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Montezuma Cruz

No 2º Festival Paralímpico em 2023, um show de integração e inclusão


No 2º Festival Paralímpico em 2023, um show de integração e inclusão  - Gente de Opinião

A celebração da vida não importa qual deficiência tiver estampou-se no rosto de crianças e jovens de
Rondônia no Festival Paralímpico realizado sábado, 23, na quadra do Serviço Social do Comércio (Sesc) Esplanada com atletismo, bocha adaptada, natação, parabadminton (versão adaptada do badminton) e tênis de mesa.

 

Pela primeira vez, o evento iniciado em 2017 pôde ser realizado duas vezes num só ano, fruto de um trabalho conjugado da Federação Rondoniense Paralímpica Paradesportiva do Estado de Rondônia com entidades estaduais.

A logística do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) promove festivais semelhantes nos 27 estados brasileiros e no Distrito Federal. O Festival Paralímpico diverte e inclui.

O CPB oferece a prática de atividades que simulam modalidades paralímpicas, de maneira criativa e lúdica.  Crianças e jovens sem deficiências, de 8 a 17 anos, também se inscrevem no limite de 20% do total das inscrições. Um dos objetivos do Festival Paralímpico é promover a interação entre pessoas com e sem deficiências.

Em competições fora do estado, Rondônia já tem medalhistas nacionais.

Danilo David da Silva, 17, de Jaru, a 291 quilômetros de Porto Velho, tem 9 anos de judô. Ao lado da mãe, Cleuseni Jerônimo, ele contou um pouco de sua trajetória.

Cego desde os três anos de idade, quando foi diagnosticado com retinoblastoma (tipo de câncer mais comum que acomete os olhos na infância), Danilo começou a lutar em 2015, com pessoas que enxergam.

Ainda sem conhecer as competições paralímpicas, foi adquirindo habilidade e com esforço incomum obteve o 1º lugar no Campeonato do Centro Paraolímpico Brasileiro, na Avenida Imigrantes, em São Paulo.

Já lutou em diversos estados e recebeu convite para o grupo no qual a seleção brasileira busca futuros atletas. “Fui descoberto”, ri. Com isso, obteve medalhas de ouro no Parapan em Bogotá (Colômbia) e dos Jogos Escolares Mundiais em Gyanmasiade (França). Do Grand Prix Palalímpico em Helsinque (Finlândia) trouxe medalha de bronze.   

“Eu espero trazer mais e entrar para a seleção principal; por enquanto estou na base”, disse.

Danilo cursa o 2º ano do Ensino Médio, gosta de filosofia e não limita seu mundo ao judô. Já praticou skate e anda de bicicleta. A mãe, Cleuseni Jerônimo Silva, é manicure em Jaru. Veio com uma irmã de Guaíra (PR). “Tenho outros dois filhos, mas eles não jogam”, contou.

Dois alunos atletas de Cabixi viajaram 12 horas desde Cabixi, a 640 quilômetros de Porto Velho, hospedando-se na casa da família da professora Márcia Oliveira Gomes. A maioria dos inscritos também teve acolhida fraterna, uma boa característica do voluntariado local.

“Só paramos na pandemia”, informou Sílvio Roberto Corsino do Carmo. Ele trabalha crianças e jovens há 20 anos. “Começamos com apenas 45, nos anos seguintes alcançamos 70, 120, 170, e hoje temos aqui 246.

Na estreia, cinco anos atrás, o evento foi realizado em 48 locais com a participação de mais de 7 mil crianças. Em 2019, o Festival teve 70 sedes e recebeu mais de 10 mil inscritos. No ano seguinte, a ação foi cancelada devido à pandemia de Covid-19 e retornou em 2021, com 8 mil participantes em 70 núcleos

O parabadminton inclui bem, podendo ser praticado por pessoas com deficiência nos membros inferiores, superiores, e de outras com nanismo ou cegueira”, explicou Carmo, ex-presidente da Federação Paralímpica no estado.

“O Festival não se resume apenas aos esportes, ele é a porta que se abre, e aí estão Miguel, de 12 anos, disputando bocha com talento e muita boa vontade”, exemplificou.

Apoiadores trabalharam animados, dentro e fora do âmbito do Sesc. Na sexta-feira, véspera do evento, Sandra Coura Diniz, integrante da Associação Beneficente Casa da União Novo Horizonte, encheu duas grandes caixas com laranjas descascadas.

Pais dos participantes organizaram seus lanches e voluntários de universidades cuidaram o tempo todo deles. Água mineral à vontade distribuída na entrada da quadra amenizou o calor.

Um dos primeiros a chegar, o animador Victor Xavier, do Hospital de Amor da Amazônia proporcionou alegria a todos durante mais de três horas.

Na mesa de recepção, uma grande equipe de apoio esteve a postos durante todo o evento. Silvana Cassupá, do Rondônia Clube Paralímpico, uma das voluntárias na organização, disse que está feliz com o Festival: “Sou nova aqui, mas já me entusiasmei o suficiente para os próximos.”

O professor de educação física Márcio Albuquerque também foi um dos primeiros a chegar ao ginásio. Ele é pai de Maria Rita, 6, que teve catarata congênita, é down e autista.

Sempre sorrindo, Márcio estava satisfeito com a passeata de quinta-feira, 21, no Espaço Alternativo na Capital, em comemoração ao Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência.

“A sociedade tinha vergonha de lidar com filhos em alguma dessas situações, hoje a visibilidade contribui para amenizar situações.

A Organização Mundial de Saúde estima que aproximadamente 10% da população de qualquer país em tempo de paz possui algum tipo de deficiência: 5% mental; 2% física; 1,5% auditiva; 0,5% visual; e 1% com deficiência múltipla.

Os alunos foram trazidos a Porto Velho pelas direções da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), Sociedade Pestalozzi, Associação dos Amigos do Autismo, Rondônia Clube Paralímpico, e Centro de Ensino Especial Abnael Machado de Lima.

No final do evento, a Federação Paralímpica entregou medalhas a todos, incentivando-os a continuar praticando esportes e a participar dos próximos festivais.

O apoio acadêmico foi fundamental no evento de sábado. Parcerias ajudaram na organização, oferecendo serviços diversos: Associação Beneficente Casa da União Novo Horizonte, Grande Loja Maçônica do Estado de Rondônia, Hospital de Amor da Amazônia, Secretaria Municipal de Trânsito, Mobilidade e Transportes, Serviço Social do Comércio, e Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Estado de Rondônia.  

Natação no Ferroviário

“Trabalhamos com a iniciação à natação e recreação aquática para crianças no Ferroviário. Algumas mães aderiram e hoje também fazem hidroginástica com a gente no projeto. O Sílvio (Sílvio Carmo) trabalha com essa recreação aquática há 13 anos”, relata a professora voluntária no Rondônia Clube Paralímpico e árbitra-chefe da Federação Paralímpica Rondoniense.

Segundo ela, o projeto possibilita às crianças a socialização: “Tinha criança que estava só no atletismo no Estádio Aluízio Ferreira, e com as atividades recreativas no meio aquático conseguimos o entrosamento delas, e o melhor de tudo é que agora interagem mãe e filho; tanto as mães quanto as crianças especiais e adultos especiais participam.”

A Federação Paralímpica tem com o objetivo proporcionar às crianças a oportunidade de participar de competições nacionais e internacionais, a exemplo do Parapan e dos Jogos da Juventude. O Circuito Caixa (Lotéricas Caixa) abrange tudo isso. “Muitas competições nacionais exigem que os participantes sejam filiados às entidades estaduais”, ela explicou.

 

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