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Lucio Albuquerque

2 de fevereiro – uma data a comemorar e para desmistificar


 
Uma data que Rondônia, como tantas outras importantes para esta região, já esqueceu é o dois de fevereiro. Do fato é comum ouvir de pessoas ligadas à História regional a citação sobre a decisão do presidente Juscelino Kubitschek mandar construir a rodovia BR-029 – depois de algum tempo BR-364, a estrada que foi o grande vetor da criação do Estado de Rondônia. Mas não se lembra da data – 2 de fevereiro.

            Historicamente, aqui, atribui-se ao então (era o ano de 1960) governador Paulo Leal ter levantado junto a JK a necessidade da ligação – o que Paulo Leal em seu livro sobre o assunto chama de O outro braço da cruz.

            No entanto, em seu livro Por que construí Brasília, JK (páginas 304, 305 e 306) diz claramente que quem iniciou a questão foi o governador do Território do Acre. Deu-se o fato quando ele mandou chamar todos os governadores da região Norte incluindo dos quatro Territórios para que fossem a Brasília acompanhando a Caravana da Integração Nacional na viagem inaugural da rodovia Belém/Brasília. Na Capital Federal JK recebeu os governadores. Vamos ao texto:

            Durante a reunião o governador Manuel Fontenele de Castro, do Acre, fez-me uma dramática exposição sobre o isolamento em que vivia o Território. Qualquer mercadoria, adquirida no Rio ou em São Paulo, levava nove meses no percurso ate chegar a Belém; dali, por via fluvial......Quase um ano entre o litoral e a capital do Território do Acre!

            JK narra a seguir que enquanto o governador acreano falava ele lembrou de reportagem escrita pelo jornalista Manoel Rodrigues Ferreira – que ele cita como Jorge Ferreira (Pág 307) sobre a ferrovia Madeira-Mamoré em que o jornalista dedica a Juscelino a queixa do agricultor Raimundo Nonato dos Santos, morador ao longo da EFMM, sobre o abandono como viviam e concluiu (Raimundo) como um epitáfio sobre a estrada de ferro, É uma porcaria.

            Na página 307 JK diz mais: Enquanto o coronel Paulo Nunes Leal falava, eu me lembrava de tudo isso. Quando o coronel terminou sua exposição, expus o plano. A cruz rodoviária teria seu braço esquerdo acrescido.

            A ideia da Brasília-acre havia surgido.

            Daí para a frente ele cita as providência seguintes que levaram à construção da BR.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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