Segunda-feira, 5 de abril de 2021 - 20h35

Bagé, 05.04.2021
Navegando o Tapajós ‒ Parte V
Complexo Hidrelétrico do Tapajós
A conclusão, óbvia, é que a Amazônia precisa ser
internacionalizada para evitar que utilizemos os cursos d’água daquela Bacia
Hidrográfica para produzir energia e proporcionar o desenvolvimento daquela
região em nosso benefício exclusivo. Então, para começar, é urgente impedir a
construção das hidrelétricas, enviando seguidas delegações de notáveis que se
prestem a fazer o ridículo papel de defensores de etnias das quais mal conhecem
a designação correta e certamente desconhecem a localização das aldeias.
(Antônio Delfim Neto)
As
inúmeras manifestações de personalidades tanto estrangeiras como nacionais e de
alienados artistas Globais sobre a construção da Hidrelétrica de Belo Monte
fizeram minha mente madrugar no passado. No longínquo pretérito, o escritor
Gastão Cruls dissertava sobre a área sem nunca tê-la conhecido pessoalmente
baseando-se apenas em relatos e vivências de outros cronistas. Seu romance “A Amazônia Misteriosa” e a “Hileia
Amazônica” tinham como cenário a Região Norte do país, ainda desconhecida
pessoalmente por ele. Em 1928, porém, Cruls resolveu conhecê-la acompanhando a
Expedição do General Rondon, que subiu o Rio Cuminá até os campos do
Tumucumaque, nos idos de 1928 e 1929, e que resultou no épico “A Amazônia que eu vi”. Os relatos, em
forma de diário, são ricos e encantadores, trazendo à baila o conhecimento
nativo e mostrando a beleza da Hileia captada pela atenta retina de Cruls.
O
escritor retrata fielmente, através de sua inspirada e impecável escrita, como
nenhum pesquisador ou naturalista estrangeiro teve a capacidade de fazer antes
dele. Gastão precisou vê-la “in loco”
para captar e entender sua essência, sua magia, suas carências, seus mistérios
e suas riquezas. A Região Amazônica precisa de energia limpa, renovável, com
menor custo para a sociedade para empreender sua jornada definitiva na senda do
desenvolvimento sustentável. Os projetos atuais dos Complexos Hidrelétricos dos
Rios Madeira, Xingu e Tapajós são, sem dúvida, as melhores opções para a
ampliação do parque energético brasileiro pois, além de serem capazes de
produzir grande quantidade de energia, permitirão a integração ao Sistema
Interligado Nacional (SIN) reforçando a transferência de energia entre as
várias regiões, aumentando a oferta e segurança do sistema elétrico. Os linhões
que estão sendo construídos para levar energia de Tucuruí até Manaus serão aproveitados
por Belo Monte, possibilitando, num futuro próximo, que a bauxita extraída no
Porto Trombetas e Juriti seja processada, transformando-nos, de meros
vendedores terceiro-mundistas de matéria-prima, em exportadores de alumínio. A
energia propiciará mais conforto aos ribeirinhos, mais eficiência aos hospitais
e escolas, mais segurança, mas isso não interessa aos “talibãzinhos verdes” que usam roupas de grife e são pagos por
Organizações que costumam rasgar ou desrespeitar nosso sagrado pavilhão verde-amarelo.
Aqueles que condenam a construção das hidrelétricas deixam-se arrastar pelas
cantilenas das ONGs e missionários estrangeiros a quem não interessa que suas
ovelhas tenham acesso à modernidade, a oportunidade de melhorar de vida e de
livrar-se de seu jugo.
