Domingo, 25 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Montezuma Cruz

Não 'politize' meu papo


 

MONTEZUMA CRUZ
montezuma@agenciaamazonia.com.br  

Há algum tempo jogo no time daqueles têm horror a substantivos que se transformam em verbos: agendar, priorizar etc. 

A mais recente onda – chega a ser praga – nos meandros do poder é o arremedo de verbo “despolitizar”. Veio por conta do mais recente apagão elétrico. “Esse jogo já viramos”, limita-se a dizer o líder do PT na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), aludindo-se, obviamente, à pré-campanha da senhora Dina Roussef à sucessão presidencial. A própria, capaz de encarar um esconde-esconde que faz lembrar o recreio da escola primária. 

Outros parlamentares da base governista, e a própria ministra, não encontram outra desculpa: “Não podemos “politizar” assunto tão sério quanto o apagão”. 

Apagão é assunto de segurança nacional? É. A comunicação por computador é vulnerável, logo, exige cuidados. Você já digitou o seu CPF na tela? Sem paranóia, fiquemos por aqui. 

Passa no cineminha da mente, pontes inacabadas na Amazônia, uma das quais vi de perto, em Itapoã do Oeste (Rondônia). Reflito, então, a respeito de um PT fanático, cuja obsessão fiscalizatória incomodava a situação. O partido não apenas defendia propostas, mas lutava a qualquer custo pela aprovação de uma lei que impedisse fraudes na licitação e de outra que regulamentasse a capacidade do Tribunal de Contas da União (TCU) de localizar e punir falhas. 

A tal Lei 8.666/93, a conhecida Lei das Licitações, foi parida com a luz do entendimento e para ela contribuiu decisivamente o senador Pedro Simon (PMDB-RS). Contribui, vírgula. Relatou tudo. 

Tempos e tempos depois, eis que os arautos da moralidade e dos bons costumes, dos quais um dia fui aliado, mudam o discurso, em nome de contratos milionários. Justificam que uma comissão técnica, formada por técnicos do TCU e por representantes do Poder Executivo cuidará do assunto. O novo órgão deliberaria pela paralisação ou não de uma obra com suspeitas de irregularidades. 

Nesse Novíssimo teatro, cabe perguntar: isso funciona? À moda do Conselho de Ética ou à moda de uma verdadeira dedicação à lisura, à moral, à ética e aos bons costumes tão defendidos no século passado? 

Disso tudo, suponho que a treva às vezes toma conta da política nacional, mesmo a contragosto de uns duzentos bons parlamentares trabalhadores. Digo assim, porque o presidente, numa de suas candidaturas, disse que o Congresso “possuía uns trezentos picaretas”. 

Assim, sublata lucerna nulla est fides. Ou seja: “Uma vez apagada a luz, some a confiança”. 

Escaldado com a água fria e com a canga um tanto pesada, liguei meu desconfiômetro a toda potência. É que tantas luzes vêm se apagando, sem a necessidade de nenhuma Itaipu. 

Uma boa semana a todos. 

www.twitter.com/MontezumaCruz

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

Gente de OpiniãoDomingo, 25 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Direita chama esquerda na USP, e o parto urbanístico de Rondônia saiu muito bem

Direita chama esquerda na USP, e o parto urbanístico de Rondônia saiu muito bem

Saudoso geógrafo Milton Santos, da Universidade de São Paulo (USP), é um personagem pouco conhecido na história de Rondônia. Pudera, ele trabalhava

Da infância à beira do Rio Madeira, Ana Mendes mostra hoje a luta de comunidades tradicionais

Da infância à beira do Rio Madeira, Ana Mendes mostra hoje a luta de comunidades tradicionais

Ana Mendes, filha da jornalista Cristina Ávila e do falecido professor Valter Mendes (do Colégio Carmela Dutra), expõe “Quem é pra ser já nasce”, co

Bons ares para 2026 se devem a modelo  que deu certo na Biblioteca Francisco Meirelles

Bons ares para 2026 se devem a modelo que deu certo na Biblioteca Francisco Meirelles

A equipe da Biblioteca Municipal Francisco Meirelles ingressou com muito ânimo em 2026. Apesar do avanço voraz das tecnologias digitais, ainda prosp

5º BEC muda Comando consolidando obras e missões amazônicas

5º BEC muda Comando consolidando obras e missões amazônicas

O 5º Batalhão de Engenharia de Construção do Exército Brasileiro tem novo comandante desde o início deste mês de dezembro: deixou o posto o coronel

Gente de Opinião Domingo, 25 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)