Quinta-feira, 26 de agosto de 2010 - 17h20
RONDÔNIA DE ONTEM
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MONTEZUMA CRUZ
Editor de Amazônias
Um total de 375 ônibus lotados, 317 caminhões com mudanças e 177 automóveis que também traziam famílias resultava na média de oito veículos por dia. Em 1979 Rondônia sentiu na carne o peso da migração: precisou não apenas dos minguados recursos da Secretaria da Promoção Social, mas principalmente do Ministério da Saúde, para enfrentar o alastramento de endemias “importadas”.
Em 1980 “o bicho pegou”: nenhum migrante ficava em Vilhena, então, com 30 mil habitantes. Todos pernoitavam ou, no máximo, ficavam até dois dias na cidade. Pagavam as contas nos hotéis e pensões, juntavam os pertences e adquiriam passagens de 170 a 250 cruzeiros para Cerejeiras, Cabixi e Colorado do Oeste.
O catarinense Avelino Daros, com 52 anos na época, contava ter deixado a litorânea Araranguá para plantar soja em Verê, no sudoeste paranaense. Dali ele ouviu falar de Rondônia, viajou 2,5 mil quilômetros, e veio comprar dois lotes somando 80 alqueires, em Colorado. Sofreu um tanto. O acesso à cidade era impossível no período chuvoso.
Três anos antes de o deputado Sérgio Carminato (PMDB) defender o “povo do Cororado” (sotaque dele) na tribuna da Assembléia, lá se iam as levas de migrantes para ocupar, além de cidades próximas ao eixo da BR-364, aquelas mais distantes, no Guaporé, mais tarde denominado Cone Sul.
Naqueles futuros municípios os colonos sulistas penavam ao deparar com surtos de malária, verminose, leishmaniose e picadas de cobra venenosa. Não bastasse tudo isso, alguns deles vergavam sob árvores ou toras tombadas na mata ou caídas de caminhões. Aqueles que um dia tiveram fartura lutariam bastante para tê-la de novo por aqui.
Caminhavam léguas levando nas costas o cacaio (saco com mercadorias), a exemplo de Jeremias Oliveira, 57, vindo de Mandaguari (PR). Em menos de dois anos no Colorado ele teve a terceira malária. Não resistiu e morreu antes de ser levado para um hospital em Vilhena.
Tudo era semelhante nos projetos Abaitará e Corumbiara, do Incra, que concentravam até então as frentes da reforma agrária no sul rondoniense. Em matéria de dor, sofrimento e perseverança, eles repetiam a façanha dos que acreditaram serem felizes um dia, optando por assentamentos dos projetos Riachuelo, Gy-Paraná (na época com G), Marechal Dutra e noutros onde o mosquito anofelino não escolhia os menos ou mais resistentes às picadas.
Entrando nesses redutos, a pessoa tinha quase 90% de certeza de que não se livraria facilmente da malária, doença da qual Rondônia foi “campeã” mundial. Com certeza, um campeonato às avessas, no qual o ser humano não passava de um número a mais nas estatísticas do Ministério da Saúde.
NOTA
Continuarei mostrando a saga desses migrantes em outros artigos desta série.
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