Apagões e Racionamentos à Vista
O
consumo nacional de energia elétrica vem registrando uma expansão média de 7,0
% ao ano, liderado, fundamentalmente, pelo consumo industrial. Para que o
Brasil possa continuar sua marcha para o desenvolvimento sustentável, atendendo
às demandas crescentes, sem enfrentar problemas com o fornecimento de energia,
é necessário que se acelere a liberação das licenças ambientais e que nossos
governantes enfrentem corajosamente as questões sociais que afligem os
atingidos pelas barragens. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) defende a
necessidade de serem construídas 34 novas usinas até 2021, sendo 15 delas na
Amazônia Legal. Caso isto não se concretize virá, o apagão e o caos se
instalará.
Eletronorte e os Programas Indígenas
O
governo tem uma carta na manga que não está sendo devidamente apresentada à
sociedade nacional e às lideranças indígenas atingidas pelas barragens que são
dois Programas Indígenas modelares desenvolvidos em parceria com a Eletronorte.
Programa Waimiri Atroari (PWA)
www.waimiriatroari.org.br

Em maio de 2011, a população dos índios Waimiri Atroari (WA) era de 1.469 pessoas, com uma taxa de crescimento de 6% ao ano. Esse índice somente foi possível com as ações mitigadoras empreendidas pela Eletrobras Eletronorte devido aos impactos provocados pela construção da Usina Hidrelétrica Balbina em suas terras.
A situação dos índios WA antes do início do Programa, em 1988, era totalmente diferente. A população contava com 374 pessoas. A redução populacional chegava a 20% ao ano. Na produção havia pequenas roças e dependência alimentar externa. A cultura estava em processo de perda dos seus valores, não se realizando mais as principais manifestações de seu patrimônio cultural e os WA se encontravam em fase de desmoralização como etnia. Na educação, as escolas não existiam e eles desconheciam a escrita. No campo da saúde, o quadro era de epidemias de sarampo, malária e gripe, subnutrição, diarreias crônicas, falta de atendimento odontológico e de vacinação. A terra não estava delimitada nem demarcada e havia processo de invasão em andamento, além da situação fundiária totalmente irregular. Hoje é totalmente diferente. Na produção observam-se grandes roças, estoque de animais para abate [peixes e gado] e total independência alimentar. Houve o resgate de todas as práticas culturais e de sua dignidade como povo indígena. Na educação, são 21 escolas com 60 professores indígenas, 63,4% dos WA são alfabetizados e o restante em processo de alfabetização. Na saúde, nenhuma doença imunoprevenível nos últimos 15 anos, com controle total de doenças respiratórias, da malária e de outras doenças endêmicas, boa nutrição e vacinação de 100% da população. O controle da saúde dos índios é informatizado. A terra está demarcada, homologada, sem nenhum invasor e com fiscalização sistemática dos seus limites e dos transeuntes das estradas existentes dentro dos territórios WA.
A situação fundiária está totalmente regularizada, com registro em cartório de imóveis e serviço de patrimônio da União. (www.eln.gov.br)
Programa Parakanã
www.parakana.org.br

Em maio de 2011, a população dos índios Parakanã era de 883 pessoas, resultado da taxa de crescimento de 5,1% ao ano. Esse índice somente foi possível com as ações mitigadoras empreendidas pela Eletrobras Eletronorte devido aos impactos provocados pela construção da Usina Hidrelétrica Tucuruí nas terras dos Parakanã. A situação do povo Parakanã antes do início do Programa, em 1986, era totalmente diferente. A população contabilizava 247 pessoas. Na produção havia dependência total dos alimentos fornecidos pela Funai. A cultura encontrava-se em processo de perda dos seus valores culturais e manifestações como festas tradicionais, pinturas corporais e ritos de passagem e morte. A língua estava sendo perdida gradativamente, bem como os conhecimentos dos mais velhos sobre a natureza, seus mitos, sua medicina e tecnologia. Enfim, sua história. As escolas não existiam e desconheciam a escrita. No campo da saúde, o quadro era grave: epidemias de sarampo, malária e gripe, hepatite B, subnutrição, diarreias crônicas, nenhum atendimento odontológico, falta de vacinação e de qualquer controle sobre a saúde. A terra era demarcada, mas com pendências de registros e regularização. Hoje, além do aumento populacional, grandes roças têm produção de excedentes; foi resgatada a prática do extrativismo e da coleta de frutos para comercialização, como açaí, cupuaçu, castanha, entre outros, o que resultou em total independência alimentar. Também houve o resgate de todas as práticas culturais. Na educação, são doze escolas com 57,86% da população Parakanã alfabetizada na língua materna e em Português, além de grande parte da população em processo de alfabetização.
