Sexta-feira, 16 de janeiro de 2026 - 14h18

Ana Mendes, filha da jornalista Cristina Ávila e do falecido
professor Valter Mendes (do Colégio Carmela Dutra), expõe “Quem é pra
ser já nasce”, com ingresso gratuito, na Associação Fotoativa em Belém (PA).
São 24 fotografias e colagens em preto e branco, resultado de um trabalho
desenvolvido ao longo de quase um ano com dez mulheres indígenas, quilombolas,
quebradeiras de coco babaçu e assentadas do Maranhão.
A exposição é a continuidade dos saberes e das lutas
transmitidas entre gerações, com lições aprendidas por mães, avós e outros ancestrais.
Ela integra uma pesquisa fomentada pelo Prêmio Funarte Marc Ferrez de
Fotografia, da Fundação Nacional de Artes (Funarte), e constitui um recorte da
pesquisa de doutorado que a artista desenvolve no Programa de Pós-Graduação em
Artes da Universidade Federal do Pará.
Na condição de ex-correspondente do Jornal do Brasil
(Rio de Janeiro) percorri no sul daquele estado, em 1987, áreas de conflito
agrário em Grajaú, Arame e Imperatriz. Por conhecer e conviver com Ana por um
período, me surpreende o seu crescimento profissional.
Em termos de ameaças e conflitos violentos, lamentavelmente o
Maranhão piorou, e ela esteve lá para retratar a resistência de famílias
pobres, do cerrado à margem dos trilhos da Ferrovia de Carajás, e dali a zonas
de pobreza rural.
Em Foz do Iguaçu (PR), na fronteira brasileira com Argentina
e Paraguai, eu não imaginava que um dia aquela menina que morou até os três
anos de idade numa palafita na margem do Rio Madeira em Porto Velho, alcançasse
méritos tão importantes na carreira que abraçou.
Vem agora Ana Mendes mostrar à Amazônia e a quem mais quiser
conhecer, o drama diário de lideranças – homens e mulheres –, cujos territórios
enfrentam ou já enfrentaram ameaças de morte em razão de suas lutas coletivas
pela terra, pela natureza e pela permanência de seus povos.
Assistir o filme “Quem é pra ser já nasce”, dirigido por ela
dá exatamente a visão dos conflitos e da força do capital financeiro sobre
aquela gente. Já o ensaio fotográfico também nascido da experiência pessoal de
Ana Mendes rendeu-lhe ameaças. A fotojornalista pisava o chão dos pobres
dominado a ferro e a fogo por barões da soja, da pecuária e de plantas
alimentícias.
Mestre em Ciências Sociais, Ana atua há mais de oito anos na
Amazônia Brasileira, onde desenvolve projetos que articulam fotografia, vídeo e
pesquisa acadêmica com foco em comunidades tradicionais.
Seus trabalhos foram publicados em veículos nacionais e
internacionais e integram o acervo da Biblioteca Nacional da França (BnF).
Entre eles, a capa jornal Washington Post. Em 2024, participou da edição francesa do
livro Appartenance (Pertencimento). Integra os coletivos Fotografia, Periferia
e Memória e Pyhän (Akroá Gamella-MA).
O que vem depois do medo?

Na condição de documentarista e cientista social no Maranhão, não se vergando ao risco real, Ana Mendes decidiu deslocar o foco da violência para uma pergunta central: “O que vem depois do medo?”.
Suas imagens dão a resposta depois de se encontrar com diversas mulheres trabalhadoras do campo. “Este é um trabalho sobre amor e esperança. Não é sobre violência e morte”, afirma a artista.
Entre as imagens, há um autorretrato de Ana Mendes estabelecendo um diálogo direto com as narrativas das retratadas, funcionando como espelho das lutas compartilhadas por defensoras ambientais, comunicadores e povos tradicionais.
São grupos que figuram entre os principais alvos de assassinatos no Brasil. Dados de organizações da sociedade civil apontam o País como um dos mais perigosos do mundo para defensores de direitos humanos. Pará e Maranhão estão entre os estados que concentram esses crimes.
Akroá Gamella

O título da exposição é inspirado em uma frase de Pjih-cre Akroá Gamella, liderança indígena fotografada no ensaio. Guardiã da casa-sede de uma fazenda retomada por seu povo na Baixada Maranhense, Pjih-cre viveu no local com três filhos pequenos sob constantes ameaças.
Conta a jornalista Cristina Ávila, mãe de Ana Mendes, que esses indígenas foram considerados extintos até 2014. “Os Akroá Gamella seguem em luta pela retomada de seu território ancestral.”
Na quinta-feira, como parte da programação, aconteceu no Sesc Ver-O-Peso, em Belém, a agenda do Café Fotográfico, promovido pela Associação Fotoativa. Ana Mendes e Pjih-cre Akroá Gamella, que também integra a equipe do projeto, participaram.

A curadora da exposição, Nay Jinknss é fotógrafa, documentarista, educadora social, pesquisadora e artivista LGBTQIAP+. Natural de Ananindeua, município da região metropolitana de Belém, ela é negra, lésbica, e sua pesquisa e produção artística têm como eixo central o enfrentamento às metodologias racistas e às práticas coloniais historicamente presentes na fotografia, especialmente aquelas que representam corpos negros e indígenas na Amazônia, tanto no passado quanto na contemporaneidade.
Desde 2008, desenvolve um trabalho contínuo no mercado do Ver-o-Peso, em Belém, território que se tornou ponto de partida para suas investigações poéticas, políticas e visuais.
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