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Gente de Opinião

Paulo Saldanha

MULHER


 
           
Há um provérbio chinês que nos alerta: “Cem homens podem formar um acampamento, mas é preciso uma mulher para se fazer um lar”.
 
 
Victor Hugo, o francês imortalizado, inclusive por sua Sabedoria dos Séculos, decifra o valor físico-espiritual da Mulher e, ainda que, de forma ligeiramente machista –justificável para época– nos legou: “O homem é a mais elevada das criaturas. A mulher é o mais sublime dos ideais. Deus fez para o homem um trono; Para a mulher um altar. O trono exalta; o altar santifica. O homem é o cérebro; a mulher o coração, o amor. A luz fecunda; o amor ressuscita. O homem é o gênio; a mulher o anjo. O gênio é imensurável; o anjo indefinível. A aspiração do homem é a suprema glória; A aspiração da mulher, a virtude extrema. A glória traduz grandeza; a virtude traduz divindade. O homem tem a supremacia; a mulher a preferência. A supremacia representa força, a preferência representa o direito. O homem é forte pela razão; a mulher invencível pelas lágrimas. A razão convence; a lágrima comove. O homem é capaz de todos os heroísmos; A mulher de todos os martírios. O heroísmo enobrece; os martírios sublimam. O homem é o código; a mulher o evangelho. O código corrige; o evangelho aperfeiçoa. O homem é o templo; a mulher, um sacrário. Ante o templo, nos descobrimos; Ante o sacrário ajoelhamo-nos. O homem pensa; a mulher sonha. Pensar é ter cérebro; Sonhar é ter na fronte uma auréola. O homem é um oceano; a mulher um lago. O oceano tem a pérola que embeleza; O lago tem a poesia que deslumbra. O homem é a águia que voa; a mulher o rouxinol que canta. Voar é dominar o espaço; cantar é conquistar a alma. O homem tem um fanal; a consciência; A mulher tem uma estrela : a esperança. O fanal guia, a esperança salva. Enfim ...O homem está colocado onde termina a terra; a mulher onde começa o céu”...
 
Por tudo o quanto representa como emblema superior, não se justifica a violência de certos homens contra a mulher, notadamente contra quem simboliza o anjo, colocado num altar. Note-se que, desde a fecundação o ser gerado, masculino ou feminino, é preparado no ventre da mãe. Recordar é preciso: os indivíduos são concebidos, guardados por 9 meses e são criados por ela, ou seja, permanecem mais tempo sob a influência maternal.
 
Ora, é verdade: para se conceber um lar, no sentido filosófico da doutrina familiar, esse fato, transcendendo o cotidiano, passa pela figura feminina, tão imprescindível, na justificação da vida e na afirmação do dia-a-dia, seja tecendo a existência, seja socializando a criança, educando-a, preparando-a para a superação dos desafios. Eu sei que há homens que são pais presentes e atuantes. Todavia, ninguém supera a figura da mãe durante todo o processo que envolve a relação com os filhos.
 
Mas, cabe um questionamento: se a criança convive muito mais tempo ao lado da mãe, por que os adolescentes ou os homens adultos, tantas e tantas vezes, se tornam tão embrutecidos e violentos contra a representante, em tese, do sexo frágil?
 
Ah! A mulher que se desdobra fibra por fibra para defender a vida que guarda dentro de si; depois, doa o peito descoberto oferecendo o leite nutritivo, que a nina ao colo e canta uma canção para fazê-la adormecer e se enternece quando a olha querendo proteger.
 
Que se preocupa e se sacrifica para vê-la recuperar a saúde, mantendo-se acordada madrugada adentro, nas altas horas; que se violenta para que o alimento que sustém o corpo, o agasalho que aquece e o remédio que salva, jamais lhe faltem; acalenta apertando-a contra o peito com tanto desvelo e vela durante o sono reparador; corrige com firmeza por eventuais faltas cometidas; ensina e promove o seu crescimento.
 
Vai para o tanque e para a taboa de passar ferro; trabalha nos serviços, ainda que humildes e insalubres, para sustentar a casa sem a figura paterna, pela morte precoce ou pelo abandono dele.
 
E que, ao longo da sua eterna e discreta vigilância, não “prega” os olhos, enquanto não confirma o retorno do filho que partiu para a balada; mantém a escola e a universidade, até que a colação de grau culmine na conquista do sonho da universidade idealizada, sonhado a dois, mesmo que os cabelos brancos já lhe brindem a cabeça e as rugas já lhe marquem a face.
 
Ah! Mulher mãe, esposa e líder da família!  Ah! mulher amada e amante! Expressão maior do amor e da entrega mais sublime, da devoção, da força e da energia positiva, da divindade de onde brota o começo, da ternura e da esperança, da superação e do martírio, da inteligência que caminha juntinho com a sabedoria, manifestações maiores, enfim, das virtudes mais extremadas.
 
A ti, mulher, eu me curvo e me ajoelho, beijo-te às mãos e me emociono porque, eu sei, tu sempre estás onde começam os céus...

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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