Na saúde, não se observou nenhuma doença imunoprevenível nos últimos 12 anos. Há controle total das doenças respiratórias, malária, hepatite B e de outras doenças endêmicas, além de boa nutrição, vacinação de 100% da população, controle informatizado da saúde dos índios e um programa de saúde bucal preventivo, curativo e corretivo. A terra está demarcada, homologada e sem nenhum invasor, com fiscalização sistemática dos seus limites e dos transeuntes da rodovia Transamazônica, que faz limite com as terras indígenas Parakanã. A situação fundiária está totalmente regularizada, com registro em cartório de imóveis e no serviço de patrimônio da União. (www.eln.gov.br)
Hidrelétricas a “Fio D’água”
Nas novas usinas, denominadas hidrelétricas a “fio d’água”, a produção de energia é proporcional à vazão natural do Rio. Nelas, como é o caso das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, em Rondônia e Dardanelos, no Mato Grosso, não é necessária a construção de grandes barramentos para acumular água.
Estas hidrelétricas dependem, fundamentalmente, do volume e da velocidade dos cursos d’água. No caso de Santo Antônio, por exemplo, a barragem é de 13,9 metros de altura com um reservatório de 271 km², sendo que deste total 164 km² são de áreas que o Rio inunda, normalmente, no período das cheias.
Quebram-se Ovos para se Fazer uma Omeleta
Felizmente o governo abandonou sua surrada cartilha ambientalista e está construindo as tão necessárias Hidrelétricas no Xingu, Madeira e planejando as do Tapajós. Sem estes projetos o país mergulharia definitivamente no lodaçal da estagnação. A falta de investimentos de toda ordem gerariam, sem dúvida, a curto prazo o desemprego, e a recessão se instalaria. É preciso conhecer a realidade da Amazônia e do Brasil para não se deixar levar por movimentos hipócritas dos que não se interessam pelo futuro de nossa gente e de nossa nação. Aos abutres estrangeiros interessa o engessamento da região para que, em caso de necessidade, no futuro, dela se sirvam como lhes aprouver, sem resistência nem luta.
Mitigação dos Impactos e Compensação Ambiental
O Setor Elétrico vem cumprindo fielmente as obrigações de mitigação dos impactos e de compensação ambiental. Tucuruí, por exemplo, já recuperou praticamente 100% das áreas degradadas com espécies nativas oriundas do Banco de Germoplasma (um dos projetos ambientais desenvolvidos pela Eletrobras/Eletronorte), onde permanecem armazenadas as espécies florestais coletadas na época do enchimento do reservatório.
O Projeto Banco de Germoplasma conta com mais de 400 espécies de árvores produtoras de sementes e mudas de alta qualidade.
Talibãs Verdes
Os meios de comunicação, contrapondo-se à construção de hidrelétricas, apresentam, sistematicamente, fontes alternativas de energia, carregadas de lirismo e totalmente desvinculadas da realidade.
Solicito Publicação
(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;
· Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989)
· Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA) (2000 a 2012);
· Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);
· Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS);
· Ex-Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS)
· Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);
· Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);
· Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);
· Membro da Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER – RO)
· Membro da Academia Vilhenense de Letras (AVL – RO);
· Comendador da Academia Maçônica de Letras do Rio Grande do Sul (AMLERS)
· Colaborador Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG).
· Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN).
· E-mail: [email protected].
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