Porto Velho (RO) quarta-feira, 14 de novembro de 2018
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Lucio Albuquerque

Lúcio Albuquerque visita Santo Antonio...


VIGILANTES TEMEM DEPREDAÇÃO DA LOCOMOTIVA DA MAD MARIA

(Como chegar: depois de passar o cemitério de Santo Antonio, o visitante deve dobrar à esquerda na primeira vicinal e ir em frente. A 400 metros está a locomotiva 5, a litorina e a cegonha, equipamentos usados na gravação da Mad Maria)

Texto: Lúcio Albuquerque

Se você prestar atenção vai ver, dentre os figurantes da mini-série Mad Maria um rapaz de estatura mediana, cabeça raspada. Ele é Nilson Carvalho de Souza que durante as gravações feitas na área de Santo Antonio participou delas e numa cena aparece ao lado da personagem Consuelo.

Dos principais personagens da mini-série ele guarda lembranças diferentes: “A Ana Paula não deixava a gente nem fotografar ela. O Fábio Assunção era mais legal, agora o Juca de Oliveira só era durão na hora em que encarnava o engenheiro. Era o que mais se dava com a gente”, garante Nilson que, apesar de participar das gravações nada conseguiu com as mulheres. “Nem uma garota até agora”.

Nilson, com José Nazareno, outro participante do Mad Maria, só que no apoio, trabalham desde o fim das gravações como vigias da locomotiva, da litorina e da cegonha usadas pela produção da mini-série, contratados por prestação de serviços pelo Governo do Estado. “Temos de ter muita atenção porque se não é capaz de mexerem naqueles equipamentos”, diz Nilson, o mais falante dos dois. Segundo ele, diariamente muitas pessoas aparecem no local, especialmente nos finais de semana e feriados, para tirar fotografia e até alguns tentarem levar pedaços de madeira como lembrança da locomotiva.

FALTA ESTRUTURA PARA TURISTAS

Quase três meses após ter sido palco das gravações da Mad Maria, o que resta das ruínas de Santo Antonio continua como se encontrava antes: abandonadas. Nem no local em que se encontram a locomotiva 5, a litorina e a cegonha há qualquer presença do Estado, afora dois vigilantes.

Segundo comerciantes estabelecidos em frente ao cemitério de Santo Antonio, o movimento de carros rumo ao local aumentou muito depois das gravações. “Aqui passa carro com placa de tudo que é Estado, mas os turistas querem informações que a gente não sabe”, diz o comerciante João Batista. Um dos locais mais procurados para fotos e em busca de informações é onde se encontra a locomotiva 5 – originalmente 20 mas que teve a numeração reduzida porque à época em que a estória é narrada só havia sete locomotivas.

Mas no local não há qualquer estrutura para atender ao turista. Ainda na última sexta-feira, 11, várias pessoas queriam saber um pouco da história do local e não havia estrutura de atendimento. “Eu vim de Mato Grosso do Sul atraído pela mini-série e chego aqui não tenho informação”, reclamava o professor Oscar Soares que, por coincidência encontrou no local o historiador Francisco Matias que falou sobre o local, primeira cidade rondoniense. Além de não haver quem informe, também se o turista quiser tomar uma água vai ter de voltar para um dos comércios localizados à frente do cemitério, quase um quilômetro de distância.

ABANDONO TAMBÉM NA VELHA CIDADE

A falta de uma estrutura de atendimento e apoio ao turista não acontece só no estacionamento dos equipamentos da Mad Maria. Quem for até o que resta da cidade de Santo Antonio também pouco vai encontrar, além do marco geodésico e da igreja, mesmo assim ambos ameaçados pelo abandono.

O casal Antonio e Neidi, ambos de Manaus, saíram decepcionados. “Esperava encontrar pelo menos alguém que me desse informação sobre a cidade que existiu aqui”, reclamou Antonio, mas ninguém sabe de nada.

Os sinais de abandono do que resta de Santo Antonio são claros: nas pequenas grutas e entre as pedras tomadas pelo matagal é fácil encontrar restos de despachos de macumba, enquanto nos bancos ao lado da igreja restos de camisinha e garrafas de bebidas são comuns. “Aqui é bom para duas coisas: descansar a cabeça vendo o rio e namorar, mas eu lamento que não se lembrem que os turistas gostam também de informação”, queixou-se José Cavalcanti, jornalista que visitava o local.

Localizado sobre uma pedra imensa, o marco geodésico está ameaçado por duas árvores que cresceram com as raízes fincadas na pedra. E a placa comemorativa dos 100 anos da Independência, mandada colocar pela Intendência (Prefeitura) e a Câmara de Vereadores de Santo Antonio, está rachando, suja e ameaçada de desabar.

A placa comemorativa é assinada pelo Intendente-Geral José Antonio Lima de Avelino, o 1º vice-intendente Delfim P. de Figueiredo, o 2º vice-intendente Antonio N. Cavalcante e os vereadores Salustiano Correa (presidente), João Brasil (vice-presidente), João Lima de Souto, Boaventura Rolim, Manoel Silva dos Santos, José Francisco da Conceição e Raul Arantes Meira.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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