Sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011 - 18h11
MONTEZUMACRUZ
Editor de Amazônias
Dez por cento dos migrantes que chegam a Rondônia são delinqüentes procurados nas regiões de origem. Com essa “certeza” e sem mencionar qual a fonte da pesquisa indicadora dessa situação, o então secretário de Segurança Antônio Amaro Silva contribuía com a nuvem cinza que pairava sobre essa parcela dos 22 mil migrantes recebidos entre janeiro e fevereiro de 1985.
A criminalidade em alta no interior rondoniense motivava a declaração de Amaro – como era conhecido –, encontrando um governo sem métodos eficientes e sensatos para combatê-la. “A secretaria tem procurado especializar seus policiais”, ele dizia.
O discurso não convencia. Amaro embaraçava ainda mais a situação, ao criticar os responsáveis pelos centros de triagem, aos quais transferia parte da responsabilidade “pela entrada de marginais no estado”.
Muito antes do fenômeno migratório, entre 1978 e 1979, o Exército Brasileiro, devidamente convocado, colaborava com o governo territorial na Operação Documento promovida nos municípios mais povoados. Além da emissão de cédulas de identidade, carteiras profissionais e outros documentos, a polícia capturava criminosos vindos de outras regiões.
F
elizmente, já nos anos 1980, a maioria dos migrantes, constituída por gente de bem, mantinha acesa a chama da esperança, a exemplo de Edilson da Anunciação, de Itamaraju (BA). Numa carta enviada ao senador Amir Lando (PMDB-RO) ele apelava: “Eu fiz o cadastro no Incra e pedi para ficar em Buritis, onde mora um irmão meu. Tenho cinco filhos entre dois e sete anos de idade e preciso ir embora, pois aqui na Bahia não tenho mais condições de morar. Não tenho emprego. Minha esposa e minha mãe me acompanham, preciso ir embora”.
Edilson pedia ajuda, com o firme propósito de vir para Rondônia trabalhar para cuidar da família. Pedia auxílio, passagens de ônibus se assim fosse possível.
O município de Buritis crescia, ocupando nas estatísticas oficiais a condição de lugar que mais recebia migrantes na Amazônia. Sensibilizado com o apelo de Edilson e da família dele, este repórter recorreu ao nosso porta-voz dos sofridos naquela região, o ex-vereador em Cerejeiras, Geraldo Gonçalves.
Pronta resposta de Geraldinho: “Nada de especial tenho a informar, a não ser que voltamos a comer arroz produzido na região. O desastre do café resultou neste milagre. Voltaram a plantar arroz, feijão e milho. E abóbora! A fome fez um bom trabalho aqui”. Edilson viria, com a cara e a coragem.
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