Terça-feira, 17 de fevereiro de 2026 - 07h50

Ela era elegante, recebia, e gostava de receber, bem os amigos e veio para o Brasil logo depois da II Guerra Mundial, quando atuou inclusive no Amapá, sendo contratada pela mineradora Cia Estanífera, em 1960, para verificar se realmente a produção de cassiterita em Rondônia era viável.
Seu nome era Jaqueline Ferry de La Boulaye, a Madame Jaqueline, gerente da Cesbra, que morou muitos anos numa casa do cruzamento das ruas Carlos Gomes com a Presidente Dutra. Era avessa a fotografias, como lembrou a jornalista Jussara Gotlieb, presença constante aos chás de sábados, o que Madame Jaqueline preparava.

“Sua mesa era muito refinada com geleias, fazia torta de maçã muito gostosa, além de outras especiarias que, na década de 1970 ainda eram difíceis de encontrar por aqui. Ela era extremamente culta. Fácil ver que vinha de uma família nobre francesa que deve ter sofrido os efeitos da guerra”.
Jussara, acrescentou: “Madame Jaqueline tinha uma doberman, a Xula, uma cadela treinada, o que me inspirou adquirir meu primeiro cão, uma fêmea doberman, vinda do Rio de Janeiro e que, por sugestão dela, passamos a chamar “Elisabeth”.
RESTOS DA GUERRA
Madame Jaqueline foi um na heroína francesa na II Guerra Mundial, e tinha marcas profundas de quando esteve presa nas mãos dos nazistas, na ocupação da França, conforme Jussara: “Madame contava muito de sua experiência na segunda guerra, tinha várias marcas de tortura, dentre elas as unhas dos pés arrancadas, marcas de queimaduras de cigarro em seu corpo e relatava sua fuga com detalhes”.
Em razão disso “tinha restrições de locomoção, histórias de passagens de vida interessantes em especial de sua fuga da França, sua terra natal. Pelo que descrevia, era fácil ver que vinha de uma família nobre francesa e que deve ter sofrido os efeitos da guerra”.
Outra jornalista, Lindomar Soares, também conheceu a Madame e as histórias que ela contava de quando os nazistas invadiram a França. “Pelo que entendi a Madame Jaqueline foi torturada e isso a marcou, inclusive fisicamente”.

Eric de La Boulaye, seu filho (Ver “A caçambada dos garimpeiros”, publicada dia 11.2.26) migrou para Rondônia e trabalhou durante vários anos em minerações na Província Estanífera de Rondônia.
OBS: A Companhia Estanífera do Brasil (CESBRA) – Cesbra, funcionou num prédio onde depois foi construído o Centro Empresarial de Porto Velho (informação e foto Anísio Gorayeb Fº)
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