Sexta-feira, 25 de março de 2011 - 22h20
MONTEZUMA CRUZ
Editor de Amazônias
A desorganização nos garimpos sempre existiu. Nesse aspecto ninguém desmentia Mirasselva Carneiro, a primeira garimpeira a erguer a voz para clamar por justiça e melhorias nas áreas exploradas do Rio Madeira, próximas à rodovia BR-364, no sentido Porto Velho-Abunã-Rio Branco.
Pedia justiça para que as autoridades policiais devolvessem centenas de gramas de ouro tomado de garimpeiros em Jaci-Paraná, apurando ao mesmo tempo os espancamentos praticados contra alguns deles, em Periquitos.
Nessa localidade um garimpeiro havia sido espancado e preso. Não bastasse isso, tiravam dos seus bolsos 600 mil cruzeiros. Ao perceberem o clima, outras vítimas de roubo ou achaque policial correram para a fila de denúncias que foram parar nas mãos do secretário de Segurança, Solon Michalski.
Editorial de O Garimpeiro mostrava a realidade na região em 1985: “Exigir um garimpo organizadinho, sem violência, sem arruaças, é uma utopia. Até porque essas áreas são problemáticas pela sua própria natureza, em virtude, principalmente, do universo heterogêneo de pessoas que nelas se aglomeram. É certo que, na medida em que essas áreas vão se ampliando, aparecem garimpeiros ambiciosos, comerciantes inescrupulosos, prostitutas, malandros e tantas ovelhas negras que se atraem automaticamente”.
O jornal alertava: “Tudo isso, porém, tem um limite. Quando a desorganização ultrapassa as raias do ponderável, o poder da autoridade – no caso o Governo do Estado e os seus órgãos direta ou indiretamente ligados ao setor de mineração – começa a ser questionado”.
E deixava bem clara a existência de uma casa-de-mãe-joana: “Os garimpos não vêm sendo encarados com a seriedade que estão a merecer. Tanto é que até agora caíram no vazio todas as denúncias sobre evasão de ouro, corrupção, arbitrariedade policial, assassinatos premeditados de mergulhadores, consumo de tóxicos e outros casos de violência.
“Vez por outra se anuncia a abertura de uma sindicância, que todo mundo sabe, não leva a nada. E fica por isso mesmo”, concluía.
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