Porto Velho (RO) sábado, 21 de setembro de 2019
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Lucio Albuquerque

LEMBRANÇAS DO VELHO PRÉDIO DA CÂMARA - 2


Um vereador comunista na bancada governista

E ainda na primeira legislatura um fato pelo menos inusitado, haja vista a vigilância dos órgãos de segurança no período (qualquer pessoa que fosse assumir emprego público ou pretendesse candidatura a mandato parlamentar passava pelo que chamavam de crivo de segurança, através das chamadas Assessoria de Segurança e Informações – ASI, observados seus antecedentes, ligações políticas etc). Dentre os eleitos o vereador Dionísio Xavier, da bancada da Arena, partido governista. Anos depois o Velho Dió contaria, entre risadas, que ele fora enviado a Porto Velho pelo Partido Comunista que também determinara se infiltrasse na Arena. Sem conseguir reeleição, Dió contava ainda que findo seu mandato a Arena investigou sua fidelidade partidária.

Na segunda legislatura o radialista Osmar Vilhena teve tantos votos que elegeu a ele próprio e puxou os outros quatro vereadores de seu partido, o MDB. E sabem o que aconteceu? Menos de dois anos depois da posse, os vereadores de seu próprio partido votaram pela sua cassação, sob alegação de infidelidade partidária.

Mas a cassação que teve maior mobilização popular foi a da vereadora Raquel Cândido, do PMDB, com centenas de pessoas dentro do acanhado prédio da Câmara e espalhadas pela Ladeira Comendador Centeno até a Praça Jonathas Pedroza. Sessenta dias depois ela retornaria, outra vez com maciça presença de eleitores, a grande maioria moradora de regiões que vinham sendo invadidas e que, conforme o noticiário da época, tinham como líder a própria vereadora.

Em seu pequeno auditório, onde mal cabiam 40 pessoas sentadas, a Câmara testemunhou a derrota do deputado federal Jerônimo Santana na escolha dos quatro candidatos do MDB a deputado federal em 1978, vencida pelo grupo de vereadores do próprio partido e que lhe faziam oposição. Poucos dias depois a convenção da Arena escolhia os quatro candidatos e deixava fora o coronel Carlos Godoy, que falava tão alto que sua voz era ouvida, ainda que nem usasse microfone, na Praça Jonathas Pedroza, a mais de 70 metros de distância.

Foi naquele prédio, na terceira legislatura, que pela vez primeira os eleitores dos distritos já formados ou em formação da BR-364, e que mais tarde seriam municípios, fizeram sentir-se representados, quando elegeram sete dos 14 novos edis.

Houve situações folclóricas, uma delas protagonizada pelo vereador João Bento da Costa, durante uma sessão solene para lembrar o descobrimento do Brasil. Bento, ao discursar citou; “Lembro quando Pedro Álvares Cabral desembarcou no Brasil...”, sendo aparteado pelo vereador Cloter Mota: “Excelência, o senhor então jogou peteca com Cabral naquela praia?”

Em fevereiro de 1979, na primeira visita feita a Porto Velho pelo coronel Jorge Teixeira, então indicado para ser governador do Território, ele fez o discurso em que definiu o que ele chamava de missão: “Vim com a missão de transformar Rondônia em Estado. Teixeira cometeria um engano: O Território não foi transformado em Estado. Ele deixou de existir para surgir o Estado.

Lúcio Albuquerque

jlucioalbuquerque@gmail.com


 

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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