Sexta-feira, 27 de outubro de 2017 - 17h44
Lúcio Albuquerque, repórter
Uma “febre” que, lamentavelmente, vem tomando conta deste país pode ser sintetizada numa frase: O Brasil, aos poucos, está sendo tomado pela ideia do pensamento único, e do não direito a outra forma de pensar.
Reflito sobre isso depois de vários dias analisando o que vem acontecendo e ao que ouvi, numa sorveteira esta quinta-feira, quando na mesa ao lado um dos que ali se encontravam disse não aceitar que se classifique de “arte” aquela exposição patrocinada pelo Santander e a do museu onde um camarada despido chegou a ser acariciado por uma criança.
Foi o bastante para outro presente chamar quem reclamou de “reacionário” e de “direitista”, vocabulário que já ouvi muito, dirigido a mim mesmo, porque muitas vezes tenho me posicionado em sentido contrário ao que chamam de “pensamento politicamente correto”, em realidade um amontoado de citações geradas a partir de um grupo que não admite o contestatório.
Se não concordar passivamente com tudo o que dizem, geralmente repetindo fórmulas de segmentos que pensam dominar o pensamento de todos, então você é epitetado, como o camarada ao meu lado, chamado de “politicamente incorreto” o que, se considerar como verdade verdadeira apenas o que querem os proponentes do “pensamento único”, assumo, e já tenho escrito várias vezes isso: Eu sou politicamente incorreto.
E não é de agora: em 1980 quando criaram o PT, o então professor José Neumar, porque eu disse não ter interesse em ingressar na sigla, numa época em que usar a “estrela vermelha”, repetir as frases do Lula e condenar tudo que não fosse ditado por eles era considerado errado, uma espécie de “pecado capital”. O Zé Neumar chegava a dizer que se eles ganhassem ele teria uma bala de ouro para me abater (até hoje não sei por que “de ouro”).
Tive sorte de meu pai, comunista de carteirinha, numa época em que ser comuna era coisa de quem tinha coragem política, ter-me ensinado que o direito a optar pelo livre arbítrio era o certo, fórmula que repito a meus netos.
E pelo visto é o que querem esses senhores donos da verdade: fazer com que nós nos submetamos à linha da “revolução cultural” chinesa. Apenas a verdade verdadeira oriunda de uma cabeça e multiplicada por acólitos, tenha validade. Já vi esse filme várias vezes e não vai ser agora que eu vou me curvar a deixar de pensar, de dizer o que penso, porque os períodos da História, como um deles será comemorado em novembro, demonstraram sempre o absurdo do pensamento único e do não direito a alguém poder exercitar seu direito a pensar e agir de modo diferente.
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