Porto Velho (RO) quinta-feira, 16 de agosto de 2018
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Francisco Matias

RONDÔNIA - A FAIXA DO NOVO GOVERNO CASSOL


1. O governador Ivo Narciso Cassol realizou um sonho em sua posse como o primeiro reeleito do estado de Rondônia. Ser empossado como o 6º governador do Estado eleito pelo povo nesses 25 anos. Muito mais que isso. Cassol recebeu o cargo de Cassol. Ele passou para si mesmo o governo. Mas é um novo governador para um novo governo. Nem tão novo assim, mas novo. E reeleito. Ivo Cassol entrou para a História política de Rondônia como prefeito eleito e reeleito de Rolim de Moura e como governador eleito e reeleito do estado de Rondônia, revelando-se como um político dono de respeitável liderança. É membro de um clã da política rondoniense, fundado por seu pai, Reditário Cassol, que foi administrador de Cabixi, deputado estadual e deputado federal. Seu irmão, César Cassol, foi prefeito de Santa Luzia do Oeste e deputado estadual. Sua irmã, Nega Cassol foi prefeita de Alta Floresta. E ele. Bem, ele é o governador. Tudo parecia estar completo. Mas faltava algo ao governador Cassol.

 

2. Nas eleições 2006, Ivo Cassol não apenas foi reconduzido ao cargo com 53% dos votos válidos. Mais do que isso, ele conseguiu transferir votos para o senador e para alguns deputados federais e estaduais. Um feito raro em Rondônia. Só se tem notícia de fatos como esse nos tempos áureos do governador Jorge Teixeira, que, em 1982, projetou sua imagem sobre os candidatos do seu partido, o PDS, e conseguiu eleger os três senadores, cinco dos oito deputados federais e 15 dos 24 estaduais. Cassol não é um Teixeira e a época é bem diferente. Mas ele conquistou essa posição de transferidor de votos. Sua reeleição não ocorreu em rios de águas mansas. Pelo contrário, ele sempre navegou em águas turbulentas. Várias crises marcaram o seu primeiro governo. O estado de Rondônia foi catapultado para o cenário político nacional das formas mais negativas que um Estado pode ser. Sua classe política mandante foi submetida a um verdadeiro bombardeio e Rondônia serviu de foco de luz negra e temas de reportagens policiais. Teve de tudo. Mas Ivo Cassol emergiu como o paladino da corrupção. E venceu empunhando essa bandeira, ou esta espada. Mas faltava algo ao governador Cassol.

 

3. Em sua primeira posse como governador, Ivo Cassol substituiu a José Bianco, a quem venceu no 2º turno das eleições 2002. Não foi uma vitória tão difícil tendo em vista os desgastes que atingiram ao governador Bianco. Mas, apesar de adversários, Cassol e Bianco tinham um entendimento político. São da mesma corrente. Têm a mesma ideologia. Mas eram adversários. Nem tão adversários assim. Na campanha 2002, Ivo Cassol começou com problemas, navegando em águas turbulentas como sempre, disparando um discurso no qual misturava ataques ao governo Bianco com promessas de mudanças, incorporando com certa maestria a figura do paladino que daria forma quatro anos depois. E venceu no segundo turno com uma larga margem de votos à frente do governador Bianco. Cassol sabia que venceria aquelas eleições. E venceu de forma consagradora. Mas faltava algo ao governador Cassol.

 

4. No dia de sua primeira posse tudo estava arranjado. As coisas pareciam correr naturalmente. Mas, Ivo Cassol não é de navegar em águas calmas e houve um desentendimento com o governador Bianco pouco antes da posse. Não se sabe bem o que aconteceu, mas foi o bastante para as águas ficarem turbulentas rapidamente. O governador Bianco resolveu não transmitir o cargo ao novo governador e Ivo Cassol ficou sem o principal símbolo de posse: faixa governamental, ritual utilizado em apenas sete Estados brasileiros, sendo Rondônia um deles, não foi passada ao governador Cassol pelo ex-governador Bianco. Era demais. Uma posse sem faixa. Isto só tinha ocorrido na posse de Valdir Raupp, em 1994, quando o governador Oswaldo Piana inaugurou essa forma de vingança protocolar. Bianco fez isso com Cassol. Não lhe passou a faixa. Quis o destino que na solenidade de posse do dia 1º de janeiro 2007, no início do segundo governo Cassol, Bianco estivesse ali, compondo a mesa das autoridades, na qualidade de prefeito de Ji-Paraná e presidente da Aron, para ver o governador Ivo Cassol quebrar o protocolo e receber a faixa governamental das mãos do seu pai, Reditário Cassol e de sua genitora, a senhora Helga, enquanto se ouvia um solo do hino de Rondônia vindo do alto das arquibancadas. Todos perceberam o júbilo de Ivo Cassol ao receber uma faixa novinha em folha. Nada mais ritualístico. Nada mais governo. Parecia uma vingança daquele 1º de janeiro de 2003, diante do ex-governador Bianco, seu aliado político a quem Cassol parecia querer mostrar: "olhe aqui, faltava isso para completar minha posse". Realmente, faltava. Não se justificam as atitudes de Piana contra Raupp nem a de Bianco contra Cassol. Agora não falta mais nada a Cassol. A faixa lhe foi colocada.


Fonte: Francisco Matias  Historiador e analista político(*)

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