Porto Velho (RO) terça-feira, 13 de novembro de 2018
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Francisco Matias

RONDÔNIA: O ESPELHO DE CARLÃO DE OLIVEIRA


1. O mês de novembro começou com profundas alterações no cenário político de Rondônia. Mas não no caso Carlão de Oliveira, o presidente da Assembléia Legislativa que mofa atrás das grades vergado por um processo que tem um leque gigantesco e uma só acusação: posse ilegal de arma encontrada em sua residência no dia 4 de agosto 2006, uma data fatídica para Rondônia. Nesse dia, a Polícia Federal desencadeou a Operação Dominó, uma pesada ação policial que levou pra trás das grades personalidades do poder rondoniense, acordados às seis da manhã daquela sexta feira fatídica. Uma dessas personalidades é o deputado estadual Carlão de Oliveira, presidente do Poder Legislativo do estado de Rondônia..Agora na condição de presidiário e de presidente afastado do Poder Legislativo, Carlão de Oliveira protagoniza várias cenas de um espetáculo que vai entrar para a História como um dos mais graves já passados em terras rondonienses.

2. Sua trajetória descendente começou há algum tempo atrás, naquele episódio em que o governador Ivo Cassol denunciou as tentativas de suborno que alguns deputados lhe fizeram. Filmados sem sorrir, os deputados puxaram um longo fio de um enredo sem final. Ao ser desenrolado, o rolo enrolava cada vez mais deputados em várias ações ilícitas. À frente de tudo isso  Carlão de Oliveira, poderoso presidente da Assembléia criava inimigos mais poderosos ainda.  Nada menos que nove pedidos de hábeas corpus lhe foram negados pela Justiça. O último foi  no começo desta semana. Quase por unanimidade, 13 votos a um, o pleno do Tribunal de Justiça negou a representação votada pelo plenário da Assembléia Legislativa, desta vez obedecendo às exigências do próprio TJ, com votação aberta e tudo. Não teve jeito. Os desembargadores alegaram que os deputados estaduais que assinaram a representação não têm idoneidade moral e que estão envolvidos em vários crimes. .Esse é o espelho de Carlão de Oliveira. É por esse espelho que ele se vê.

3. Considerado  um “capo” pela Justiça, ou seja, um chefe mafioso, ele amarga sua imagem num espelho límpido e difuso ao mesmo tempo. Nunca um presidente de um poder no país desceu tanto. Nunca um Poder no país ficou tão desmoralizado. Ferido de morte nesta sexta legislatura, que  termina em 31 de janeiro mas, o Poder Legislativo pode ser tudo, menos Poder. Parece que já acabou. Não há mais o que fazer para recuperar sua idoneidade. Observe-se, no entanto, que foram presos juntamente com o deputado Carlão de Oliveira, o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Sebastião Teixeira Chaves, o vice-presidente do Tribunal de Contas, conselheiro Edílson Silva, e o ex-presidente do Ministério Público, procurador Carlos Vitachi. Ocorre que o Conselho Nacional de Justiça retirou o desembargador Sebastião Teixeira da presidência do Tribunal de Justiça e o Tribunal de Contas retirou o conselheiro Edílson Silva do cargo de vice-presidente daquele órgão.

4. Mas, a Assembléia não fez isso com seu presidente Carlão de Oliveira. Logo, se ele for solto, voltará a presidir o Poder Legislativo e retoma suas prerrogativas de ordenar despesas, assinar cheques, movimentar recursos públicos, e em final de mandato. Talvez seja esta a visão dos desembargadores e, desse modo, decidiram por mantê-lo prisioneiro até quando o mandato acabar. Liberto, o “capo” poderá reunir sua turma e voltar a fazer diabruras que só os “capi de tuttti capi” podem fazer. Se o consideram chefe mafioso, não poderão lhe conceder a  liberdade na medida em que estariam, indiretamente, repondo seu poderes presidenciais e de ordenador de despesas.  Cabe uma pergunta: não seria o caso dele renunciar à presidência da Casa e tornar-se um simples deputado, como estão o conselheiro Edílson e o desembargador Sebastião Teixeira? Talvez, quem sabe, deixaria de parecer um capo de tutti cappi e com isto ganharia a tão ansiada e negada liberdade. Diz a sabedoria popular que mais vale um pássaro na mão do que dois voando. Mas, é apenas um ditado popular. 

Fonte: Francisco Matias (Historiador e analista político)

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