Terça-feira, 8 de abril de 2014 - 08h35
Felipe Azzi
Em virtude de mais um boato, com trejeitos de notícia, de que alguém vira, por mais de duas vezes, um homem claro de barbas e cabelos longos em companhia de índios hostis nas adjacências da selva que circunda Guajará-Mirim, deu presença na cidade, sem convite ou pedido algum, impressionante aparato da imprensa brasileira. Afinal, a comoção pública, local e de parte do país, ainda nutria a tênue esperança de reencontrar um militar há anos desaparecido nas matas da região.
O fato é que o Tenente Fernando – designação coma qual passou para a história de desaparecimentos – nos idos de 1945, estando em manobras próprias de seu mister profissional, se afastou do comboio de serviços e sumiu misteriosamente, para dele nunca mais se ter notícia, a não ser pelo insucesso de várias incursões de busca que sempre resultaram em muita frustração.
Questões administrativas, de destinação de recursos públicos, até mesmo de comportamento social, foram levantadas na época, envolvendo o Tenente Fernando de Oliveira e próceres políticos de então, porém, nunca comprovadas.
Até fins dos anos 50 do século passado, na cidade de Guajará-Mirim era comum a ocorrência de manifestações, silenciosas, mas violentas, de grupos silvícolas, quase sempre resultando em morte. O curioso é que membros dos corpos das vítimas eram deixados nos locais da tragédia, como emblemáticos avisos, nem sempre levados na devida conta.
A tribo dos Pacaás Novos, teoricamente pacificada, raramente causava incômodos à comunidade guajaramirense. Contudo, tribos recentemente descobertas na época, como os Cintas-Largas , de aparição no trecho da projetada via de rodagem, atual BR-364, e os Uruê-uau-uau, cuja trilha de deslocamentos constantes atingia a periferia de mata densa da cidade, assombravam o cotidiano de Caçadores, Castanheiros e de quem mais se aventurasse em penetrações à selva, misteriosa e assustadora por si mesma.
A imprensa forasteira, desconhecendo a problemática real do assunto, teve na ocasião fantástica mina de notícias. Era um alvoroço desmedido. Informações iam para o sul do país e novas questões voltavam sacudindo o assunto, num vai e vem alucinante. Articulistas de renome chegaram mesmo a apostar num desfecho feliz, que era, na verdade, o que todos esperavam. No entanto, o querer, mesmo obstinado, nem sempre leva ao resultado esperado.
Havia espécie de bolsa de apostas. Os que acreditavam positivamente no desfecho do caso e os que sustentavam opinião negativa, aderindo ao parecer de sertanistas locais, ligados ao pioneiro SPI – Serviço de Proteção ao Índio, hoje a conhecida FUNAI – Fundação Nacional do Índio. Esses sertanistas, muito afeitos aos costumes indígenas, afirmavam ser improvável tal reaparecimento após longo período de total silencio. Seu ceticismo, baseado nos conhecimentos de sobrevivência na selva, desembocava na conclusão que ninguém queria admitir: perda de tempo para tudo dar em nada. E, de fato, como ainda hoje se sabe, tudo deu mesmo em nada, lamentavelmente.
De positivo ficou que Guajará, desconhecida e ignorada, foi notícia e transitou nas páginas de conceituadas revistas de circulação nacional, com direito a fotos e referências lisonjeiras à beleza da região, destacando a hospitalidade de sua gente, predicados naturais da “Pérola do Mamoré”.
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