Porto Velho (RO) domingo, 26 de maio de 2019
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Gente de Opinião

Lucio Albuquerque

Histórias do Lúcio (II)


Danin

O futebol amazônico deve muito ao Danin que criou, em 1975, um torneio com os campeões do Acre, Rondônia, Amapá e Roraima, intitulado 'Copão da Amazônia', tendo sido presidente da Federação de Desportos de Rondônia.

Sentado no café Santos, o Danin lembrava de um episódio, quando era editor do do Alto Madeira. O Bahia, campeão brasileiro, veio excursionar logo depois do título, por estas bandas, batendo em tudo que é time, e, por causa disso, o Danin acabou dando a manchete mais barriguda de sua vida de jornalista.

Foi assim: o Bahia batia em tudo que era time. Ia voltar num dia, mas o avião não chegou, então tinha de esperar o outro vôo, ficando sem fazer nada aqui de quinta a domingo. Para ocupar o tempo, arrumaram um jogo contra o Flamengo, time recém-formado pelo seu Dudu que havia juntado uma garotada nova.

Acontece que o Danin tinha um programa diferente na noite do jogo, mas disse para a dona Dora que iria voltar tarde porque teria de esperar para dar a notícia do resultado da partida no jornal. Saiu cedo da redação, mas como o Bahia vinha ganhando de todos, nem pensou duas vezes e colocou como  manchete principal: 'Mais uma vitória do Bahia – Detalhes na edição de amanhã'.

E foi embora. Depois chegou em casa, dormiu e, ao chegar ao Café Santos, primeira parada do dia seguinte, o Simeão Tavernard, com o Alto Madeira na mão, fez a maior gozação: é que no jogo, o Flamengo deu de três nos baianos.

Pior para os baianos que, com a invencibilidade quebrada queriam revanche, mas seu Dudu disse que aceitaria, só que com tudo pago e mais um cachê, na Fonte Nova. Aí não houve jeito.

Vinícius Danin, magérrimo, era uma figura. Veio de Belém e aqui fez de tudo um pouco no jornalismo local,  entre os anos 60 e 70. Inclusive uma viagem de lambreta até Brasília, pelo caminho de onça que era a rodovia BR-364 nos idos de 1963, para entregar ao presidente da República um documento pedindo que não permitisse que a estrada fosse fechada (talvez um dos resultados disso tenha sido a vinda do 5º BEC para cá).

Do Danin há muitas estórias e histórias. Uma delas envolve um caminhoneiro forte, grandalhão. que, mais tarde seria o primeiro prefeito eleito de Ji-Paraná, Antonio Jotão Geraldo. Danin era editor do Alto Madeira, alguém dise para ele que o Jotão era baderneiro, estava bagunçando e o Danin não descartou. Tascou manchete em cima do futuro prefeito.

Duas, três, haja cacete no 'tal Jotão', que ninguém conhecia,  até que um dia o Danin está sentado dentro da redação, quando alguém empurra a porta e pergunta por ele. Sem levantar a vista, Danin responde ser o próprio. Aí o visitante se identifica, numa voz calma, diferente da imagem que haviam 'vendido' ao Danin.

'Eu sou o Jotão. Queria que o senhor me conhecesse porque estão dizendo mentiras a meu respeito'. Entre risadas, sentados no Café Santos, Danin contava para nós: 'Na hora que o cara, um armário grande, disse que era o Jotão, eu pensei que ele ia me dar um cacete, tremi que nem vara verde'.

O falecido jornalista Ivan Marrocos contava uma envolvendo o Danin e sua magreza. Era assim: O Enéas "Alicate",  repórter esportivo do jornal A Tribuna, era vizinho do Danin e tinha um filho que não queria comer nada, apesar dos esforços dos pais.

Um dia, segundo o Ivan, o Enéas teve uma idéia: na hora do almoço pegou o garoto pelo braço e foi direto na casa do vizinho Danin que veio atender enrolado numa toalha e sem camisa, as costelas, tal era a magreza, varando a pele.

O Enéas mostrou para o filho e disse que se ele não comesse ia ficar feio daquele jeito. "Foi um santo remédio", garantia o Ivan.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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