Porto Velho (RO) quarta-feira, 24 de abril de 2019
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Paulo Saldanha

CRÔNICAS GUAJARAMIRENSES: Agradecida a tanta gente de bem, Guajará-Mirim terá 107 anos


CRÔNICAS GUAJARAMIRENSES: Agradecida a tanta gente de bem, Guajará-Mirim terá 107 anos  - Gente de Opinião

          Nós aprendemos a celebrar o aniversário de instalação do Município de Guajará-Mirim e não a data do nascimento da cidade.

         Em outras palavras –valendo-me das tradições católicas – festejamos ou o batizado ou a crisma, não a data do nascimento, sabendo-se que este teria ocorrido bem antes de 30 de abril de 1929, posto que o local, que fora alcunhado de Quadro, passou a ser conhecido com o nome de Esperidião Marques, bem antes de 1929.

         Na verdade, Guajará, com a perspectiva de se tornar uma vila, um distrito ou uma cidade passou a se ordenar urbanisticamente a partir de 1912 com a inauguração provisória da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em 30 de abril daquele ano.

         Grande parceira da EFMM seguiu-se a implantação da Guaporé Rubber Company, sob a liderança do ex-militar Paulo Cordeiro da Cruz Saldanha, depois coronel da Guarda Nacional, que se doou ao lugar com denodo e sensibilidade social tanto que, entre outros feitos, implantou a primeira escola e construiu a primeira igreja católica ali em frente a Praça Mário Correa, presenteando a cidade, ainda em 1926 com esse espaço religioso, depois ampliada por Dom Rey, após a sua chegada em 1932, quando erigiu a torre.

         Quando o Capitão Teófilo da Costa Pinheiro, integrante da Comissão Rondon aqui aportou, em 1917, já encontrou implantada a Guaporé Rubber Company e, negociando seus produtos e mercadorias, diversos comerciantes de origem estrangeira.

         É possível que a primeira pensão a ser implantada ali no entorno da estação ferroviária, por volta de 1913/1914, terá sido do senhor Antônio Peres, pai da senhora Maria Menezes, do Jesus e do Daniel Peres, da Tuca e Aurora.

         Não esqueçamos de valorizar a presença dos nordestinos na formação sócio cultural desta terra, ao lado dos pioneiríssimos matogrossenses, oriundos de Vila Bela, primeira capital daquele Estado, cujas famílias enriquecem a história guajaramirense até hoje, exemplo: Quintão, Durgo, Paes de Azevedo, Leite, Ribeiro, Assumpção, Frazão, Pontes, Alves, Mendes, Canuto, Gomes, Lisboa, etc, etc.

         Mais tarde a senhora Cirila Paes, descendo de Pedras Negras veio morar nesta então vila próspera e, com a abertura da Avenida Costa Marques pôde implantar a sua pensão, quase ao lado da linha férrea, aonde também servia refeições.

         Uma das primeiras lojas teria sido do Nicolau Badra. E outros libaneses foram chegando, inclusive, João Abud, Felipe Simão Salim, Tanous Azzi,  Massud e Kalil Badra, Fares Nessrala, Roque Cury, Alberto e Alzira Chamma, seu irmão Ernesto, os Abouchabiki Abdon, Tanous, Toufic e Youssef, Teófilo Nicolau, Rezzalla Bouez, Zaidan, Sebastião Daher, Omar Morhy, e, a partir dos anos 50, os Elage e Carrate.

Os gregos que já tinham trabalhado na construção da ferrovia Madeira-Mamoré, já a partir de 1912 foram escolhendo este lugar como alternativa econômica e foram instalando seus negócios: Pedro Struthos, João Suriadakis, Hatzinakis, Calculakis, Daskalakis, Demétrio Melas, Barcânias, Manoel Manussakis, Caralambos Vassilakis, por exemplo, ao deixar a atividade junto a EFMM implantou-se no Abunã e, mais tarde, localizou-se nesta fronteira, aonde construiu, para os limites da época, o seu império.

Diversas uniões passaram a existir entre famílias bolivianas e brasileiras nascendo daí a nossa babel frutificando uma cultura em que se valorizou a existência cristã nesta fronteira abençoada!

O Amaecing Indiano já passara a responder presente neste lugar, como comerciante. E os Ibanez, ilustres libaneses, que se fixaram em Costa Marques, além das famílias Keller Vollarth, Villar, Ismael Silva, Ursolino, Fontenele, Rivoredo, Arouca, Rocha Leal, Arantes, Ewerton, Santiago, Casara, Câmara, Cavalcante, Chagas, Monteiro, Fernandes, Madeira, França, Carvalho, Ramos, Palácio, Ribeiro dos Santos, Maia, Jordão, Bezerra, Pontes, Paixão, os três Severino Cavalcante (inclusive o meu sogro Severino Rodrigues Cavalcante de Albuquerque), Macedo, Lucindo, Torres, Fonseca, Pires, Ferreira, Almeida, Barroso, Costa, Ruiz, Miranda, Ortiz, Guimarães, Lima, Abiorana, Da Hora, Lobato, Zeed, Mejia, Eguez, Lins Dutra, Evangelista, Lopes, Araújo, Lobo, Arruda, Gusmão, e tantas outras que nos legaram tanto...

Como representantes dessas famílias estão ai, soberanamente, as senhoras Lalá Ferreira Eleutério e Mafalda Ewerton Flores.

         E a partir da ferrovia um intercâmbio comercial com o país irmão, a Bolívia, foi prosperando, trazendo riquezas multilaterais, internando e exportando produtos exigidos além mar pela guerra que só teria fim em 1918, até que a segunda eclodisse em 1939.

         Avenidas iam sendo abertas, primeiro no muque dos trabalhadores, carrinho de mão, enxadas, pás e picaretas. Depois, com o advento dos tratores, patrolas e outros equipamentos que a modernidade ia produzindo, a cidade foi expandindo-se.

         Nesse interregno a borracha, a castanha, a poaia, o couro de animais e as trocas comerciais se multiplicavam e transformavam os perfis econômicos e sociais da cidade, tão menina. E uma incipiente agricultura de subsistência e uma promissora pecuária gritavam que desejariam evoluir para outro nível, se deixassem.

         E a ferrovia, tão audaciosa, ia concebendo vida para Guayaramerin, Cachoeira Esperança e Riberalta, nas terras bolivianas... e concorria para a fixação de famílias em Porto Velho, Guajará-Mirim, Jacy-Paraná, Mutum Paraná, Abunã, Taquara, Araras, Periquitos, Chocolatal, Vila Murtinho, Ribeirão, Lages e Iata.

         O segundo Tenente Raimundo Zeno Ferreira foi o primeiro comandante militar, restando ao capitão Manoel Alípio da Silva a saudosa lembrança que esse respeitável policial civil legou como marca na sua trajetória regional, na mesma dimensão que o Bispo Prelado Dom Francisco Xavier Rey fez-se presente na historiografia local.

         Mas, retornando a idéia inicial desta crônica, vale o destaque de que, se a cidade teve o seu início com a chegada dos trilhos da ferrovia Madeira-Mamoré, é certo que este ano celebraremos os seus 107 anos de vida.

         E por conta da sua emancipação comemoraremos os seus 90 anos!

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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