Sábado, 1 de julho de 2017 - 09h55
A faixa, bem no alto do carro-de-som da manifestação de ontem, deixou muita gente intrigada: tratava-se de anarquismo (hay gobierno? Soy contra) ou incoerência. Ela dizia, em enormes letras vermelhas contra um fundo branco: Contra a militarização das escolas públicas. Contra a reorganização das escolas”.
E quem assinava a faixa era o Sintero, o que deixou estranhando até pessoas que se diziam membros da própria organização,
sabidamente a que maior número de filiados alardeia ter no Estado mas que, há muitos anos, atua mais como braço de um partido político do que, efetivamente, em defesa dos seus filiados, e é só mensurar resultados práticos em relação às manifestações políticas que o Sintero se tem envolvido, dominado por um grupo que se reveza no poder, praticando o que se chama de peleguismo.
É de se perguntar: afinal, o que quer o Sintero? Admita-se até porque cada escola levada para o sistema Tiradentes, hoje chamada “escolas compartilhadas” e que alguns designam por “militarizadas”, representa menos força de pressão do sindicato na categoria profissional e até nos pais e nos alunos desses colégios, então, por razão de sobrevivência, ainda assim sem considerar os bons exemplos desse novo sistema, o Sintero se rebele.
Agora, vá entender a razão do restante da frase: “Contra a reorganização das escolas”. É de se perguntar “Por quê”? Só quem pode ser contra reorganizar alguma coisa, especialmente contra a necessária busca de novos caminhos na área da Educação seja quem exatamente não deseja que o setor seja melhorado porque, se isso acontecer aqueles, como parece ser o Sintero, se beneficiam do que ocorre hoje nos sistemas da Seduc e das Semedes, percam espaço e tenham dificuldades de sobreviver.
Não se trata do chamado “medo do novo”, no caso tanto as escolas compartilhadas quanto a (mais que necessárias) reorganização do sistema. Efetivamente é o medo de perder o mando, de aos poucos deixar de contar com nacos daquilo que se chama de “massa de manobra” mobilizada quando os encastelados no poder sindical recebem comando político.
Dizer que se é contra as “escolas militarizadas” porque ali se reinstala o respeito, e o compromisso com a educação e a formação cidadã, e, de quebra, que se seja contra a reorganização das escolas é daqueles absurdos que só quem pretende a anarquia pode assinar em baixo, como fez o Sintero.
Fonte: Lúcio Albuquerque
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