Porto Velho (RO) quinta-feira, 23 de maio de 2019
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Paulo Saldanha

CRÔNICAS GUAJARAMIRENSES: Um Religioso Trapalhão


CRÔNICAS GUAJARAMIRENSES:  Um Religioso Trapalhão - Gente de Opinião

Corria a década de 50 o catolicismo já estruturado pelas benfazejas mãos e lucidez de Dom Rey, lutava para impor-se, mas alguns evangélicos, notadamente os batistas já se faziam presentes bastante atuantes, no município.

                   Mas, um dia apareceu Benício Anacronte do Vale, bem apessoado, loquaz, bon vivant, desejando introduzir na cidade um novo conceito religioso, uma tal de Igreja Brasileira Missionária da Bem-Aventurança.

                   Alugou um prédio, e morava nos fundos; o salão incrementou com um crucifixo (simbologia católica principalmente), mesa branca, púlpito, coberta com ornamentada toalha, velas e alguns bancos. Microfone não havia.

                   A tal Igreja exercitava uma miscelânea de cultura religiosa. Ora, era o espiritismo, ora o candomblé, ora orações católicas elevavam loas ao Cristo, no instante seguinte canções evangélicas eram entoadas. Os freqüentadores iam chegando e um nó era dado nas suas cabeças, haja vista a multifacetada doutrina que ele fazia cultivar.

                   Como disse, Benício era bem apessoado e loquaz e um público feminino, para desespero de Dom Rey, migrava da Igrejinha Nossa Senhora do Perpétuo Socorro para o famigerado templo da Brasileira Missionária da bem-Aventurança.

                   Famigerada, Paulo? Você não é isento e já está julgando como falsa a tal ideologia de Benício? “Devagar com o Andor que o santo é de barro”, companheiro.

                             –Mas, não tem jeito, minha consciência, é que conheço o final da história e sei que Benício era um vigarista, não um vigário!...

                   Vale o destaque para o fato que se trata de um informe que recolhi, pode ser fake, pode ser real. Eu já  havia nascido, porém era muito pequeno! É história que ouvi contar...

                   Bem, o certo é que o falso Pastor, como me referi antes, era loquaz e, descaradamente paquerava as fiéis, solteiras, casadas e amancebadas, essas últimas banidas preventivamente na Igreja católica, pelo Bispo, as vezes tão radical.

                   Quando recebia em confissão (até esse considerado Sacramento pelos Católicos ele copiava), lá no fundo do prédio, em horários não coincidentes com as suas celebrações, ninguém fazia idéia se havia algum tipo de pecado por conta dos assédios agendados.

                   Passou a freqüentar a Igreja profana, Aglaydes Nepomuceno das Andradas Cupertino (nome fictício), filha de comerciante ateu e que se tinha decepcionado com a filha, virado mulher fora do casamento e tornara-se mal falada, em face da pureza perdida com um viajante evadido mediante o terror de ser morto pelo genitor da ex-moçoila. O falso pastor devorava a mulher com olhos dilaceradores, avermelhados de luxúria e desejo de posse, notadamente depois que pôde conhecer os dotes financeiros e patrimoniais do patriarca Cupertino. Ocorre que, passado um bom tempo, um casamento fora comprado como ação reparadora para Aglaydes. O namorado, cooptado para fiel da Igreja “renovadora” ia ensaiando o noivado, mas se martirizava com a incessante troca de olhares entre a namorada e o tal pastor.

         Noivado anunciado no instante em que a data do casório seria encaminha pelo Pastor (falso) Benício.

         O noivo, pau mandado do pai de Aglaydes, se contraía de raiva ao surpreender a noiva trocando olhares faiscantes com o pseudo religioso. Mesmo assim, com dinheiro no bolso aceitara a encenação.

         Em pleno ato casadouro, ao ser proferida a quase sentença do “Ou fale agora ou se cale para sempre”, o noivo, olhou para a noiva, tremeu, virou-se para a multidão logo atrás, levantou-se e vazou na braquiária, deixando todos atônitos.

         Benício não se fez se rogado e achegando-se mais perguntou a noiva se ela aceitaria casar-se com ele, o próprio, em seguida , após a fuga do noivo. Ela concedeu a mão e o pai também. O Pastor celebrante passou a celebrar o próprio casamento, auto-proclamando-se noivo, ora transformava-se em celebrante e oficiava o “sacramento”, ora respondia as suas próprias perguntas ou orava desejando amor eterno ao casal.

         Em 2019 um sul americano autoproclamar-se-ia Presidente na Venezuela...

         Terminada a cerimônia, as testemunhas assinaram o livro e arroz em profusão foi lançado por sobre o sorridente casal.

         Igreja fechada temporariamente em função das núpcias do falso pastor, jamais foi reaberta porque ao sair em lua de mel aquele um nunca mais retornou ao pedaço, Só a noiva desiludida e largada mediante a descoberta da bigamia, crime cometido pelo Benício que, evadido foi enganar outros lesos noutra localidade...

         Aliás, nem bígamo conseguiu ser posto que a sua igreja não existia e a tal cerimônia seria tão falsa quanto uma nota de CR$-17,00 (dezessete cruzeiros)...

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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