhecer: foram anjos corporificados aqui na terra, por isso aquinhoados com poderes tais, portadores de equilíbrio e harmonia, plenos de luz e energia positiva, capazes, conseguintemente de oferecer aprimoramento, proteção contra males e improvisações, a mim e a tantos.
E agora, quando a noite virou a minha esperança, quando caminho meio curvado, ainda sem valer-me das bengalas, vejo entristecido que logo, logo mais, não haverá mais madrugadas e nem novo renascer. Vou caminhando em direção ao meu nada, aguardando que, no crepúsculo, eu me reencontre comigo mesmo, como quem aguarda a sua derradeira hora, já que a alvorada, contra a minha vontade, poderá surpreender-me, sem querer querendo, devidamente adormecido...
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