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Montezuma Cruz

Sem polícia, boate protege mulheres


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MONTEZUMA CRUZ
Editor de Amazônias

 

No início de outubro de 1983 o juiz de Direito de Jaru, Marco Antônio de Faria tirou por algumas horas a tranqüilidade dos garimpeiros de Serra Sem Calças, ao conceder uma liminar contra eles, em benefício de proprietários rurais cujas terras têm ocorrência de ouro.
 

Um dia depois a autoridade reconsiderava a questão, atendendo à justificativa de um oficial da Polícia Militar que acompanhou o representante da Justiça encarregado de executar a sentença.
 

A autoridade percebeu que a medida causaria um problema social e oficiou ao governo no sentido de solucionar, sem prejuízos para ambos os lados, o problema dos garimpeiros que ocupam lotes de agricultores. Para esses, no momento, os garimpeiros vêm recolhendo dízimo do Imposto Único Sobre Minerais (IUM).Sem polícia, boate protege mulheres - Gente de Opinião
 

Não há policiamento na área do garimpo, cabendo aos donos da Boate Fuscão Preto – a única do lugar – zelar pela segurança das mulheres que ali chegam às dezenas. Durante o dia elas recepcionam as mais novas, vindas de Porto Velho e do Estado do Acre; jogam baralho nas mesas de bar e, à noite, disputam os mais afortunados fazendo programas a preços que variam de 30 mil cruzeiros a 100 mil.
 

“Isto aqui, à noite, parece festa junina: você ouve tiros pra todo lado. Mas é a alegria do garimpeiro: no meio de uma mata dessas, disparar revólver é apenas um desabafo”, revela o bem sucedido empresário Nei Campos Goes. Ex-secretário municipal em Ji-Paraná, inspetor geral da Eucatur, ele entrou cedo em Serra Sem Calças para “conseguir um lucrinho nesse ano de crise.”
 

No alto da serra o bolicho mais sortido é o seu Bafo de Onça, onde são vendidos desde o sabão em pó a querosene, refrigerantes, cachaça e gêneros alimentícios.
 

Lenda e realidade misturam-se nesse canto de Rondônia. O garimpeiro conhecido por Ceguinho não esperou muito para subir de status. Ao bamburrar pela segunda vez vendeu logo o ouro e comprou um automóvel Escort do ano, desfilando pelas ruas de Jaru em companhia de várias mulheres.
 

Outro garimpeiro quis imitá-lo: entrou numa boate às 21h, mandou fechar as portas, gastou todo o dinheiro e de manhã bateu o carro no poste.
 

Assim eram os “sortudos” de Serra Sem Calças – e da Amazônia. Aventureiros da cabeça aos pés.


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