Quinta-feira, 31 de julho de 2014 - 08h40
Felipe Azzi
SARUÍ DO DESCALVADO, cidade pacata e sem modismos, vivia das tetas de muitos rebanhos ganadeiros, bichos de raça e de pés duros. Verbas governamentais nunca que aportaram no progressismo do município, que disso fazia alardes. Seu povo, do miúdo ao mais elevado cidadão, já vira de tudo. Demonstrações esquisitas e inacreditáveis, como da vez em que certo mágico de um circo qualquer, com a engenhoca da mágica descalibrada, tirou da cartola um avestruz dos capetas, que foi logo botando um ovo de quilo e meio no picadeiro, o que assustou a distinta plateia, acostumada com CAMBAXIRRAS, SOCÓS, ANUNS, BACURAIS e QUERO-QUEROS. A ave de maior porte que já tinham visto era o MARRECO DO BREJO, símbolo natural da bandeira da municipalidade.
Mas agora a estória era outra. Chegara à cidade o GRAN CIRCO SICILIANO, trazendo na bagagem a fama do domador de leões GIUGLIANO STROMBOLLI, coisa nunca vista no derredor de cem léguas do lugar. A cidade se vestiu de curiosidade e expectativa incontroláveis. Faltou bilhete de ingresso para tanto espectador interessado. Circo lotado, com gente saindo pelos desvãos das lonas, espetáculo a ponto de começar, quando chega o tratador dos animais informando que o leão, velho e desdentado, se amontoou num canto da jaula, com jeito de doente, aguardando a visita da morte. Não havia cutucão que movesse o bicho.
Impasse dos grandes, com cara de devolução dos ingressos. Prejuízo à vista. Giugliano acalma o proprietário do circo, dizendo:
- Tudo se arranja... Vou falar com três conterrâneos aqui chegados e que estão em maré braba... Matando cachorro a grito!
Resolvida a questão, começa o espetáculo e, como número primeiro, a apresentação das habilidades de GIUGLIANO STROMBOLLI e seus três leões , no picadeiro convenientemente gradeado. O domador estala o látego chicoteando o ar conforme fora combinado. A plateia, ansiosa, estoura com hurras e gritos de incentivo, a ponto de um patrício de Giugliano, sentado na fileira do gargarejo, dar um incentivo maior, gritando eufórico:
– Ecco, Giugliano... Avanti... Estropa questi Leoni!... Destrùggere questi ferozi animali africani!
O Domador, colhendo a malvada sugestão, empolgado, solta o látego nas costas dos três pretensos leões, gritando:
– Toma, disgraziati... Toma, ferozi Leoni africani!...
Os três infelizes corriam de um lado para o outro, procurando escapar das chicotadas malucas, sussurrando para o Domador:
– Acalme... Abrande, signore Domatore... Siami tui fratelli italiani... Siami tutti napolitani...
Falavam para surdo. O domador, alheio aos apelos, despachou nova remessa de chicotadas, reforçadas com cutucão de cadeira, o que resultou no aparte intencional da mulher do Promotor Público, nestes termos:
– ONOCRASTES, desse jeito o Domador vai estuporar os três leões... Se isso acontecer, quero que compres uma das peles... Tenho em mira um lindo sobretudo para enfrentar o inverno!
O final foi bem outro. Os três leões ajoelhados e de mãos postas, suplicaram tedesca clemência, assim enunciada:
– Basta, per favore... Aiúde gente, acode... Nói non siami Leoni... Siami tré engegneri dizocupati!
Látego enrolado e em alça de segurança. O povo deixando as dependências do circo. Um velhote de pequeno porte, trajando calça listrada e paletó preto, com um chapéu tipo coco na cabeça, rolando a bengala, comenta para o neto ao seu lado:
– Já vi de tudo nessa vida... Homem de perna de pau que anda de bicicleta, mulher barbada e até mesmo anão sem pescoço... Mas leões falantes, é demais!... Acho que vou voltar para o Piauí!
E, para não ficar em desacordo com o relatado, voltou mesmo.
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